[Clipping] Lendas sobre uma luz no céu

Luz registrada por turista faz moradores acreditarem na presença da dona do Ouro e em Ovni

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Crença. Com 90 anos, dona Lídia acredita que as luzes surgem porque o vilarejo é encantado

Publicado pelo jornal O Tempo
em 08/07/2016

Lavras novas. Uma luz no céu de Lavras Novas, no distrito de Ouro Preto, na região Central de Minas, está mexendo com o imaginário folclórico da cidade. A imagem, entre as montanhas da região, teria sido flagrada por turistas. Entre os cerca de 1.500 habitantes do vilarejo, fala-se em mula-sem-cabeça; em um cavaleiro feito de ouro; na mãe ou dona do Ouro; e até mesmo em um caminho para todo o tesouro escondido na região. O que de fato aconteceu ninguém sabe explicar, mas é unânime que os lavra-novenses acreditam em uma “cidade encantada”.

A reportagem de O TEMPO, que esteve no vilarejo nessa quinta-feira (7), chegou a receber uma imagem da tal luz avistada no céu, que teria acontecido no início desta semana, e conversou com uma moradora, que preferiu não ser identificada. Ela alega que, após a passagem da luz, o sistema de alarme de sua casa foi danificado.

O distrito é permeado de mistério, e, pelo que dizem os moradores, não é a primeira vez que alguém vê uma “luz sobrenatural”. O aposentado Carlos Correia Maia, 69, passou a vida em Lavras Novas. Ele conta que a família já presenciou o fenômeno.

“Meu pai já viu, meu tio já viu, e eu, também. Eu passava lá pela serra, estava de carro e, de repente, vi a luz. Era por volta de meia-noite, mas não a encarei muito, não. Se encarar a coisa muda. Ela mexe com a gente, chega a crescer o cabelo”, conta o senhor. Ele acredita que ela esteja ligada às antigas lendas da época do ouro e que tenha algum poder.

Assim como Maia, as pessoas mais antigas da vila contam uma série de histórias sobre essas luzes. A mais conhecida é a da “Mãe do Ouro” ou “dona do Ouro”. Ela seria uma antiga escrava que continuaria naquelas terras para proteger suas riquezas.

Mesmo assim, as versões se misturam, e muitos moradores ainda dizem que já ouviram falar, mas não conseguem explicar o fenômeno. Para dona Lídia, como é conhecida a aposentada Lídia Oliveira de Carvalho, 90, uma das moradoras mais antigas do distrito, a luz é uma bênção. Ao contrário da maioria, ela acredita que isso é uma espécie de proteção local, uma divinidade. “É muito bonito, especial. Essa cidade aqui é encantada”, conta.

Óvnis

Além das lendas, muitos também ficam curiosos com as “aparições”, e há confabulações sobre a presença de seres de outro planeta em Lavras Novas. O artesão Clander Kramer, 50, afirma já ter visto luzes. Segundo ele, é algo recorrente e aconteceu também em outros lugares. Para Kramer, isso é usado como inspiração.

“Elas são como meus quadros. Arredondadas, parecem um chuveirinho. Mas eu aconselho as pessoas a não verem. Quando isso acontece, a gente começa a questionar tudo”, alerta.

O empresário Sérgio Ricardo dos Santos, 46, mora em Lavras Novas há cerca de seis anos e conta que todos estão acostumados com essas aparições e com as lendas locais. Ele acredita que possa se tratar de outros seres e coisas sobrenaturais, mas tem dificuldades para dizer o que é. Ele é um dos que contam ter visto a luz. “É uma espécie de clarão arredondado e que veio em minha direção”, afirma. Medo ele fala que não tem, e que chegou a ficar parado, olhando, mas que, depois, foi para casa sem conseguir identificar o que era.

Em meio a tudo isso, para dona Lídia, o lugar tem vários mistérios, que vêm de outras gerações, mas estão se perdendo. “Os turistas chegaram, as pessoas começaram a construir aqui, e os mistérios foram embora. Eles não aparecem mais, e está tudo acabando”, lamenta. Ainda assim, ela acredita que o lugar é especial.

Fotografia

Registro do que seria o fenômeno no céu de Lavras Novas foi enviada à reportagem de O TEMPO por e-mail, sem que fossem reveladas sua origem e sua procedência.

 

Folclore é rico e tem origens diferentes

Em meio a tantas histórias e lendas, Lavras Novas mantém suas tradições locais, como a encomenda das almas, procissão que acontece sempre na quaresma; o culto à pedra em S, que dá entrada a uma gruta da época do ouro; e o cavaleiro feito de ouro. Além das luzes, os moradores mais antigos ainda contam essas histórias que vieram de seus pais. Historiadores acreditam que grande parte desse folclore tenha origem indígena, portuguesa e africana.

Professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Adriana Romeiro acredita que foram nas cidades mais antigas do Estado que essas tradições se perpetuaram. “Elas fazem parte do universo cultural dos indivíduos e, por sua vez, fazem parte da identidade deles. Aquilo que somos, a forma como estamos no mundo e como nos relacionamos nele. É essa identidade que nos conecta às gerações seguintes, é o aprendizado que uma geração transmite à outra”, explica.

Adriana também fala que isso é muito presente nas antigas cidades auríferas, como Lavras Novas. “Há histórias sobre tesouros enterrados, figuras sobrenaturais, visões e sonhos proféticos. Um rico folclore que ainda não mereceu a atenção necessária”.

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