“Você tem que fazer por afeto”: Andriolli Costa fala sobre divulgação folclórica no Papo Lendário

Em entrevista a Leonardo Tremeschin, pesquisador apresentou seu primeiro livro e discutiu os desafios de transformar a cultura popular em literatura, fotografia, cinema, podcast e jogos.

Em setembro de 2020, poucas semanas depois de lançar seu primeiro livro, Andriolli Costa retornou ao podcast Papo Lendário para discutir os desafios da divulgação folclórica. A conversa partiu de O Colecionador de Sacis e outros contos folclóricos, reunião de sete histórias que transitam entre drama, romance, fantasia, investigação e ficção científica.

Entrevistado por Leonardo Tremeschin, Andriolli falou sobre sua experiência em diferentes linguagens e defendeu que o folclore brasileiro não precisa ficar restrito às narrativas infantis ou ao terror. Com pesquisa e liberdade criativa, pode inspirar desde um romance sobre o Boto até uma distopia construída a partir da cerâmica Terena.

A entrevista abordou ainda as disputas em torno das palavras “folclore”, “mito”, “cosmologia” e “encantado”, especialmente quando aplicadas às culturas indígenas. Em vez de reduzir o debate à escolha de um termo, Andriolli propôs observar como pesquisadores, artistas, governos e instituições agem diante dos povos e dos saberes que afirmam valorizar.

Esta matéria recupera o episódio 217 do Papo Lendário, publicado em 22 de setembro de 2020. A transcrição foi editada para retirar hesitações e repetições próprias da oralidade, sem alterar o sentido das falas. As referências à pandemia, ao pós-doutorado, aos projetos em desenvolvimento e à disponibilidade do livro correspondem ao momento da gravação.

A pesquisa que daria origem ao Poranduba

Na abertura do programa, Andriolli contou que havia começado um estágio pós-doutoral na Universidade do Estado da Bahia. A pesquisa analisaria as relações entre o folclore brasileiro e os jogos analógicos, sobretudo os jogos de cartas.

Naquele momento, o Poranduba — Cartas de Cultura ainda não existia. Era apenas uma possibilidade que poderia nascer dos vazios encontrados durante a investigação.

“Meu trabalho tem duas fases. A primeira é de compilação e análise. Estou procurando reunir esse material e entender como os jogos lidam com o folclore, os povos originários, o racismo e os desafios do contemporâneo.”

Os primeiros levantamentos mostravam duas tendências. Em alguns jogos, personagens como Saci e Curupira eram colocados para lutar até que um deles fosse eliminado. Em outros, o folclore aparecia como motivo de humor, muitas vezes atravessado por estereótipos contra indígenas e saberes ancestrais.

“A gente só consegue lidar com o folclore de duas maneiras? Ou coloca os mitos para se enfrentar e se matar ou transforma tudo em uma perspectiva de humor que, às vezes, está muito próxima do racismo?”

Andriolli também explicou por que havia escolhido trabalhar apenas com jogos analógicos. O recorte deixava de fora videogames e RPGs, embora reconhecesse a importância dessas linguagens.

“Se eu não fizer um recorte, posso estudar o mundo. O jogo analógico tem uma relação muito interessante com o folclore, que é a presença. Você está junto com os amigos, participando de um ato presencial e ritualístico.”

A observação ganhou um significado particular durante a pandemia. Naquele momento, os jogos permaneciam guardados enquanto encontros presenciais eram evitados.

“Hoje a gente não pode ir à casa do amigo jogar War. Mas está ali, guardadinho. Um dia a gente vai poder jogar de novo.”

Sete contos e muitos gêneros

O lançamento de O Colecionador de Sacis e outros contos folclóricos motivou a entrevista. O livro reuniu sete histórias atravessadas por personagens, práticas e referências da cultura popular brasileira.

“Os contos transitam por vários gêneros. Tem ficção científica, drama, romance e fantasia, mas o que une todos eles é essa relação de afeto com o folclore brasileiro.”

