Parque encanta com estátuas de mitos colombianos

Por Andriolli Costa

Aquele que visitar o Parque Las Malocas, distante 130 km de Bogotá na Colômbia, encontrará um verdadeiro museu a céu aberto do imaginário fantástico local. Espalhadas pelo parque, em meio ao ambiente rupestre, estão um conjunto de estátuas que dão vida a mitos e lendas da região dos Llanos, a planície que abrange tanto terras colombinas quanto da Venezuela.

Observando cada um desses mitos, encontramos muitas semelhanças, mas também distanciamentos com os encantados brasileiros. Aqui, por exemplo,  a maldição sempre acompanha aquele que comete matricídio, mas nos mitos colombianos temos muito forte a questão da morte do pai. Mulheres castigadas pelo adultério ou incesto, como nossa Mula Sem Cabeça, também povoam a fantástica popular da região. Para afastar a mulher maldita, é preciso ofendê-la. Isso diz muito sobre a figura feminina na América Latina como um todo.

A temática religiosa também se repete. Não se pode trabalhar na sexta-feira santa. Fazer isso, no Brasil, é pedir para apanhar do caipora. Na Colômbia, corre-se o risco de se transformar em uma Patasola. Pactos com o demônio são igualmente comuns, mas quando o espírito é impuro, não se preocupe; a chuva tudo lava, inclusive os pecados da alma.

Confira abaixo as imagens e a descrição de cada mito. Já pensou ter algo assim no Brasil?

La Madremonte
La Madremonte - Marco Parra

Defensora dos montes, da chuva e do vento, odeia lenhadores e persegue caçadores. É capaz de fazer sumir trilhas na mata, transformar os caminhos das montanhas ou confundir pessoas por horas. Quando a Madremonte se enfurece, sua fúria se manifesta como uma tempestade. Os rios trazem inundações que arrasam a plantação e o rebanho. É possível escutar seus gritos, ver sua silhueta, mas nunca se viu seu rosto coberto de musgo.

Patasola

Patasola

Dizem que a Patasola é o espírito de uma mulher infiel que teve um caso com o patrão de seu marido. O homem então, ao descobrir a infidelidade, matou o patrão e corta, com o machete, uma perna da esposa. A mulher desesperada foge para a mata pulando em um pé só até que finalmente morre por hemorragia. Em outra versão, é uma mulher que perdeu uma perna por estar cortando lenha em uma Sexta-Feira Santa, quando diz a tradição que ninguém deve trabalhar.

Transformada em um “espanto”, foi condenada a errar pelo mundo soltando gritos de dor pela noite clamando por ajuda. Quem atende seu chamado é atacado e, em algumas versões, tem seu sangue sugado pelo monstro. Seu nome, obviamente, significa “um pé só”. Lembra vocês de alguém?

El Silbon

EL SILBON.JPG

Alma penada condenada por matar seu próprio pai. O saco que carrega nas costas trás os ossos de seu progenitor. Quem o amaldiçoou foi seu avô que, após descobrir o ocorrido, o prendeu pelo pescoço, incitou sobre ele um perro tureko (um cachorro demônio) e jogou pimenta aji sobre suas feridas. Para escapar dele, basta lembrar do que ocorreu em sua maldição. É uma criatura deformada e esguia que quando senta fica com os joelhos acima de sua cabeça. Aparece na forma de sombra principalmente aos bêbados, de quem chupa o umbigo para tomar o álcool de seu sangue.

Seu nome, Silbón, faz referência ao seu assobio terrível (silbido) capaz de romper tímpanos. É também conhecido pelos nomes de Finfim ou Sem Fim, o mesmo pelo qual o Saci Pererê também é conhecido em alguns estados brasileiros. Tal qual o Sem Fim ou a Matinta, sua presença gera mal agouro. Dizem que o Silbon encosta em uma casa e começa a contar um a um cada osso de seu saco. Quando termina, se ninguém o interromper, alguém da casa morrerá.

La Llorona

La Llorona

Alma Penada que vaga pelas noites perseguindo os homens que andam em busca de festas ou amores ilícitos. Dizem que era uma mulher que botou fogo em casa com sua mãe e seu filho dentro, e que chora eternamente pelo que fez com sua família. Em outras, é a mulher que abortou ou que teve o filho e o afogou no rio. Aparece como uma mulher maltrapilha, com vestidos sujos e trazendo em seu braço sempre um monte de pano na forma de um bebê. A Llorona pede ajuda para carregar a criança e, quando recebe, passa a maldição para a pessoa que aceitou o fado.

Juan Machete

juan machete (2)

Um dos mitos mais conhecidos da região de Llano. Dizem que era um homem que queria ser o mais poderoso da região e que para isso fez um pacto com o diabo – que o acompanhava na forma de um touro negro. Ofereceu para isso sua mulher e filhos em troca de terras e dinheiro. Durante anos foi bem-sucedido, mas quando chegou o momento de entregar sua alma, decidiu esconder o dinheiro que recebeu do pacto e fugir para a mata.

Florentino e o Diabo

FLORENTINO Y EL DIABLO - Marco Parra

Representação do poema Florentino y El Diablo, do venezuelano Alberto Arvelo Torrealba (1940). Conta a história de um homem que entra em um duelo de versos com o demônio e vence clamando pela santíssima trindade.

Bolafuego ou Candileja

Bola de Fuego.jpg

Dizem que era uma mulher que, após matar o marido, passou a ter relações sexuais com o próprio filho. Outros que fora uma mãe que decapitou o filho que estava prometido para ser padre. A bola de fogo é atraída por qualquer oração, mas é possível afastá-la ao xingá-la e maldizê-la.

El Tuy

El Tuy - Marco Parra

Duende visto unicamente pelas crianças. Os adultos não o enxergam, mas escutam seu assobio. É descrito como andando sempre de calças curtas e sombreiro cobrindo seu rosto quase todo, cavalgando um porco e acompanhado por um cachorrinho. Às vezes seu porco foge, e então fica tão irritado que começa a bater nos suínos que encontra pelo caminho. Tem sempre consigo um cajado mágico dourado que o torna invisível. Dizem que a única forma dele soltar o cajado é encontrar um fogão com cinzas de yarumo (cecropia petalta), que adora e come com as duas mãos. Se tomarem o bastão do Tuy, ele fará tudo para recebê-lo de volta. Seu nome é uma onomatopéia do barulho que faz: tuy tuy tuy.

Muelona

Muelona

A muelona  é uma mulher bonita de cabelos compridos que está sempre mostrando os dentes, grandes demais, feito de vaca ou cavalo. Ataca os caminhantes, seduzindo com seu corpo e depois triturando com seus dentes. Persegue especialmente homens infiéis, viciados em jogo e bêbados. Dizem que não ataca homens com esposas grávidas ou bebês recém-nascidos. Seu nome significa “a moedora”.

Rompellanos

rompe llano

Eduardo Fernández, o Rompellanos, tomou parte dos grupos guerrilheiros dos anos 1950, que movimentou a região de Llanos. Morto à traição por um membro do serviço secreto, teve o corpo abandonado ao relento durante uma noite de chuva. Diz a lenda que a água purificou sua alma. Desde então, age como benfeitor dos necessitados, que imploram em romaria pelos seus milagres.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s