
Por Andriolli Costa
Entre 1994 e 1997, a TV Cultura exibiu um dos grandes marcos da televisão infantil de todos os tempos: o Castelo Rá-Tim-Bum. Premiada série dirigida por Cao Hamburger que acompanhava as aventuras de três crianças em suas visitas a um castelo mágico, com 6 mil anos de idade, onde viviam bruxos, cientistas malucos, animais encantados e uma fauna de personagens icônicos que marcaram uma geração.
O folclore brasileiro dá as caras logo no início da série. No episódio 3 já somos apresentados à Caipora Régia, “ou simplesmente Rê” – como ela se apresenta. O apelido nunca pega, fica sendo Caipora mesmo. Vivida pela atriz Patrícia Gaspar, caipora era selvagem, gulosa, debochada e às vezes até mesmo um pouco egoísta, mas sempre voltava às boas com a turminha. A proposta inicial era que a personagem fosse um Curupira, mas a dificuldade de usar pés invertidos em cena fez com que a ideia fosse abandonada.
Para invocá-la bastava assoviar bem alto que ela imediatamente aparecia, com seu corpo todo vermelho, os cabelos arrepiados e a língua estalando palavras desconhecidas. De acordo com o catálogo da exposição do Castelo, os trejeitos de estrelas do rock como Ney Matogrosso e Tina Turner foram referências para o personagem e seu figurino
Em entrevistas de 2014, Patrícia conta que havia planos para um retorno da personagem na peça infantil “Caipora em Cracatau!” – uma referência ao seu famoso grito Cracatau! Cracatau! A peça seria escrita por Flávio de Souza, dramaturgo e co-autor do Castelo que interpretava o cientista Tíbio (da dupla com Perônio). Infelizmente, ao que parece, o projeto nunca passou da fase de captação.
Para matar as saudades, o jeito é ver uma entrevista da atriz no Canal da Penélope, onde a atriz Angela Dippe revive o papel da repórter cor de rosa que vivia na série.
Poranga e Porunga

Caipora era a contadora de histórias folclóricas para as crianças do Castelo, vividas pelos irmãos indígenas Poronga e Porunga. Tudo que se menciona é que os meninos eram indígenas Guarani e que as gravações eram em sua reserva. A informação é tão genérica que cabe desconfiança quanto a isso. Eles eram vividos por Jonatas Martin e Luan da Silva Ferreira, que não tinham falas. Foi impossível encontrar na internet qualquer referência a Jonatas, mas Luan chegou a fazer também a primeira temporada de Chiquititas e abandonou a carreira de ator pouco depois. Hoje Luan assina como Luke Ferraz e é cantor.
Admito que durante dias tive pesadelos com o conto do “Buraco Assoviador”, que atraia crianças com seus barulhos e as engolia para sua imensidão sombria. Os contos tem leve inspiração indígena, mas nenhum deles é realmente uma narrativa de algum povo em específico.
Confira abaixo todas as histórias da dupla contadas pela caipora
O Buraco Assoviador (Episódio 3)
Nessa história, os irmãos estão numa pescaria. Porunga pescava muitos e muitos peixes, enquanto Poranga não tinha sorte no feito. Com ciúmes, e como era filho de feiticeiro, assopra um feitiço no ouvido do rio: “Peixe, peixarada, vai embora! Nessa água não vai ficar nada!”. Dá certo e no outro dia Porunga nada consegue pegar. Só que isso se estende até que toda a família começa a ficar com fome e nenhum peixe aparece na água.
Os Sons da Natureza (Episódio 61 e repetida no 84)
Após se encantar com o som do vento, Poranga passa a procurar tudo na natureza que fazia barulho. Águas, pássaros, macacos… No meio da bicharada, escuta um som diferente. Era a flauta, tocada por Porunga, que misturava o som da natureza com o do coração dos curumins.
Ficar para semente (Episódio 65)
Porunga come uma fruta misteriosa e acaba se transformando em uma semente. Poranga, pensando rápido, plantou o irmão na terra fazendo de tudo até que seu irmão nascesse de novo. Assim, depois de alguns dias, Porunga nasceu de novo.
O Muiraquitã (Episódio 89)
Poranga e Porunga estavam passando muito calor. Então pediram a uma pedra mágica, Muiraquitã, para que os levassem a um lugar onde houvesse um rio. Lá brincaram a tarde toda, mas acabaram perdendo a pedra. Compadecido, o rio transforma uma pedra ordinária num muiraquitã e permite que os meninos voltem para casa. (Detalhe: a pedra cristalina nada tem de muiraquitã, que normalmente é um colar de argila feito na forma de um animal).
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faltou a primeira historia em video, a que eles estao pescando.
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essa é o buraco assoviador
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como faço para ver os videos da historias, nao estao disponiveis para mim
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Olá! Obrigado pelo aviso, agora você deve conseguir assistir.
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A conta relacionada aos vídeos continua indisponível.
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Luan da Silva Ferreira atuou depois na série “Chiquitas”,e depois no grupo musical “As Crianças Mais Queridas do Mundo”. Na época de Orkut, lembro um postagem dizendo que o apelido dele era “Pingolim Famoso”, sem dúvida uma elogia ao papel no Rá-Tim-Bum
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como faço para ver os vídeos? estão indisponíveis
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A primeira historia esta errada!
Purunga é engolido pelo buraco, e Poranga pesca um peixe e joga dentro do buraco.
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