Saci batiza novo marsupial descoberto no Pará

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Andriolli Costa

Faz quase 10 anos que o primeiro exemplar daquele animal foi levado até Silvia Pavan, no Museu Paraense Emílio Goeldi, em 2008. Na época ela ainda era mestranda em Zoologia, mas já se debruçava sobre a biologia de um marsupial que a grave taxonomia científica fixou como Monodelphis brevicaudata.  Espécie que o povo, sem tanta distinção, chama de catita.

Não demorou muito para ela perceber que aquela catita não era comum. Detalhes posteriores como o formato da cabeça e dos dentes foram sendo percebidos, mas o que mais chamava atenção eram os pelos vermelhos que o animal tinha na cabeça. Contraste direto com a pelagem amarronzada. Com a confirmação da nova espécie descoberta, era hora do batismo. Do folclore brasileiro veio a inspiração: Monodelphis saci – referência ao duende de carapuça encarnada.

Ao Colecionador de Sacis, Silvia conta que a escolha foi unanimidade entre os outros dois co-autores da pesquisa. “Achei uma ideia bacana emprestar o nome, alegadamente derivado de uma lenda Guarani, com elementos africanos e europeus adicionados posteriormente. Um nome marcante que lembra bem o Brasil mesmo”, conta ela.

Para capturar novas espécimes do animal, Sílvia não utilizou a garrafa e peneira, mas um equivalente: armadilhas de interceptação e queda espalhadas pela mata.  O animal não parece ser raro, mas sua coleta pelos cientistas é bastante recente. O Saci de Sílvia está amplamente distribuído nos estados do Pará, Mato Grosso, Rondônia e Acre. Seu equivalente mitológico, por outro lado, se espalha pelo Brasil inteiro.

Mito e Ciência

Em setembro de 2016, o primeiro meteoro a passar próximo à terra e descoberto no Brasil recebeu o nome de Mula Sem Cabeça. Saci e Curupira estavam entre as possibilidades levantadas pelos pesquisadores. Dez anos antes, os palentólogos Max Cardoso Langer e Jorge Ferigolo não tiveram dúvidas: batizaram um dinossauro recém-descoberto no Rio Grande do Sul de Sacisaurus agudoensis. A catita Saci é mais uma descoberta que recebeu seu nome em homenagem ao folclore brasileiro.

Silvia não sabe bem por quê, mas especula que as referências dizem respeito a familiaridade que temos com os mitos, mesmo com as variações regionais. “Isso torna essas crenças muito presentes na lembrança das pessoas, e bem representativos da cultura popular”.

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