Vozes Ancestrais ganham eco em evento online

Por Andriolli Costa

Neste domingo (10), mais de uma centena de pessoas se reuniram virtualmente para o evento Vozes Ancestrais – Desbravando raízes. Durante todo o dia, uma série de convidados compartilharam as mais diversas experiências artísticas que tem como grande inspiração a cultura dos povos originários. São bandas, quadrinistas, escritores e desenvolvedores de jogos que bebem na fonte da cultura popular brasileira para produzir material original que nada fica devendo ao que é produzido lá fora. Confira abaixo um pouco como foi o evento!

Arandu Arakuaa

Zândhio Aquino músico, compositor e fundador da Arandu Arakuaa iniciou as apresentações ao meio dia. A banda mescla heavy metal, música indígena e tradicional brasileira, com letras nos idiomas Tupi, Xerente e Xavante. Arandu Arakuaa significa “sabedoria do cosmos”, em Tupi Guarani).

De acordo com ele, a cultura indígena não está apenas na letra, mas em todo o conceito. “Está na música, na forma de escrever, nas pinturas que usamos… As letras são escritas no contexto deles. Inclusive esse disco está sendo muito bem aceitos por amigos indígenas”. Zândhio é natural do tocantins, fala Tupi e Xerente.

As Crônicas de Pindorama

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Rafael Montenegro é escritor natural de João Pessoa, na Paraíba. Piná e o Despertar da Escuridão é o primeiro volume da saga As Crônicas de Pindorama, uma aventura épica pelos cenários inexplorados do Brasil recém colonizado, onde seres mágicos e deuses cruéis disputam a soberania sobre os homens e a terra de Pindorama.

O livro Piná e o despertar da escuridão conta a história de Annabel Dias de Albuquerque, uma garota portuguesa que veio para o Brasil colonial em 1590, onde passará por uma série de acontecimentos sobrenaturais e misteriosos. O livro narra a jornada de Annabel desde sua chegada ao Brasil, a descoberta a respeito dos mistérios que a cercam e o início da luta com Anhangá, o deus indígena da escuridão.

Rafael conta que foi preciso 1 ano e 8 meses para finalizar a história, que está saindo por impressão própria do autor, e não por alguma editora. “Optei por publicar diretamente, sem tentar os meios convencionais. Editorialmente ainda há uma reserva muito grande de editoras em publicar autores brasileiros de fantasia, sobretudo autores que exploram a temática da mitologia brasileira. Ainda é difícil vender fantasia nacional por aqui”, ressalta.

Conheça mais sobre a obra no blog Pindorama Geek.

A Canção de Quatrocantos

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Vilson Gonçalves, autor do romance O Homem de Azul e Púrpura, primeiro volume da trilogia A Canção de Quatrocantos,  apresentou não apenas seus livros como também as incríveis pinturas que dão vida ao seu universo ficcional. Quatrocantos é baseado nas culturas nativas da América, bem como de suas mitologias. “Desde os Anasazi até os tupinambás e os incas, utilizei várias referências para a criação de sociedades e criaturas fantásticas”.

O autor conta que muitas dessas criaturas foram adaptadas de figuras que todos conhecemos bem do folclore nacional. Um dos grandes exemplos é o que foi feito com o Curupira e o Boto. “Ambos se odeiam. São reis de seus respectivos domínios,  e vivem às turras entre si, o que ocasionalmente resulta em baixas humanas”.

O livro é fruto de uma extensa pesquisa, que teve como preocupação inclusive os idiomas. “Tomei por base o tupi antigo para a língua heta e o quéchua para a língua wayar. Outros são miscelâneas de influências diversas, desde kraho até dialetos havaianos”.

Conheça mais sobre A Canção de Quatrocantos pelo Facebook.

ACLLA

Tato Deluca , vocalista da banda paulistana ACCLA compartilhou um pouco de suas influências para produzir o álbum de Heavy Metal “Pindorama”. O grupo pesquisou os cânticos de diversos povos como os Krahó, Guaranis, Xavantes e Kaiowas. “As melodias criadas por vocalizações foram traduzidas para violões e fiquei muito surpreso ao encontrar ali a raíz da música verdadeiramente brasileira”, conta ele.

