Mostra Curta Saci em Três Lagoas foi emocionante

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Ontem foi uma noite maravilhosa e muito emocionante em Três Lagoas. O público médio das reuniões do Cineclube Bocacine é de 15-20 pessoas. O próprio espaço de exibição é um espaço de resistência. Os filmes são exibidos no galpão da antiga Noroeste do Brasil, ocupado pelos produtores locais e tornado em espaço cultural. Mas nem o calor do galpão improvisado foi empecilho para o público. Quase 80 pessoas vieram acompanhar a Mostra Curta Saci !

A abertura do evento ficou por conta do Duo Caminheiro Zé . Os talentosíssimos Raphael Almeida e Maringa Borgert, assim que foram convidados para a Mostra, compuseram na hora uma música especialmente dedicada ao saci! “Martin Pererê” é deliciosa, e consegui gravar em vídeo! Logo logo estará no Youtube.

A exibição mais uma vez foi um grande sucesso, e todos puderam rir, se emocionar e sonhar com os nossos sacis. O grande diferencial foi a participação da plateia. Diferente de Corumbá, poucas crianças estiveram presentes. Vários jovens e adultos compartilharam suas histórias e medos de saci, lembraram coisas da infância e se inspiraram para manter o saci sempre vivo.

Tivemos que escolher a dedo quem ganharia os lindos calendários do Sacizal dos Pererês, as estátuas de saci e o DVD do Fábulas Negras.

“Por que saci?” – perguntou o Marcelo Jaboo .
– Porque saci é o Brasil, respondi.

Destaque também para a companheira colecionadora de sacis Luciana Mendes, que não só contou que tem vários sacizinhos em casa como chamou atenção para a relação do saci e os escravos. “Dizem que os escravos trançavam a crina dos cavalos e colocavam a culpa no saci. Assim, no dia seguinte, eles podiam ficar soltando os nós e não precisavam ir trabalhar na lavoura”. É o saci como resistência.

Já Gabriel Sousa , timidamente me abordou com uma questão muito interessante. “Colocar medo do saci nas crianças não pode se refletir como medo do negro. Como racismo?”. O bate papo que se seguiu foi muito rico, mostrando que os mitos não estão descolados da realidade. Muito pelo contrário.

Agradeço ao Cadu Modesto Fluhr pelo apoio desde os primeiros contatos em dezembro, por ter aberto sua casa para mim e para a Jessika e por todo o esforço de divulgação da Mostra. Agradeço ainda ao Latim Urbano pela cobertura fotográfica e a todo a pessoal da Secretaria de Cultura de Três Lagoas pela força e pelo maravilhoso jantar no Kadu! Parada obrigatória na cidade agora!

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