De dinossauros a asteróides – Cientistas se inspiram em mitos brasileiros para batizar suas descobertas

Saciperere Catuaba

Aranha Saciperere Catuaba

Por Andriolli Costa

Uma nova aranha foi descoberta pelos pesquisadores da Universidade Federal do Piauí. A Saciperere Catuaba recebeu esse nome pois, após serem encontrados os primeiros indivíduos no litoral do nordeste, a aranha desapareceu. Só foram encontradas novos espécimes no Acre e no Amazonas tempos depois. O costume do duende nacional de aparecer e reaparecer só quando quer serviu de inspiração para o batismo.

Este é o mais recente caso em que um mito brasileiro serviu de inspiração para batizar alguma descoberta feita por pesquisadores daqui. Separamos abaixo alguns destes casos e um pouco de suas histórias. Confira!

Perereca Icamiaba

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A Boana Icamiaba, nativa da Bacia Amazônica, possui pálpebras semitransparentes e espinhos nas mãos. Provavelmente foi esse índice beligerante que inspirou o nome, baseado na famosa lenda das guerreiras amazonas que teriam habitado a floresta no período pré-colonial. Icamiaba significa “peito partido” em Tupi, e faz referência ao fato dessas mulheres extirparem um dos seios.

Sacissauro

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O Sacisaurus agudoensis foi descoberto no município de Agudo, no Rio Grande do Sul. O nome se deve ao fato de que o primeiro fóssil do réptil foi encontrado, pelo palentólogo Jorge Ferigolo, com apenas uma perna. O sacissauro tinha 1,5 metro de comprimento e 70 cm de altura, pesando cerca de 10 kg.

Peixe Jurupari e Peixe Curupira

 

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O gênero Satanoperca (peixe demônio) descoberto em 1840 inclui diversos indivíduos com nariz longo e boca protáctil, sempre com nomes fazendo referência a seres supostamente demoníacos: Satanoperca Daemon, Satanoperca Lilith, etc. No Brasil, dois peixes desse gênero foram batizados: um como curupira e outro como jurupari, fazendo espelhar a visão demonizante que os colonizadores sempre colocaram sobre nossos mitos.

Saci Marsupial

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Monodelphis Saci

Descoberto pelos pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi em 2008, uma catita, esse espécime de marsupial brasileiro, foi batizada em 2017 pela pesquisadora Silvia Pavan de Monodelphis Saci. O nome, que faz referência ao duende nacional, se deve aos pelos avermelhados que o animal traz na cabeça.

Orquídea Mapinguari

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Mapinguari é um gênero de plantas encontradas pelo norte da América do Sul e também América Central. Seu nome faz referência ao mito do devorador de homens, portador de uma boca gigantesca ao centro do peito e de um único olho. Interessante ver que possivelmente a abertura da flor serviu de homologia com a bocarra da criatura.

Asteroide Mula-Sem-Cabeça

Near-Earth asteroids, artwork

Após uma consulta pela internet, o asteroide RP12, descoberto por pesquisadores do observatório Sonear, de Minas Gerais, foi batizado de Mula-Sem-Cabeça em 2016. A regra é que para a nomeação de Objetos próximos à Terra, o nome proposto deve estar sempre associado à alguma Mitologia.

 

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