O conceito de Pindorama é abordar as histórias dos povos indígenas e sua relação com a terra, comparando esta visão com a relação predatória dos colonizadores. “Pindorama contará com 10 músicas, a primeira Thunder God / Deus-Trovão é um chamado a Tupã. Nela, conto a história de uma aldeia Tupinambá que percebe a aproximação dos portugueses e faz um ritual de invocação de tempestades, para que tupã espante o ‘mal que vem do mar’.

Ouça o trabalho da banda no Youtube e no Soundcloud.

Habitantes do Cosmos: Artemísia

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Francelia Pereira, organizadora do evento Vozes Ancestrais apresentou várias de suas obras. Entre elas a mais recente, Habitantes do Cosmos: Artemísia. O livro, disponível também em e-book conta a história de um futuro em que as catástrofes e transformações na Terra levaram a uma migração em massa pelo sistema solar.

Descendente das Icamiabas – as guerreiras amazonas – a protagonista do livro, nascida em uma sociedade patriarcal em Vênus, deve superar uma série de adversidades para se encontrar. Neste contexto sci-fi, é através de uma busca pela ancestralidade e pelas tradições que a protagonista encontra seu eixo.

“A maior mensagem do livro Habitantes do Cosmos é a importância que o passado tem sobre o nosso presente”, propõe a autora. “Conhecer o nosso passado faz toda a diferença, pois quando tomamos consciência de onde viemos nos tornamos mais seguros no presente e, assim, muitos de nossos problemas são resolvidos”.

Conheça mais sobre a série no Facebook.

A Canção de Mayrube

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Hugo Canuto é o roteirista e ilustrador da HQ A Canção de Mayrube, cujo teaser já foi lançado no FIC e na CCXP. O projeto é todo feito em aquarela, com lindos traços que compõe uma história bastante original. Conforme o autor, a Canção é “um universo criado a partir da união das culturas que formaram o continente americano, como a Inca, Iorubá, Basca e Guarani”.

Hugo conta que uma das principais fontes para a representação dos Guarani no livro foi o livro Tupã Tenondé, do pajé Kaka Werá Jacupe. Um clássico no que diz respeito aos ensinamentos da espiritualidade deste povo. No entanto, não se preocupou tanto com fidelidade, mas com a história, em que os 5 povos primeiros partem em busca de Andorat, a Terra sem Males.

A história veio sendo desenvolvida desde 2007, que renderam mais de 800 páginas com artes, trechos e mapas que servem de base para a produção da história, que deve ter 70 páginas ao final. “Mayrube começou de certo modo, a partir do meu avô, João, um sertanejo que com seus 96 anos me contava histórias…eu descobri depois de uma viagem ao sertão, para a Aldeia indígena de Mirandela, que meu avô havia nascido lá, e foi como reconectar com essas raízes”, relata.

Compre o teaser da Graphic Novel direto com o autor.

Brasil Fantástico

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As irmãs gêmeas Natalie Duarte e Bianca Duarte catalogam e ilustram mitos, lendas e divindades brasileiras. “Esperamos com isso ajudar a expor o quão belas e interessantes são as raízes do Brasil”. Na apresentação, compartilharam suas incríveis artes e promoveram um sorteio para que o premiado decidisse qual a próxima arte a ser publicada. Foram as gêmeas também que ilustraram a capa do novo CD da banda Arandu Arakuaa.

Confiram mais sobre o projeto no Facebook.

Batalha de Mitos

Michel Alvim substituiu Ramon Santos nos 45 do segundo tempo, fechando a noite das Vozes Ancestrais. Ele apresentou o já famoso Batalha de Mitos, um card game desenvolvido na Bahia que inspirou-se no folclore brasileiro, na cultura indígena e africana para produzir um jogo único e que diga respeito às nossas raízes. Na apresentação, Michel divulgou o teaser do jogo, um livreto explicando porque os mitos foram parar nas cartas.

Conheça mais sobre o projeto no Facebook.

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2 Respostas para “Vozes Ancestrais ganham eco em evento online

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