Januária Cristina Alves, Andriolli Costa e Anderson Awvas analisam como pertencimento, confiança e circulação digital aproximam narrativas populares da desinformação — sem que sejam a mesma coisa.
Uma história pode ser inventada sem ser uma fake news. Também pode transmitir uma verdade coletiva sem relatar um acontecimento comprovável. A diferença está no pacto estabelecido com quem escuta, na intenção de quem conta e no modo como a narrativa circula.
Essas fronteiras orientaram a conversa entre o ilustrador Anderson Awvas, criador do FolcloreBR; a jornalista e escritora Januária Cristina Alves; e o jornalista e pesquisador Andriolli Costa. Partindo da pergunta sobre se uma “história de pescador” poderia ser considerada desinformação, os participantes discutiram ficção, boatos, lendas contemporâneas, identidade e confiança.
Transmitida no Dia do Folclore, em 22 de agosto de 2022, a live abriu a sexta edição do Somando Visões. O debate retomou uma conversa iniciada pelo projeto em 2018, quando a palavra “fake” começava a se popularizar e o folclore continuava sendo empregado, muitas vezes, como sinônimo de mentira.
Nem toda mentira é fake news
“Fake news é mentira? É igual a mentira?”, perguntou Awvas no início da conversa. A questão parecia simples, mas revelava um problema ainda sem resposta consensual.
Januária explicou que a própria expressão contém uma contradição. Se a notícia deve relatar acontecimentos, fatos falsos não poderiam ser classificados como notícias. Por outro lado, a desinformação costuma reproduzir a linguagem jornalística, com título, entrevistas, fontes aparentes e uma organização que procura conferir credibilidade ao conteúdo.
“Ela é feita propositadamente para distorcer os fatos”, afirmou. A intenção de enganar diferencia a fake news de uma obra ficcional, de uma narrativa oral ou mesmo de um erro cometido por um veículo de imprensa.
Jornalismo e ficção trabalham com histórias, mas estabelecem compromissos diferentes com o público. A ficção não esconde sua condição inventiva. Já a notícia falsa procura se apresentar como registro factual para interferir na maneira como as pessoas compreendem um acontecimento.
A internet tornou essa separação ainda mais difícil. Reportagens, opiniões, sátiras, relatos pessoais, publicidade e informações deliberadamente falsas aparecem lado a lado nas mesmas redes. “Está todo mundo no mesmo balaio”, resumiu Januária.
Desinformação, humor e pertencimento
Andriolli propôs compreender as fake news dentro de um campo mais amplo: o da desinformação. Uma publicação falsa no Facebook ou no WhatsApp, por exemplo, pode não imitar a estética de uma notícia, mas ainda assim participar de uma estratégia para confundir o debate público.
Em 2018, o Journal of American Folklore dedicou uma edição especial às relações entre folclore e fake news. Os artigos analisaram desde informações deliberadamente fabricadas até o uso da expressão “fake news” como arma retórica para desqualificar grupos, instituições ou versões incômodas de um acontecimento.
Outra modalidade é a notícia falsa produzida como humor. Paródias e sátiras não procuram necessariamente enganar. Podem utilizar a aparência do jornalismo para ridicularizar uma personalidade, uma instituição ou a própria sociedade.
É nesse ponto que aparecem aproximações com o folclore humorístico. Piadas de papagaio, histórias de português e narrativas sobre figuras públicas também circulam como formas coletivas de deboche. A semelhança, porém, não transforma toda desinformação em folclore.
Segundo Andriolli, parte das pesquisas mostra que as fake news estão menos relacionadas a uma disputa abstrata pela verdade do que à necessidade de validação dentro de um grupo.
“Você não se importa mais com a verdade. Você se importa em ser validado por um grupo”, observou. Se o folclore também participa da construção de identidades coletivas, compreender essa busca por pertencimento ajuda a explicar por que o tema interessa aos folcloristas.
