[Clipping] Saber popular ganha plataformas contemporâneas

Os saberes folclóricos, antes transmitidos apenas através da oralidade, encontram espaço em suportes contemporâneos e alcançam as novas gerações. Presença do folclore no cotidiano é incontestável

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Homenagem ao artesanato brasileiro no encerramento das Olimpíadas 2016

Publicado pelo O Povo
em 24/08/2o16

Dos ditos populares ao artesanato. Das lendas e mitos a medicina popular. O folclore é representado pelo conjunto de tradições de uma população. São as crenças – passadas através de gerações – que formam o sustentáculo das sociedades. É através das proposições que explicamos os fenômenos incógnitos, que curamos doenças intangíveis para a medicina tradicional, que expressamos nossa forma de ser como povo. No Brasil, o folclore é comemorado no dia 22 de agosto, segunda-feira última. Na semana de celebrações, o Vida & Arte pergunta: há percepção do folclore entre as novas gerações?

Para os especialistas escutados pela reportagem, ele está mais presente no cotidiano do que os olhos das pessoas alcançam. “Hoje a tecnologia está muito desenvolvida. Os elementos folclóricos estão mais divulgados. E não chegam apenas pela oralidade, como era no passado. Antes, o cordel ficava nas cordas. Agora, é acessível no Facebook. Com as novas gerações chegam as novas possibilidades que a cultura contemporânea oferece”, opina Clerton Martins, pesquisador de cultura popular e professor universitário. Ele cita como exemplo a novela global Velho Chico – que condensa em um só produto a religiosidade, as músicas, as celebrações. “Saber folclore é saber sobre a condição de ser sujeito de um lugar. O folclore é algo presente e dinâmico”, explica Clerton.

Segundo Calé Alencar, compositor e brincante do Maracatu Nação Fortaleza, o trabalho dos mestres da cultura tradicional está na base, formando um alicerce para que outras expressões artísticas possam acontecer. “Você percebe isso na obra de Alberto Nepomuceno, Villa-Lobos, Luiz Gonzaga, grandes mestres que beberam na fonte da cultura popular para elaborar uma obra magnífica”, exemplifica. Para ele, entretanto, ainda falta um olhar mais atento e respeitoso para os mestres – que tentam sobreviver com sua riqueza cultural, com sua ancestralidade, com um cabedal de conhecimentos.

“A valorização da cultura nordestina no encerramento dos Jogos Olímpicos (no domingo, 21), com a renda de bilros, com a dança do Grupo Corpo na música de Tom Zé, que por sua vez é baseada no canto dos emboladores, com Asa Branca, que é um mote que vem de tempos antigos antes de virar hino do Nordeste, tudo isso mostra perfeitamente que a cultura é uma linguagem que une o tradicional e o erudito, sem preconceito e sem restrições”, diz Calé.

Pensando nessas questões, o roteirista Felipe Castilho desenvolveu uma série de fantasia que recria mitos do folclore brasileiro. “Eu queria fazer uma saga que envolvesse nossos elementos para mostrar a quem tanto já viu Nova York ser tomada por criaturas e a Inglaterra sendo palco para um mundo oculto de magia, que grandes histórias poderiam ocorrer aqui também. Em nossas ruas, com nossas lendas, sem dever nada para ninguém”. Há três livros publicados pela Editora Gutenberg e um quarto volume está em fase de elaboração.

Felipe acredita que as figuras folclóricas – como a Cuca, o Saci e a Iara, por exemplo -, são pista para reconstruir um passado pouco explicado por falta de registros e permeado pela interferência europeia. “Nossa tradição oral é o nosso trunfo. Através de dezenas de versões para um mesmo mito como o caipora, por exemplo, vemos a diversidade de pensamentos em regiões distantes de um País que de tão grande jamais terá o seu imaginário completamente mapeado”, diz o autor.

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