Andriolli queria mostrar que uma narrativa folclórica não precisa repetir fórmulas ou assumir sempre o mesmo tom. Para ele, a diversidade de gêneros funcionava quase como um manifesto sobre as possibilidades criativas daquele repertório.

“A gente não precisa contar sempre do mesmo jeito, com o mesmo estilo e dentro do mesmo gênero. Eu queria variar bastante o uso dos mitos brasileiros.”

O conto que dá título ao livro acompanha uma mulher que retorna à casa do pai depois de seu suicídio. Conhecido como colecionador de Sacis, ele havia deixado o local repleto de garrafas aparentemente vazias, nas quais jurava guardar os encantados.

“Ela percorre aquelas garrafas e, durante esse percurso, vai recuperando as memórias do pai.”

Em Sem Cabeça, um padre jesuíta investiga um crime relacionado à Mula-sem-Cabeça. Mitomania apresenta um futuro distópico no qual o último integrante do Esquadrão Saci recebe a ajuda de uma inteligência artificial chamada “avó”.

Três Desejos acompanha um homem que procura o Saci em uma encruzilhada para realizar um pacto. O encantado não pede a alma do rapaz. Em vez disso, exige que ele formule três desejos, como se já soubesse que aquela vantagem se transformaria em problema.

“Por que o Saci pede três desejos em vez de um? Porque ele já sabe que alguma coisa vai dar errado. Ele está armando tudo e planejando o que vai acontecer.”

Entre o Boto, Malasartes e a cerâmica Terena

Os demais contos ampliam a variedade de registros. Cor-de-Rosa apresenta uma história de amor entre uma pessoa e um Boto, ambientada no Pará e construída com expressões da região.

“É uma história de entrega e paixão com a qual muitas pessoas se identificaram. Eu gostei muito de ter feito Cor-de-Rosa.”

Em Alma do Povo, Pedro Malasartes está condenado a sustentar a porteira que segura o céu. Se abandonar seu posto, tudo pode desabar. A situação muda quando um professor universitário aparece procurando informações.

“O conto é praticamente um diálogo entre os dois. De um lado, Malasartes; do outro, um professor universitário.”

O livro termina com Retomada, ficção científica inspirada na cerâmica produzida pelo povo Terena, presente em Mato Grosso do Sul. Durante a pesquisa, Andriolli observou o uso de diferentes tipos de barro e a transformação das peças durante a queima.

“O artesanato Terena trabalha com o barro preto para dar forma, o vermelho para dar cor e o branco para criar os detalhes. Quando sai da queima, aquilo fica vermelho vivo. É muito visual.”

Na história, um integrante da resistência substitui o braço metálico por outro feito de cerâmica. A mudança permite discutir memória, identidade e a relação entre tecnologia e tradição.

“Eu incorporei isso em uma ficção científica inspirada no folclore. Não é um folclore de criaturas, mas está ali de propósito. Eu quis mostrar que também era possível contar essa história.”

Criar em ondas de interesse

Leonardo perguntou como era trabalhar com fotografia, cinema, podcast e literatura, sempre tendo o folclore como ponto de encontro. Andriolli respondeu que sua vontade de criar não permanece presa a uma única linguagem.

“A minha vontade de criar vem em ondas de interesse, mas tudo é atravessado pela vontade de falar sobre esse tema que eu amo.”

A fotografia surgiu quando ele dava aulas de fotojornalismo. Ao pesquisar referências, encontrou ensaios inspirados em personagens gregos, ninfas e outras figuras estrangeiras, mas quase nada que empregasse o folclore brasileiro em uma proposta semelhante.

“Eu pensei: quem já fez isso com o nosso folclore? Não encontrei quase nada.”

O resultado foi o projeto Folclore Nu, composto por quatro ensaios inspirados no Boitatá, no Boto, no Lobisomem e no Negrinho do Pastoreio. A proposta utilizava o nu artístico para levar aqueles personagens a um público ligado a galerias e à fotografia.