Januária lembrou que informações falsas se propagam com facilidade entre pessoas próximas. A mensagem recebida de um parente ou amigo costuma parecer mais confiável porque vem de alguém que já ocupa um lugar de credibilidade.
A chamada “tia do WhatsApp” não é apenas uma caricatura. Ela representa uma rede de relações na qual a confiança pessoal pode substituir a verificação da informação.
As narrativas contadas ao redor da fogueira também ajudavam a produzir pertencimento. Ao partilhar uma experiência, o narrador oferecia ao grupo conhecimentos que poderiam ser utilizados diante de perigos, dúvidas ou conflitos.
“Estamos partilhando experiências em comum”, explicou Januária. A diferença é que uma história tradicional não se apresenta como reportagem nem depende de falsificar documentos, dados ou acontecimentos para cumprir sua função.
Para enfrentar a mentira, é preciso reconstruir confiança
Awvas comparou a desinformação a uma armadura formada por diferentes camadas. Família, religião, posição política e comunidade podem validar a mesma narrativa, tornando insuficiente a simples apresentação de um dado correto.
“Para quebrar uma fake news, você tem que quebrar toda uma comunidade”, provocou. O desafio, portanto, não é apenas corrigir uma informação, mas construir outras relações de confiança sem destruir os vínculos que sustentam a vida coletiva.
A conversa destacou iniciativas que procuram levar informação jornalística às comunidades por meio de seus próprios agentes. Em um dos exemplos, áudios enviados pelo WhatsApp foram produzidos em diferentes línguas indígenas e repassados por lideranças locais durante a pandemia.
As orientações também foram traduzidas para referências presentes na experiência cotidiana. Em vez de falar apenas em dois metros de distanciamento, um dos programas recomendava manter entre as pessoas o espaço equivalente ao comprimento de um pirarucu.
Outro projeto mencionado formou jovens para visitar as casas de uma comunidade africana, explicar o funcionamento das vacinas e indicar onde os moradores poderiam ser imunizados. Diante da falta de acesso à internet, a voz humana voltou a ocupar o centro da comunicação.
“Aquilo que tem nome e sobrenome, para o ser humano, tem valor”, afirmou Januária. Uma informação anônima, cuja origem não pode ser localizada, deve provocar desconfiança. A identificação da autoria permite acompanhar o percurso da mensagem e responsabilizar quem a produziu.
Isso não significa que jornalistas ou especialistas sejam incapazes de errar. A diferença está na possibilidade de verificar a fonte, reconhecer a falha e publicar uma correção.
A autoria coletiva das narrativas tradicionais também não as transforma em mentiras. “As histórias de tradição oral carregam em si uma verdade universal, que é de todos nós”, explicou Januária. Sua verdade não depende da assinatura individual, mas da experiência compartilhada por uma comunidade.
O folclore não depende da factualidade
Ao discutir os diferentes sentidos da palavra verdade, Andriolli propôs separar a existência simbólica de uma narrativa de sua comprovação material.
“O folclore independe da factualidade para ser verdadeiro”, afirmou. Não é preciso capturar um Saci ou encontrar uma criatura encantada para reconhecer que essas figuras existem na vida das comunidades.
Elas operam no campo do sensível e do simbólico. Pessoas visitam determinados lugares, evitam outros, preservam uma mata ou modificam seu comportamento por causa das histórias que aprenderam. A ação provocada pela narrativa também constitui uma forma de realidade.
“O folclore independe de crença na verdade. Depende mais de reconhecimento e identidade”, acrescentou o pesquisador.
Andriolli relacionou essa discussão à Folkcomunicação, teoria criada por Luiz Beltrão a partir de uma interlocução com o trabalho de Edison Carneiro. Desde a década de 1960, Beltrão chamava atenção para os líderes de opinião que interpretavam informações do presente e as faziam circular dentro das comunidades populares.
