Folclore tem espaço no mercado internacional?

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Por Andriolli Costa

Estamos acompanhando uma grande leva de conteúdo original produzido pela Netflix que carregam alguma inspiração folclórica. No campo das animações, dois grandes expoentes são a série mexicana Las Leyendas (2017, renovada para a segunda temporada) e a recente Hilda (2018), inspirada no folclore escandinavo.

Ambos os trabalhos são adaptações. A primeira tem base numa série de longas já famosa no país de origem, enquanto a segunda é baseada num quadrinho escrito por Luke Pearson.

Eu desgostei praticamente de tudo em Las Leyendas na Netflix. Entre os vários motivos, o que mais me incomodou foi ver que a riqueza do folclore mexicano foi subexplorada, já que em poucos episódios os personagens passam a viajar pelo mundo encontrando outros mitos amplamente explorados pela mídia.

Mais um Fenrir? Mais uma medusa? A mim não interessava. Os longas falavam de Chupa Cabras, da Chorona, e era isso que queria ver apresentado ao mundo. Entendi a escolha como uma jogada mercado, tentando atingir um público maior abraçando mitos mais conhecidos.

Haveria interesse em uma série só focada em mitos locais, por mais que pouca gente os conhecesse? Eu sempre acreditei que sim. Mitos e lendas, repito, falam sobre a experiência humana. Nós nos conectamos com essas narrativas, por mais regionais que sejam, a nível ancestral.

E por isso fiquei tão feliz ao acabar de assistir a primeira temporada de Hilda. Por mais que eu goste de folclore, nunca tinha ouvido falar nos homens de madeira, nos duendes domésticos Nisse ou nos ratinhos da maré. Ainda assim, tudo funciona!

Os mitos falam de nossos sentimentos, dão forma a nossos medos e sonhos. E por esse fio narrativo, as histórias falam conosco. Além do encanto de ver uma narrativa linda como essa, fica a curiosidade de saber mais sobre cada uma das criaturas.

Fica a lição para todos nós. É possível! Não tenham medo de abraçar o folclore brasileiro na sua obra, ou mesmo uma lenda urbana extremamente regional. Se a sua história focar no ser humano, mesmo que retratando os mitos, ela pode atingir qualquer público.

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