“Eu queria atingir pessoas que não tinham contato com nada que eu já havia feito. Queria mostrar que o folclore também podia ser trabalhado com estéticas artísticas sofisticadas.”

O projeto exigiu locações, oficinas e investimentos que impediram sua continuidade. Ainda assim, Andriolli considerou que os quatro ensaios cumpriram a função de provocar novos olhares.

Um filme para reencontrar a família

A experiência no audiovisual começou ainda em 2010, com um curta inspirado nas histórias sobre tesouros enterrados no Paraguai. Depois vieram outras produções, entre elas o documentário Raízes, dedicado à relação da família paterna de Andriolli com o Saci.

O filme reuniu entrevistas com os avós e outros familiares. Quando o material foi retomado para a montagem, o avô do pesquisador já havia falecido.

“Foi muito emocionante porque retomar aquilo significava recuperar muitas lembranças. Na exibição, eu chorei, ri e me emocionei junto com as pessoas.”

Para Andriolli, fotografia, cinema, podcast e literatura permitem provocar sensações diferentes. O elemento comum não é o suporte, mas a capacidade das histórias de estimular um reconhecimento.

“Eu funciono como catalisador, mas quem desperta tudo isso é o folclore. É esse sentimento de revisitar a si mesmo.”

Uma resenha recebida depois do lançamento do livro resumiu essa familiaridade.

“O leitor escreveu que eu conto histórias que parecem ter estado sempre com a gente. Eu gostei muito dessa ideia.”

O preconceito mudou de forma

Ao longo de 12 anos de pesquisa, Andriolli percebeu uma transformação nas críticas dirigidas ao folclore brasileiro. No começo de sua trajetória, eram comuns comentários que tratavam personagens nacionais como ridículos ou inferiores aos repertórios estrangeiros.

“As pessoas diziam que o folclore brasileiro era tosco e que legal mesmo era a mitologia estrangeira.”

O estranhamento surgia porque elfos, dragões e deuses europeus já estavam presentes em filmes, livros, quadrinhos e jogos. Criaturas brasileiras apareciam pouco nessas linguagens.

“Era fácil aceitar um elfo e estranhar o nome Boitatá. O nome não é estranho. Você é que não está acostumado a vê-lo na mídia que consome.”

Com a ampliação das produções brasileiras, essa reação perdeu força. Surgiu, porém, outro conflito: a recusa do termo “folclore” quando aplicado a narrativas, práticas e conhecimentos indígenas.

“Algumas pessoas dizem: ‘Isso não é folclore, é cultura indígena’. Elas fazem isso porque ainda entendem folclore como mentira ou saber inferior.”

Andriolli reconheceu que a cultura indígena foi historicamente tratada com desrespeito. Por isso, o diálogo exige atenção e não pode repetir o mesmo tom empregado contra consumidores que apenas consideravam inferior tudo o que era brasileiro.

Folclore não é sinônimo de criatura

Parte do problema está na compreensão limitada do próprio conceito. Folclore não é sinônimo de mitologia nacional nem uma categoria reservada às narrativas indígenas.

“Quando a gente tensiona isso, lembra do Negrinho do Pastoreio, da Mula-sem-Cabeça e do Lobisomem. São mitos que não têm origem indígena.”

Para Andriolli, o folclore reúne modos de sentir, pensar e agir transmitidos pela tradição e relacionados à identidade de um grupo.

“Está no modo de vestir, falar, comer, gesticular e contar histórias. Dentro desse grande campo, também estão os mitos e as lendas.”

A definição permite reconhecer que todas as sociedades são atravessadas por processos folclóricos. Ao mesmo tempo, não transforma todas as manifestações culturais em uma coisa indistinta.

O problema aparece quando seguidores e divulgadores reproduzem apenas a superfície do debate. Uma postagem pode receber imediatamente a correção de que determinado tema seria “cultura indígena, não folclore”, mesmo quando não envolve qualquer povo indígena.

“As pessoas pegam o esqueleto ou a casca da discussão e aplicam sem reflexão.”