O pesquisador encontrou exemplos dessa atuação no romance Torto Arado, de Itamar Vieira Junior. Personagens como Zeca Chapéu Grande e Severo exercem formas distintas de liderança, seja negociando com as estruturas existentes, seja tentando transformá-las.
Para Januária, a Folkcomunicação ajuda a compreender por que as pessoas tendem a confiar em quem ocupa o mesmo espaço social e compartilha suas experiências. A mesma identificação que fortalece uma comunidade, porém, pode fechar o grupo em uma bolha e produzir rejeição ao diferente.
O folclore oferece outra possibilidade. Narrativas viajam entre povos, recebem interpretações locais e incorporam elementos de diferentes culturas. “A gente tem muito a aprender com o folclore e com a Folkcomunicação”, concluiu.
Quando “folclore” vira sinônimo de mentira
Ao longo da conversa, Awvas chamou atenção para expressões como “isso já virou folclore”. Em muitos contextos, a frase é utilizada para classificar uma história como absurda, exagerada ou impossível de confirmar.
O uso aparentemente inofensivo reproduz uma visão do folclore como conhecimento menor. Essa desvalorização também aparece na escola, na mídia e na própria universidade.
Januária comparou a situação ao modo como a literatura infantil foi tratada durante muito tempo. O tamanho de seu público parecia definir seu tamanho intelectual. Com o folclore, ocorre algo semelhante: ele é reduzido à história na qual ninguém acredita e cuja origem ninguém conhece.
“Você tira a potência do povo também. Tira a força da identidade de um povo que tem histórias para todos os gostos e de todo jeito”, afirmou.
A desinformação produz um movimento parecido quando procura destruir a credibilidade do jornalismo, da ciência e de outras instituições. Durante a pandemia, a circulação de conteúdos falsos interferiu na vacinação, no cumprimento das medidas sanitárias e na própria percepção dos riscos da doença.
“O vírus da Covid e o vírus da desinformação matam igualmente”, lembrou Januária.
Ao mesmo tempo, as histórias de tradição oral podem guardar respostas construídas por diferentes gerações diante do medo, da morte e da insegurança. “Existe todo um saber ancestral que nos conta como os nossos antepassados resolveram seus problemas e seus dilemas”, explicou.
A liberdade da ficção e a responsabilidade da leitura
A série Cidade Invisível, da Netflix, serviu de exemplo para discutir o encontro entre folclore e ficção. Januária atuou como consultora da produção, enquanto Awvas e Andriolli acompanharam a repercussão das versões apresentadas na tela.
Uma das dúvidas mais recorrentes dizia respeito ao Corpo-Seco, representado na série como uma entidade capaz de possuir outras pessoas. Embora essa característica pertença à narrativa criada para a produção, parte do público passou a procurá-la como se fosse uma versão tradicional amplamente registrada.
Para Awvas, o autor de uma obra ficcional tem liberdade para imaginar, combinar personagens e modificar seus atributos. O problema começa quando a recepção apaga essa autoria e transforma uma escolha narrativa em suposta tradição popular.
Januária lembrou que encontra processo semelhante quando visita escolas. Crianças frequentemente percebem em seus livros elementos que ela não se lembra de ter escrito.
“Enquanto a gente está no terreno da ficção, eu acho que está tudo bem”, afirmou. “Minha questão é o dano causado quando você atribui um significado falso a alguma coisa que de fato aconteceu.”
A ficção aceita diferentes leituras. Um crime, uma decisão política ou uma orientação de saúde, por sua vez, produz consequências concretas que não desaparecem porque alguém decidiu reinterpretar os fatos.
A resposta passa pela educação literária e midiática. Para Januária, esse aprendizado começa ainda na infância, com as cantigas de ninar, os livros, as histórias tradicionais e o exercício cotidiano de comparar narrativas.
“É uma construção de longo prazo. Tem que ler muita história, muito folclore e muita fonte”, defendeu.
