[Podcast] Popularium – Os Filhos do Boto

Está no ar o primeiro episódio do podcast que produzo para o Mundo Freak! Serão 10 episódios do Popularium publicados quinzenalmente, onde vamos abordar com profundidade mitos e lendas brasileiras. Neste programa, vamos falar do Boto como mito da sedução narcísica, da submissão e da exploração cultural.

Abraços ao Andrei Fernandes que me convidou para essa missão e deu a maior força para minhas ideias. Espero que vocês curtam tanto quanto eu curti! Confira o Popularium! Folclore brasileiro como você nunca ouviu clicando aqui.

 


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ROTEIRO:

Essa história não se passa em uma cidadezinha desconhecida, daquelas onde a luz elétrica ainda teima em não alcançar. Também não aconteceu em uma noite de lua cheia, não ocorreu com algum amigo de um amigo meu, e nem se deu em uma época muito, muito distante.

Não, essa história aconteceu em 1999, na cidade de Belém do Pará. Naquele ano, o repórter Maurício Kubrusly descobriu mais um fantástico personagem para a série que apresentava todo domingo: o “Me Leva Brasil”. Tratava-se de Antônio Juraci Siqueira, açougueiro que já com certa idade se descobriu poeta.

Junto da balança e da faca, que ainda guardava na época, Juraci acrescentou os mais de 80 livros, folhetos e cordéis lançados até hoje. O rosto sulcado e o sorriso fácil do paraense eram emoldurados pelo inseparável chapéu de palha de carnaúba que se tornou sua marca registrada em todas as apresentações, entrevistas e contações de histórias.

O adereço não escondia a falta de cabelos, nem servia apenas para proteger o poeta do sol. Segundo ele, o objetivo do chapéu era muito mais importante: ocultar o buraco que Juraci conta carregar no meio na nuca. Não podia ser diferente. Afinal, Juraci Siqueira, se apresenta como o Filho do Boto – resultado do abuso de sua mãe pelo misterioso ser encantado que habita as águas do imaginário amazonense (KUBRUSLY, 2005, p: 43).

Depois que a entrevista foi ao ar na Globo, muita gente duvidou do poeta. Fizeram troça e debocharam por anos a fio. Tempos depois ele decidiu se explicar:

“A verdade é que ninguém sacou que a minha ‘mãe’ é a Amazônia e o ‘boto’ em questão é o Capitalismo, esse moço bonito que nos seduz, nos enraba e depois nos abandona prenhes de dívidas e dúvidas. É o mesmo boto que em tempos idos, travestido de regatão, comia nossas tapuias em troca de um corte de chita ou de um vidro de perfume.

A ‘minha mãe’ também é mãe solteira, também foi e continua sendo estuprada e emprenhada por esse boto malino, tanto física quanto cultural e economicamente. Ontem, na base do “dá ou desce”, a ferro e fogo; hoje, na mesma base, só que com armas muito mais sofisticadas, sedutoras e eficientes”.

No âmbito do concreto, existem três espécies diferentes de botos na bacia amazônica: o boto cinza, o boto preto – ou tucuxi, e o boto vermelho – ou cor de rosa. Dizem que o tucuxi é o amigável, protetor das embarcações e daqueles que naufragam. O Rosa, por outro lado, é o boto ardiloso e sedutor. O Don Juan das águas que alimenta os mitos. Símbolo da sedução, da exploração e do estrangeirismo.

Neste programa, vamos dissecar o imaginário popular, refletindo sobre o que ele evoca no simbólico. Assim, veremos que estes mitos e lendas, em última instância, não dizem sobre monstros encantados, mas sobre nós mesmos. Eu sou Andriolli Costa e este é o Popularium.

(Leia o resto aqui)

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