[Clipping] Lendas do Negrinho do Pastoreio e Bebê-Diabo inspiram terror brasileiro

Publicado em uol.com.br
em 27/07/2016

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Adolescentes sozinhos, tensão sexual, jogos, uma casa mal-assombrada. O filme “O Diabo Mora Aqui”, que chega aos cinemas nesta quinta-feira (28), reúne todos os elementos de um suspense americano clássico, mas seu trunfo está na capacidade de misturar o que já está no imaginário com história e folclore brasileiros.

O casarão que abriga os adolescentes num fim de semana pertencia ao Barão do Mel, homem sádico que teve sua alma amaldiçoada pela escrava que ele engravidou. Séculos depois, um ritual deve ser realizado todos os anos no local para que as almas atormentadas não escapem do porão. A história é original, mas inspirada em duas lendas bem conhecidas pelos brasileiros: a do Negrinho do Pastoreio, do final do século 19, e o Bebê-Diabo do ABC, dos anos 1960.

Idealizador do longa, o produtor Marcel Izidoro passou muitos anos estudando cinema em outros países e disse ao UOL que sentia falta de ver no Brasil filmes que explorem o folclore. “‘Harry Potter’ se apoia nas lendas saxônicas e as pessoas amam, assim como ‘O Labirinto do Fauno’, que se apoia nas lendas espanholas e mexicanas. Aqui, pouco se explora nossas lendas no cinema. Temos essa síndrome de vira-lata e acabamos achando nossas histórias ridículas”.

A intenção era ainda contar a história do Brasil ao relembrar nosso passado escravocrata. Negrinho do Pastoreio é lenda, mas carrega muita verdade, ao trazer a história do escravo açoitado e jogado para as formigas após perder o cavalo do senhor da fazenda. “Queria resgatar isso numa história em que negros e mulheres têm muita força, mas sem ser maniqueísta. De determinado ponto de vista, todos estão certos ou errados”, contou.

longa_odmaA aposta da equipe jovem agradou brasileiros e estrangeiros ao rodar mais de 20 festivais. Umas das exibições de maior sucesso aconteceu durante o Festival de Tiradentes, no início deste ano, onde foi ovacionado. Agora a estreia comercial acontece em Brasília, Porto Alegre e São Paulo. Nessa última, o filme chega em 15 salas do circuito SPCine (veja a programação), com ingressos a preços populares. “Isso é uma das coisas mais legais até agora porque é um jeito de levar essa história para todo mundo”, diz o produtor.

Outro elemento que vem impressionando público e crítica é que o filme foi feito com apenas R$ 250 mil reais, sem recursos privados, mas não chame o filme de independente perto do produtor. “Se tem uma característica que o cinema possui é a dependência. Cinema depende de câmera, de amor, de apoio. O orçamento é nada para o cinema, mas ainda assim ele tem o preço de um apartamento”. Para isso acontecer, o filme funciona como uma startup. Parte da equipe entrou como sócia e conforme o filme lucra, os investidores também.

Feliz em conseguir finalizar a missão de seu filme, que é colocá-lo nas salas, Izidoro conta que já tem outros projetos ligados ao folclore brasileiro. O próprio “O Diabo Mora Aqui” pode dar início a uma série. Quem sabe poderemos ver no futuro novos filmes com Saci e Boto Cor-de-Rosa.

Confira o trailer:

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