Está no ar mais um episódio do podcast que produzo para o Mundo Freak! Serão 10 episódios do Popularium publicados quinzenalmente, onde vamos abordar com profundidade mitos e lendas brasileiras. Neste programa, falamos sobre os donos da mata: curupiras, kurupis, caiporas, maozões e comadres fulozinhas.
Confira o Popularium! Folclore brasileiro como você nunca ouviu. Ouça aqui.
Essa história não se passa em uma cidadezinha desconhecida, daquelas onde a luz elétrica ainda teima em não alcançar. Também não aconteceu em uma noite de lua cheia, não ocorreu com algum amigo de um amigo meu, e nem se deu em uma época muito, muito distante.
Não. Essa história aconteceu em Brasília, no distrito federal. Foi de lá que o presidente da república Michel Temer, no dia 23 de agosto de 2017, extinguiria uma reserva ambiental de quase 4 milhões de hectares ao sul do Amapá. A Renca, como é conhecida a Reserva Nacional de Cobre e Associados teve sua exploração restrita à pesquisa estatal no final da Ditadura Militar. A área rica em ouro e outros minérios tem grandes reservas naturais e várias terras indígenas.
Com a abertura, a área poderia ser explorada pela iniciativa privada – em especial a Indústria da Mineração. Em nota, o ministério de Minas e Energia diz que a extinção da Renca “permitirá que a região bloqueada venha a ser beneficiada pela exploração mineral racional e organizada”. Na prática, a expectativa é que a mineração – esta atividade neoextrativista disfarçada de desenvolvimentista, venha se utilizar de brechas na lei e de áreas de uso sustentável sem plano de manejo para a exploração desenfreada. A decisão está sendo tratada como um leilão da Amazônia. A natureza, como uma fonte a ser dominada e exaurida. Os povos indígenas, que habitam essa região, como meros entraves para uma fracassada ideia de progresso.
O Brasil possui diversos mitos relacionados à proteção da natureza. O mais antigo deles, registrado já em 1560, foi o Curupira. Podemos falar ainda do Caipora, sempre montado em seu porco monteiro; da Comadre Fulozinha, tão conhecida em Pernambuco. Há ainda o Maozão, no Pantanal; e uma infinidade de criaturas designadas como os donos da mata. Seres que desde o início dos tempos fazem a mediação da relação entre homem e natureza em um embate que, dia após dia, parecem estar perdendo.
Neste programa, vamos dissecar o imaginário popular, refletindo sobre o que ele evoca no simbólico. Assim, veremos que estes mitos e lendas, em última instância, não dizem sobre monstros encantados, mas sobre nós mesmos. Eu sou Andriolli Costa e este é o Popularium.
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