A palavra não substitui a ação

Cada povo pode nomear essas presenças de maneira própria. Em alguns casos, não existe sequer uma palavra que as reúna como uma classe separada, porque elas fazem parte da própria experiência cotidiana.

“O povo pode chamar de um jeito ou não chamar de nada. Eu, que não pertenço àquele povo, utilizo uma categoria de análise, mas preciso entender e respeitar o que ele está definindo.”

Mais importante do que escolher um termo supostamente perfeito é observar o que cada pessoa faz diante das comunidades envolvidas.

“Alguém pode usar a palavra considerada correta e, ao mesmo tempo, apoiar institucionalmente a destruição daquela cultura.”

Por isso, a valorização do artesanato indígena não pode ser separada da defesa dos territórios nos quais ele é produzido. A celebração dos mais velhos também perde sentido quando essas pessoas morrem sem acesso a direitos básicos.

“Não dá para falar de artesanato indígena sem falar de demarcação de terra. Não dá para defender que devemos ouvir os mais velhos quando eles estão morrendo durante a pandemia.”

A ação concreta revela o compromisso que a nomenclatura, sozinha, não consegue assegurar.

“O que importa é como a gente age para proteger um saber e, ao reconhecer esse saber, reconhecer também o povo que o manifesta. Isso mostra o respeito real.”

Uma árvore com muitos galhos

O Poranduba, podcast criado por Andriolli em 2018, tornou-se um espaço para apresentar essa visão mais ampla. Embora o público gostasse especialmente dos episódios sobre mitos e lendas, o programa também abordava comidas, bebidas, festas, artesanato, música e trajetórias de pesquisadores.

“O folclore é uma grande árvore. Suas raízes são a tradição e a identidade, mas os galhos podem trazer comidas típicas, modos de fazer e modos de contar histórias.”

Esses elementos também podem inspirar pesquisadores, jornalistas, quadrinistas e escritores. Um artesanato pode fornecer a base visual de uma ficção científica. Um ditado popular pode ser transformado em personagem. Uma superstição pode organizar a cena de um romance.

“Dá para transformar tudo isso em pesquisa, matéria ou história.”

Durante a conversa, Andriolli recordou um conto no qual um menino é amaldiçoado a falar apenas por meio de provérbios. Expressões como “Deus ajuda quem cedo madruga” e “apressado come cru” deixam de ser somente frases e passam a constituir o comportamento de uma criatura.

Também mencionou o trabalho do ilustrador Mil Mameluco, que convertia expressões populares em monstros. Um “pé-frio”, por exemplo, poderia se tornar um ser semelhante a um zumbi que congela a paisagem por onde caminha.

“Dá para criar criaturas a partir de coisas que originalmente não são criaturas. Isso abre muitas possibilidades.”

A viola e os pactos com o Diabo

Leonardo destacou um episódio do Poranduba dedicado à viola caipira. O assunto poderia parecer pouco atraente para quem procurava apenas seres fantásticos, mas ganhou outra dimensão quando surgiram as histórias de músicos que faziam pactos com o Diabo.

“Você fala ‘viola caipira’ e alguém pode achar chato. Mas aí aparecem os pactos que o violeiro faz com o Diabo e aquilo inspira muita coisa”, comentou Andriolli.

A experiência mostrou que, ao investigar um objeto cotidiano, o podcast podia chegar a narrativas inesperadas. A presença de pessoas diretamente ligadas às práticas também oferecia algo que uma pesquisa bibliográfica não alcançaria sozinha.

Essa foi uma das razões para a criação do Poranduba. Diferentemente do Popularium, estruturado em episódios roteirizados e monólogos, o novo programa privilegiava conversas.

“Eu queria trazer essas pessoas para que os ouvintes as conhecessem.”

Andriolli lembrou a entrevista com o escritor Daniel Munduruku, que admirava havia anos.

“Talvez o ouvinte já tivesse ouvido o nome dele, mas não soubesse o que pensa, o que fala e o que escreveu. Poder levar isso até as pessoas é muito importante.”

