Bradesco e Super Interessante criam posteres em homenagem a mitos brasileiros

Em sequência a uma parceria já estabelecida pela Abril Branded Content, a Super-Interessante se uniu ao banco Bradesco para produzir uma série de artes em homenagem ao mês do folclore. São seis posteres disponíveis gratuitamente para download em alta qualidade, abarcando vários estilos diferentes.

Acompanhando cada arte está um texto que tenta explicar um pouco sobre cada mito. Embora é certo que houve pesquisa, as informações são questionáveis. Afinal, ainda que falem por vezes na existência de várias versões, insistem em apresentar uma suposta descrição “verdadeira” para as nossas criaturas, quando simplesmente escolhem aquela mais curiosa para o verbete. E sem creditar a fonte.

No caso do saci, por exemplo, Fala-se em um Iaci Pererê, uma entidade que assassina homens perdidos e que tira seu poder não da carapuça, mas de um colar. É assim que o descreve escritor indígena Olivio Jekupé em um de seus livros sobre a versão do saci em sua aldeia. O texto não é referenciado na matéria.

No caso do Curupira, fala-se que usaria bruxaria para enganar humanos. Nunca ouvi a descrição nesses termos, mas gostaria de conhecer a fonte. Achei interessante citarem um mito latino que eu desconhecia: El Cipitío. Pena que esqueceram do nosso vizinho paraguaio, o Kurupi.

Na Iara, reconta-se a clássica lenda de que ela teria sido uma guerreira invejada pelos irmãos. Como já explorei no Popularium, não foi possível identificar a fonte popular desta história em nenhum cronista do Brasil Colonial, o que faz crer que a representação é uma criação ficcional de escritores modernistas.

Não há nenhuma contradição na descrição da Mula sem Cabeça e a do Lobisomem quase passa incólume até a última linha, quando se fala que o único modo de vencer a criatura é com uma bala de prata. Existem inúmeros modos de desencantamento do licantropo brasileiro, o mais famoso sendo o ato de simplesmente arrancar sangue do bicho para liberá-lo de seu fadário. Bala de prata nunca é mencionado, é coisa do exterior.

Por fim, na descrição do Boto, os autores dizem que as mulheres que ele abusa não ficam grávidas, mas em estado catatônico. Algo que as populações ribeirinhas descreveriam como “mundiadas”. Um termo que eu desconhecia, mas que verifiquei que significa “encantado, paralisado, enfeitiçado” para o caboclo. Muito interessante! Faltou a referência para que o leitor buscasse saber mais.

Confira abaixo as artes e seus ilustradores.

Curupira – Willian Santiago

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Saci – Luis Matuto

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Iara – Manu Cunhas

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Mula sem Cabeça – Rômolo D’Hipólito

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Lobisomem – Jonathan Cruz

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Boto cor de Rosa – Tavinha Prim

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