[Resenha] Folks – Volume 1 a 5

folkscapa

Um curupira que anda de skate, um saci que luta capoeira, um negrinho do “pastoureiro” que sonha em ser comediante stand-up e uma iara fã de rock’n’roll. É assim que o roteirista e ilustrador Fábio Dino apresenta os personagens de Folks, uma webcomic que estreou em 2011 e ao longo de dois anos lançou cinco edições.

Devo admitir que comecei a leitura sem grandes expectativas. Afinal, logo de cara somos apresentados ao Negrinho, que ganhou o apelido de “pastoureiro” por que seu padrasto era toureiro na Espanha e depois virou pastor lá no Rio Grande do Sul. Um trocadilho para lá de duvidoso. Me esforcei um pouco e continuei. E foi uma ótima decisão!

História

A antagonista imediata da história é a Kuca. Ou melhor dizendo, Kety Uchoa Catheirne Arruda. Uma mega-empresária e feiticeira de sucesso, que realiza magias graças aos aplicativos de seu celular. Ao que tudo indica, a bruxa capturou o Boitatá, o bicho-de-estimação do Curupira, e o transformou numa terrível serpente-robô lançadora de chamas.

Para recuperá-la, Curupira luta usando todo seu poder, revelando ser na verdade Filho de Tupã e ligado ao relâmpago. A luta entre os Folks reúne os outros seres mágicos no prédio das empresas de Kuca, onde acabam enfrentando seus capangas para ajudar Curu. Até mesmo o egoísta saci acaba aceitando lutar e – depois – até mesmo ajudar seus inimigos derrotados.

Quando a batalha se encerra, logo começa uma outra. O gringo Werewolf, ligado ao elemento fogo – e inimigo natural dos curupiras aparece para acertar as contas. Descobrimos por fim que ele é subordinado ao verdadeiro grande vilão da história: Gandirô, o deus Tupi da noite. Ele não é um Folk, como os outros, mas um Lore – como se caracterizam os seres mais poderosos da HQ. E o que ele planeja? Só saberemos na próxima edição do projeto, que infelizmente não tem data para voltar.

Crítica

Folks é muito divertido, dinâmico e até mesmo inovador. A relação do folclore com a tecnologia, os aplicativos de feitiço e os mechas dão uma estética muito diferente. Os ataques com nomes, ao estilo anime, são um charme a parte. “Trovão Travesso”, de Curupira, é quase um Meteoro de Pégasos.

Claro que algumas coisas me chamaram a atenção. Vincular Curupira a Tupã, e a partir daí tirar sua ligação com o relâmpago, é uma escolha puramente do autor, mas que nada se relaciona com qualquer indício dado pelo mito original. Normalmente, inclusive, o Curupira é vinculado ao fogo graças aos seus cabelos que parecem chamas.

Fico curioso para saber como será a adaptação feita para o Negrinho, que ainda não mostrou a que veio. Na lenda original, ele é responsável por encontrar aquilo que está perdido. Será que seus poderes serão mostrados, ou ele apenas pegou o nome emprestado da lenda? Gostei também do uso do vilão Gandirô, uma criatura da qual há muito poucas informações na web. Quero saber mais sobre ele.

Ao final da última HQ, todos os folks vão morar juntos no apartamento de Iara. Uma resolução muito rápida e superficial, mas compreensível para que a história progrida. O foco do trabalho, logo se percebe, é muito menos na coerência da história e mais nas cenas. O encadeamento de acontecimentos, tal qual um anime ou mangá clássico, leva a uma nova batalha – e é dentro da ação que vemos pistas da história de cada personagem.

Interessante notar que, talvez pelo intervalo entre um volume e outro, a evolução gráfica da revista é muito grande. No primeiro o cenário é fundamentalmente em escala de cinza. Já nas edições seguintes, o nível de detalhamento e uso de cores melhora muito.

Fico na torcida para que a HQ retorne. Ainda há muito nesse divertido universo para ser explorado.

Nota 4/5

Leia a HQ aqui.

 

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Uma resposta para “[Resenha] Folks – Volume 1 a 5

  1. “se basear no folclore não te prende a nada”
    E FolksHQ é exatamente isso!!! É tão incrível ver HQs com tema folclóricos mas que foram criadas pro adolescente/jovem/adulto que gosta de ação, lutas, sangue \o/\o/\o/ infelizmente não conheço muitas HQs que tenham como essência esse gênero, porém o que me deixa muito feliz é ver que essas “HQs folclóricas” não são similares, todas são muuuuuito inovadoras e originais, não querendo estender muito meu comentário sobre FolksHQ ^^’ acho muito importante divulgar a HQ Cruel de Allan Ruy que trás um universo folclórico surpreendente com origens imagináveis; as HQs Xamã – O Espírito da Terra e o O Demônio das Matas de Eberton Ferreira que nos coloca dentro da historia com drama e suspense, nos mostrando origens lógicas do folclore; e as HQs Folcorianos e O Filho do Padre de Odoberto Lino, que nos trás uma pegada mais dinâmica dos mangas dando espaço pro drama e pra comedia também. \o Salve todos os Roteiristas, Desenhistas e quadrinistas que tem como ponto de partida pras suas obras a grande e inexplorada Cultura Brasileira!! Obrigado.

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