Fakelore e mitologias fabricadas
Awvas apresentou como exemplo uma reportagem que reuniu supostos deuses indígenas brasileiros a partir de informações retiradas de diferentes páginas da internet. A publicação teve grande alcance e ajudou a consolidar personagens e descrições que não correspondiam às narrativas de comunidades específicas.
Com o passar dos anos, esses conteúdos foram repetidos em blogs, livros, histórias ficcionais e pesquisas acadêmicas. Algumas informações chegaram a provas de concurso e projetos de órgãos públicos.
“Isso acaba sendo institucionalizado pelas bordas”, observou Awvas. Cada nova reprodução funciona como uma camada de legitimação. Quando o leitor encontra a mesma afirmação em diversos lugares, pode não perceber que todos estão copiando a mesma fonte equivocada.
Andriolli relacionou o caso ao conceito de fakelore, cunhado pelo folclorista norte-americano Richard Dorson em 1950. O termo designava criações divulgadas como tradições populares autênticas, embora tivessem sido produzidas ou remodeladas por escritores, jornalistas e interesses comerciais. Dorson desenvolveu essa discussão posteriormente no livro Folklore and Fakelore.
Um de seus exemplos foi o lenhador gigante Paul Bunyan. Embora o personagem possuísse antecedentes entre trabalhadores das regiões madeireiras, grande parte da imagem que se popularizou nos Estados Unidos foi construída pela literatura e pela publicidade.
“O que incomodava Dorson não era alguém criar uma história”, explicou Andriolli. O problema era apresentar uma criação midiática como se ela tivesse sido recolhida diretamente da tradição oral.
No Brasil, o pesquisador identificou processo semelhante em descrições que transformam Caramuru em um “deus dragão” ou apresentam determinadas narrativas literárias como se fossem encontradas, com múltiplas versões, na memória dos moradores de uma região.
A pergunta proposta ao público foi direta: “Você encontra essas histórias em outros lugares ou é apenas aquela mesma história reescrita de várias formas?”
O direito de inventar não elimina a autoria
Januária ponderou que ninguém deve ser impedido de criar uma nova versão para uma história. “O direito de inventar, de criar e de contar é inalienável. Todos nós temos”, afirmou.
A questão central está em identificar a autoria e o contexto. O Corpo-Seco pode possuir alguém em uma obra ficcional, desde que a versão não seja apresentada como o único registro possível do personagem.
O mesmo vale para o Saci de perna mecânica criado para Cidade Invisível. Trata-se da versão construída por Carlos Saldanha e pela equipe da série, não de uma definição definitiva sobre o personagem.
“Corpo-Seco pode ser possessão? Pode. Só que você tem que identificar de onde tirou essa ideia”, sintetizou Januária.
Na apuração jornalística, buscar a mesma informação em outras fontes ajuda a perceber o que se repete e o que não encontra sustentação. No folclore, conhecer diferentes versões impede que uma adaptação midiática seja confundida com uma história única.
“Não existe uma versão só de nada”, reforçou Awvas. Mesmo narrativas sagradas, transmitidas e reescritas durante milhares de anos, apresentam variações.
Isso não significa colocar notícias e narrativas tradicionais sob o mesmo critério. No jornalismo, um acontecimento ocorreu ou não ocorreu. No folclore, as transformações fazem parte do processo de transmissão e revelam como diferentes comunidades reelaboram suas experiências.
Do pânico moral ao meme
Depois da despedida de Januária, Andriolli apresentou algumas discussões desenvolvidas pelos estudos de folclore nos Estados Unidos. A presença de pesquisadores latino-americanos e de outras comunidades migrantes ajudou a ampliar o interesse pelas fronteiras, pelas identidades e pelas formas contemporâneas de circulação.