Do infantil ao monstro marombado

Outra parte da entrevista discutiu a associação entre folclore e literatura infantil. Durante décadas, o sucesso de Monteiro Lobato e da Turma do Pererê, de Ziraldo, ajudou a consolidar a impressão de que personagens brasileiros pertenciam necessariamente às crianças.

Andriolli citou o caso da escritora Simone Saueressig. Quando tentou publicar A noite da grande magia branca como fantasia, na década de 1980, ouviu dos editores que o livro deveria ser infantil porque apresentava figuras como o Boitatá.

“Para o próprio escritor, era uma imposição do mercado. Mesmo que ele não quisesse, não conseguia fazer diferente.”

Com o crescimento da fantasia brasileira nos anos 2000, muitos criadores buscaram o extremo oposto. Para provar que folclore não era infantil, transformaram os personagens em criaturas violentas, sombrias e musculosas.

“Eu não aguento mais ver Saci gigante, marombado, cheio de espinhos, foices e correntes.”

A estética inspirada em jogos como God of War teve sua importância, mas também se tornou repetitiva.

“A ideia era fazer o God of War brasileiro: criar monstros gigantescos para que o jogador pudesse destroçá-los. Teve seu lugar, mas já deu.”

Para Andriolli, a ficção folclórica precisava ampliar novamente suas possibilidades. Não era necessário escolher apenas entre um livro infantil, uma cópia de Percy Jackson e um massacre repleto de criaturas nacionais.

“Dá para criar com muito mais liberdade.”

Uma capa como homenagem coletiva

Para a capa do livro, Andriolli convidou o artista Vitor Wiedergrün. A imagem reuniu integrantes do Coletivo Folclore BR como personagens de uma aventura, entre eles Anderson Awvas, Ian Fraser, Lorena Herrero e Mikael Quites.

“Cada um trabalha à sua maneira com a divulgação folclórica.”

Lorena já havia produzido dezenas de ilustrações para os desafios anuais do Folctober. Anderson atuava como designer, comunicador e produtor. Ian desenvolvia ficções inspiradas no repertório brasileiro. Mikael, em Manaus, desenhava criaturas a partir do diálogo com indígenas e conhecedores das narrativas.

A capa adotou uma estética próxima ao cyberagreste. Andriolli aparece carregando garrafas de Sacis em uma bandoleira, imagem que despertou interpretações entre os leitores.

“Uma pessoa disse que me imaginou como o Ben 10. Para cada problema, eu tiraria um Saci diferente da garrafa.”

Embora o conto que dá título ao livro seja um drama familiar, a capa sugeria uma aventura maior. O contraste reforçou o caráter múltiplo da obra e despertou pedidos por histórias com aquele grupo de personagens.

Criar por afeto, não por obrigação

Ao final, Andriolli deixou um recado para escritores e criadores brasileiros. Trabalhar com folclore não deve ser entendido como obrigação patriótica nem como adesão a uma suposta tendência de mercado.

“Ninguém é obrigado a escrever uma história de folclore. As pessoas, sem obrigação, já fazem coisas problemáticas. Imagine se forem obrigadas.”

A escolha precisa nascer de pesquisa, interesse e vínculo com aquilo que está sendo narrado.

“Você tem que fazer por afeto e pela vontade de se conectar com esse sentimento agregador que o folclore traz.”

Essa relação pode ser nostálgica, mas não permanece presa ao passado. As histórias tradicionais também falam sobre o presente e ajudam a imaginar futuros.

“Faça porque gosta, porque quer revisitar sua família ou sua comunidade. Se essa é uma lembrança importante para você, retorne a ela e a transforme em história.”

Mais do que usar um Saci, um Boto ou uma Mula-sem-Cabeça como decoração, criar a partir do folclore significa reconhecer a familiaridade que essas narrativas carregam.

“Faça por vontade de se conectar. Faça porque quer lembrar. É nessa relação de afeto que eu acredito.”

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