[Clipping] Sem cultura, sexta-feira 13 cai no esquecimento da população

Publicado originalmente em Capital News

f2a0fc56248858ebf83c730640691b2b“Credo! Hoje é sexta-feira e 13, ainda”. Há quanto tempo não se ouve mais essa exclamação do povo brasileiro, que sem cultura, aos poucos a crendice popular vai caindo no esquecimento e sem ela, parte da história vai se perdendo no corre-corre do cotidiano.

Nesse ano foram apenas três: fevereiro, março e novembro.

Num passado não muito distante, um dia tal como hoje – sexta-feira, 13 – era muito respeitado. Poucas pessoas ousavam passar por debaixo de uma escada. Isso nem pensar! Ao ver um gato “preto”, era presságio que o dia não seria dos mais felizes ou melhores. Um espelho quebrado, então, nem pensar.

Essa crendice é até de certo tempo, mas está a exemplo das outras sendo esquecida e trocada pela modernidade dos dias atuais.

Há quanto tempo não se ouve mais falar no lendário Saci Pererê? Do Curupira? E a Mula Sem Cabeça? A Noiva de Banco? Passar meia noite em frente à uma figueira, credo, nem pensar

Para os saudosistas e aqueles que tinham “medo”, é bom lembrar que Saci Pererê era um “moleque” travesso. Eu penso que era um anão, mesmo porque ele usava cachimbo e criança não pode e nem deve fumar.

Gozado que, o Saci Pererê, mesmo sendo “perneta” – não tinha parte da perna esquerda – nunca ninguém conseguiu pegá-lo.

O Curupira,ao contrário do “saci”, era outro “moleque”, diz à lenda que esse era loiro e também nunca ninguém conseguiu pegá-lo ou vê-lo e conforme diz a “estória”, a dificuldade imposta por ele estava ligada diretamente ao fato dele ter os pés para trás e, então andado pra frente – como todos – as marcas dos seus pés indicavam o contrário.

Mas todas essas lendas, essas ricas “estórias” ou histórias ficaram para trás, caíram no esquecimento.

Numa sesta-feira 13, tal como é, o povo está bem mais preocupado em fugir dos problemas do cotidiano e diante disso, para que pensar em novos ou em outros problemas?

Hoje, a preocupação para os motoristas, é fugir dos buracos, ou bacia, panelas, sei lá, qualquer coisa que o valha, existentes pelas ruas da cidade, pois uma “caída” em um deles, o prejuízo será fatal.

Os usuários do transporte coletivo querem mais é chegar ao destino e fugir daquele “caldeirão” efervescente, que são os ônibus, literalmente lotados e quanto aos que transitam a pé, lamentam a sujeira em que se encontra a cidade.

Diante desses problemas do cotidiano, não dá mesmo para pensar no “azar” contraído em uma sexta-feira 13, mesmo porque o dia “aziago” está sendo todos e a população quer mais que seja mesmo uma sexta-feira, mas dia 5, para receber o pagamento.

Com isso, a velha escada que todos tinham medo de passar debaixo dela, sem a sua devida utilização acabou envelhecendo e quebrou. O gato preto, no preço que está a ração, acabou morrendo de fome e assim vai também morrendo parte da cultura e da crendice popular que fez parte da minha infância na longínqua Corumbá.

Resta ainda, no dia 31 de outubro, o famoso “Halloween” – dia das bruxas, que é muito comemorado nos Estados Unidos e como o brasileiro gosta de copiar, vi daí que…

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