[Resenha] Prata, Terra e Lua Cheia

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Em 2015, quase dois anos depois de ter as obras do Legado Folclórico descansando na estante, finalmente tomei coragem e li o primeiro volume da série, Ouro, Fogo e Megabytes. Ainda que com algumas considerações, achei o livro tão bacana que até virou post aqui no Colecionador. Pouco depois, tive a oportunidade de bater o maior papo com o autor, Felipe Castilho e sai de lá com a série toda autografada!

Reconheci ali um grande apaixonado pelo folclore e pela obra de Câmara Cascudo, um escritor humilde que compreendeu as críticas que apontei na minha resenha. Uma das mais evidentes era que o protagonista, Anderson Coelho, tinha comportamentos incompatíveis para uma criança de 12 anos. Discursava contra o capitalismo com uma eloquência feroz, e – sem qualquer treinamento além dos RPGs eletrônicos – enfrentava e matava inimigos no corpo a corpo, com paus e facas de cozinha. Felipe sugeriu que eu continuasse lendo, pois sentiria uma mudança nesse sentido.

A trama
Isso realmente se comprovou no segundo livro da série. Prata, Terra e Lua Cheia (Editora Gutemberg, 2013) traz um Anderson mais maduro e preparado. Nesse ano que se passou na série, o menino dividiu seu tempo de casa, colégio e RPG para também praticar muito tiro com arco, pesquisar sobre o misterioso empresário Wagner Rios e estreitar relações com a Organização – o grupo ambientalista liderado pelo Patrão, o único saci do mundo – e a Primavera Silenciosa – um coletivo hackativista. O crescimento do personagem é visível, e o treinamento a que é submetido nos capítulos é muito orgânico. Seu vegetarianismo também não é panfletário, mas bem integrado as mudanças pelas quais passou o personagem.

A trama continua meses depois do fim do primeiro livro, em que Anderson e a Organização impediram Rios de controlar um gigantesco Boitatá. O sucesso na operação foi tanto que o garoto foi convocado pelos amigos para se tornar o capitão da equipe durante uma espécie de “Torneio Tribruxo”, onde membros de várias organizações disputam a posse dos Muiraquitãs sagrados. Mas os Jogos são subitamente interrompidos pela presença do vilanesco Wagner Rios, que consegue fazer todos os participantes de refém. Menos o próprio Anderson.

Pontos negativos e positivos
12Pouca coisa posso apontar sobre o que mais me chamou atenção negativamente nesse volume. É um livro bem eficiente e redondinho. Talvez o que mais saltou aos olhos foi que senti falta de uma voz mais marcante para cada personagem. Todos falam mais ou menos da mesma maneira. Beto, o Boto; Cris, o lobisomem e até Renato, o melhor amigo, soam todos como o mesmo personagem. Até mesmo a arara Kuara parece ter sido padronizado. Na primeira aparição no livro 1, ela parece descrita como modos bastante irônicos e contidos – menos quando canta. Neste livro, surta, usa gírias e fica bem mais descolada.

Outro apontamento é que a resolução do arco do Grande Caipora é bem legal, mas me decepcionei um pouco com a explicação da doença misteriosa que acometia quem chegava perto demais do centro da ilha de Anistia. Talvez a única coisa menos orgânica na história. De resto, tudo funciona muito bem. As batalhas são empolgantes, a participação de Anderson é bem crível, o poder dos Muiraquitãs é fenomenal. Gostei especialmente da circularidade da história da família. Romper o ciclo de violência é uma decisão das mais corajosas.

Torço para que os ganchos deixados com Pedro e “Evil” sejam bem aproveitados no próximo livro. E claro, que tenhamos mais Saci!

Nota: 4,5/5

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