Mostra Curta Saci encerra com sucesso em Campo Grande

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Ontem, no Museu da Imagem e do Som, foi a última exibição da Mostra Curta Saci em Mato Grosso do Sul! Foi o fim (ou quem sabe apenas um novo começo) de uma maratona que começou dois meses atrás, quando eu ainda nem tinha chegado ao corte final do Colecionador de Sacis. O corte do filme ainda era bruto, e por mais independente e humilde que ele seja, eu sabia que ele podia fazer parte de uma mensagem maior. Uma mensagem que mostraria que saci não é coisa de criança, de velho ou de interiorano. Saci é coisa de brasileiro.

De lá para cá, foi um corre-corre danado para conseguir falar com diretores e produtoras que fizeram seus próprios filmes de saci. Gente que muitas vezes se mostrou inacessível, indisposta ou pior; gente que te deixa cozinhando a espera de uma resposta enquanto os prazos batem a sua porta. Por sorte existe gente como Renato Leôncio, Issis Valanzuela, Fabio Flecha que abraçaram a ideia. Sem o apoio e gentileza desse pessoal, a Mostra jamais teria o que exibir.

Com os filmes no gatilho, faltava fechar as salas de exibição. Marinete Pinheiro de cara topou abrir as portas do MIS para a gente. Ela e a Carol Sartomen me deram vários nomes de parceiros que pudessem ajudar a exibir no interior. Foi isso que nos permitiu conhecer gente maravilhosa como o Cadu, e o Bocacine em Três Lagoas, e a Marcele no Sesc de Corumbá! (Salim, você fez falta no dia! Também queria ter te conhecido!).

Em cada cidade, dezenas de pessoas se encantavam com o saci, levavam histórias para frente, recuperavam o passado. Se permitiam sonhar e criar, voando de mãos dadas no pé de vento. Era lindo de se ver.

Encerramos a Mostra em Campo Grande, e em cada lugar ela foi bem diferente. Na Capital, havia um gostinho especial. Minha família e amigos puderam estar presentes, além de professores que eu tanto admiro. Mas também foi impossível não notar algumas diferenças gritantes.

O público na capital foi de longe o menor. Foram pouco mais de 40 pessoas, comparada as 80 do dia anterior. Mais do que isso, o espírito da sala também não era o mesmo. Em nenhuma das sessões se riu tanto do documentário Observadores de Sacis. Não um riso de divertimento, mas de deboche. Enquanto nas outras cidades havia olhos de encantamento, aqui olhavam para os personagens como se fossem lunáticos.

Interessante que depois, no particular, muita gente veio contar histórias de lobisomem, de saci, de assombração. Mas em público ainda há bem forte aquele medo de parecer bobo. Coisa de capital, talvez.

Um dos entrevistados do filme diz que “ver saci é um estado de espírito”, e por isso os via toda hora. Ver saci é deixar o cinismo de lado e se permitir o maravilhamento. Campo Grande ainda precisa romper com essa casca. A nós narradores, escritores, cineastas, artistas, quadrinistas – amadores ou profissionais – cabe a tarefa do reencantamento do mundo. Nós convidamos para o barco; mas só vocês podem navegar.

Até a próxima! Viva o saci!

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