Nesse campo, a antiguidade não é o único critério para reconhecer um fenômeno folclórico. Lendas contemporâneas podem surgir rapidamente e se espalhar por redes digitais sem que seja necessário esperar sua transmissão por várias gerações.
Uma fake news pode adquirir características folclóricas quando é apropriada pelo público, transformada em piada, meme ou narrativa coletiva. Também pode alimentar pânicos morais semelhantes aos que cercaram o desafio Charlie Charlie, a Baleia Azul e os supostos palhaços assassinos.
Em alguns casos, as histórias levam pessoas a realizar ações concretas inspiradas pelo medo. Os estudos de lendas contemporâneas chamam esse processo de ostensão: a narrativa deixa de apenas descrever um acontecimento e passa a orientar comportamentos que parecem comprová-la.
As teorias da conspiração também podem fornecer matéria-prima para o humor e a criação coletiva. “Teoria da conspiração não é folclore, mas às vezes inspira tanto o nosso imaginário que a gente se apropria daquilo e torna folk”, explicou Andriolli.
Awvas recordou a fotografia de uma aranha-camelo que circulou pela internet no início dos anos 2000. O enquadramento fazia o animal parecer gigantesco e deu origem a histórias segundo as quais ele atacaria camelos e depositaria ovos dentro de seus corpos.
A imagem foi desmentida muitas vezes, mas a narrativa continuou circulando por e-mail, blogs e redes sociais. “O desmentir nunca é tão forte quanto a narrativa inventada”, observou.
Para Andriolli, histórias assim atraem porque são espetaculares. Quem as repassa pode acrescentar detalhes, aumentar o perigo e participar da criação de algo que parece fantástico. O processo se aproxima das lendas urbanas e das creepypastas, mas pode continuar ligado à desinformação quando se apresenta como relato verdadeiro.
O algoritmo como contador de histórias
A cultura dos likes acrescenta outro agente a esse processo. Medo, indignação, esperança e humor sempre movimentaram histórias populares. Nas plataformas, porém, essas emoções são medidas e utilizadas para decidir o que receberá maior alcance.
Andriolli questionou até que ponto o algoritmo se tornará um mediador das narrativas populares. Algumas histórias chegam repetidamente ao público e são incorporadas à memória. Outras desaparecem porque não foram consideradas suficientemente virais.
“Vamos deixar o dispositivo ser o mediador das grandes histórias que recebemos?”, perguntou.
Awvas lembrou que a repercussão nas redes não representa automaticamente a população brasileira. Milhões de pessoas têm acesso limitado à internet ou utilizam apenas os aplicativos liberados por seus planos de telefonia. Tratar um assunto viral como expressão de todo o país apaga quem permanece fora desse circuito.
A circulação digital também embaralha a memória. Uma história lida no Twitter pode ser lembrada, algum tempo depois, como um caso contado por um parente, ouvido em um bar ou compartilhado na escola. Quando a origem se perde, a narrativa passa a circular por novas relações de confiança.
Para Andriolli, essa transformação não representa necessariamente um problema. O folclore é dinâmico justamente porque algumas histórias desaparecem, outras permanecem e muitas retornam com novos sentidos.
“O esquecimento e a lembrança são faces da mesma moeda”, afirmou.
O cuidado deve aparecer quando uma criação da mídia ou da intelectualidade é apresentada como se estivesse “na boca do povo”, sem pesquisa de campo, circulação coletiva ou diálogo com as comunidades. Em vez de imaginar uma separação rígida entre autor e povo, o pesquisador propôs pensar em coautoria.
A live “Isso é folclore ou fake news?” foi transmitida pelo FolcloreBR em 22 de agosto de 2022, durante a sexta edição do Somando Visões. Participaram Anderson Awvas, Januária Cristina Alves e Andriolli Costa. Esta matéria foi preparada a partir de uma transcrição editada da conversa, com a retirada de repetições e marcas da oralidade, sem alteração do sentido das falas. Assista à gravação completa no YouTube.