[Podcast] Popularium – Os Barretes Vermelhos

Está no ar o último episódio do podcast que produzi para o Mundo Freak! Foram 10 episódios do Popularium publicados quinzenalmente, onde abordamos com profundidade mitos e lendas brasileiras. Neste programa, vamos investigar o mais brasileiro dos mitos: o saci. Percorremos todas as imagens que constelam ao redor do encantado: o fragmento de lua, o pássaro, o duende, o demônio e o escravo. Exploramos Sacis Pererês, Jacys Jaterés, Matintas Perês, Fradinhos da Mão Furada e Trasgos.

Confira o Popularium! Folclore brasileiro como você nunca ouviu. Ouça aqui.

Vitrine

Essa história não se passa em uma cidadezinha desconhecida, daquelas onde a luz elétrica ainda teima em não alcançar. Também não aconteceu em uma noite de lua cheia, não ocorreu com algum amigo de um amigo meu, e nem se deu em uma época muito, muito distante.

Não. Essa história aconteceu em 2017, no município de Uberlândia, Minas Gerais. Para a festa de formatura do curso de Engenharia Civil da UFU, a estudante Dandara Tonantzin Castro, que é negra, acrescentou um adereço diferenciado para acompanhar seu vestido de renda: um turbante dourado.

O acessório causou vários olhares de espanto, além de alguns elogios. No entanto, já no adiantado da festa, Dandara conta ter sido agredida por um grupo de homens, em uma clara manifestação de racismo. Entre empurrões, risos e deboches, um dos rapazes arrancou o turbante de sua cabeça e o jogou ao chão. Quando se abaixou para pegá-lo, derramaram cerveja sobre ela. Seu choro foi abafado pelas risadas.

Humilhada e coagida, temendo inclusive a violência física, Dandara foi embora. Pelo Facebook, assinou seu desabafo cujo título resume bem o ocorrido: “Nossa presença incomoda”. Negros em formatura? Só na limpeza ou servindo mesas. Manifestando orgulho em sua negritude, ainda? Certamente um choque para brancos acostumados a subserviência

O caso encontra paralelos com o folclore naciomal quando pensamos naquele tido como o mais brasileiro dos mitos: o saci. Há uma relação rápida que podemos fazer entre a moça que teve seu turbante arrancado com a busca por sempre arrancar a carapuça do duende, mas é mais do que isso. O eco está nas próprias narrativas de origem do encantando: um escravo que se destacava entre o povo, cuja perna foi arrancada como castigo por ser um “negro exibido”. Como que para lembrá-lo do local que a sociedade impunha para aqueles de sua cor.

Neste programa, vamos dissecar o imaginário popular, refletindo sobre o que ele evoca no simbólico. Assim, veremos que estes mitos e lendas, em última instância, não dizem sobre monstros encantados, mas sobre nós mesmos. Eu sou Andriolli Costa e este é o Popularium.

Leia o restante do roteiro aqui.

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