[Poema] Márcia Teóphilo – Catuetê Curupira

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Catuetê Curupira
Ontem pela Primeira vez apareceram
as primeiras rugas na face da terra
cheia de convulsões
as naves as águas se multiplicam descontroladas

Catuetê Curupira
as florestas chamam por ti
castigando os que derrubam e abatem os animais
desorientando as árvores
fazendo-as perderem-se sozinhas
no meio da mata
as árvores famintas
as árvores alucinadas
no meio da mata
no meio do cimento as árvores gritam por você
tamacuere yndaira Catuetê Curupira
muitas árvores encontradas famintas
semi-mortas
contam estórias assombradas e fantásticas
de cidades destruídas
são os únicos testemunhos vivos ou semi-vivos
do que está sobrando do homem
tim tim he tava boya
as sombras em curvas rígidas
os galhos secos nas extremidades
erguem-se colhendo os homens mais maduros
devorando-os

O homem amedrontado continua
cavalgando nas motocicletas soltam um grunhido forte
antes de dar a partida
um grunhido forte e estridente
fazendo os animais fugirem
o homem amedrontado continua
a matar o verde
o verde continua a crescer no meio da poeira
nas árvores cobertas de parafusos e cal
o verde renasce na primavera
insistindo no seu ultimo grito.

Automóvel mais moderno
rosto sem cor e sem veias
os rios apodrecem
os velhos assistem assustados
o conforto e a fome das novas gerações
o mundo mostra suas feridas através de um aparelho
que repete imagens de destruição.

Catuetê Curupira
as florestas chamam por você.

Autora: Márcia Teóphilo
Livro Catuetê Curupira, ed. La ninea, 1983
Fonte: Site da Autora

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