Folclore brasileiro não é uma identidade única capaz de apagar aquilo que diferencia o país. Para o pesquisador Andriolli Costa, é justamente o contrário: um espaço comum no qual tradições regionais, familiares e comunitárias podem existir sem perder suas particularidades.
A ideia apareceu durante uma live promovida pelo Coletivo Bellacqua como parte da primeira Mostra Audiovisual de Folclore Brasileiro. Conduzida pelo produtor cultural Gabriel Leal, a conversa antecedeu a exibição de seis curtas-metragens inspirados em mitos, assombrações e narrativas populares.
O diálogo passou pelas memórias familiares que levaram Andriolli a estudar o Saci, pelas diferenças entre folclore e ficção folclórica e pelos desafios de representar tradições populares no cinema. Também abordou produções de baixo orçamento, intolerância religiosa e a abertura de espaço para essas narrativas no mercado audiovisual.
A live foi transmitida pelo Coletivo Bellacqua em agosto de 2022 como atividade de abertura da mostra, realizada com recursos do edital Cultura Inclusiva, do Governo do Estado do Rio de Janeiro. Nesta matéria, O Colecionador de Sacis recupera os principais momentos da conversa, com edição para proporcionar maior clareza e concisão.
Folclore não é sinônimo de mentira
A primeira pergunta de Gabriel parecia simples: o que se configura como folclore brasileiro? Andriolli começou a resposta alertando que tanto “folclore” quanto “brasileiro” são conceitos mais difíceis do que parecem.
A palavra folclore ainda é utilizada como sinônimo de mentira, invenção absurda ou acontecimento sem comprovação. “Você já deve ter visto alguém dizer que determinada história ‘entrou para o folclore da política’ ou memes que chamam a meritocracia de ‘meu folclore brasileiro favorito’ porque ela não existiria.”
Esse uso ignora que a existência concreta ou sobrenatural de uma personagem não determina se algo pertence ou não ao folclore.
“Folclore não tem a ver com acreditar ou desacreditar. Tem a ver com identidade e pertencimento”, explicou Andriolli. “Os estudiosos brasileiros falam, desde a década de 1960, que precisamos compreendê-lo como os modos de sentir, pensar e agir do povo.”
A definição ultrapassa os mitos e as lendas. Ela inclui alimentos, brincadeiras, festas, práticas de cura, simpatias, cantigas e conhecimentos transmitidos entre gerações.
“Folclore é a feijoada de domingo, o chá de quebra-pedra para uma dor nos rins e, claro, as histórias que adoramos contar.”
Uma folha para tirar o ar da carne
As práticas populares de cura apareceram na conversa a partir das experiências familiares dos dois participantes. Gabriel contou que, sempre que apresentava alguma alergia, sua mãe preparava uma mistura com alho, gengibre e outros ingredientes.
“Ela virava uma criadora de poções mágicas. Fazia um negócio doido, mas porreta de verdade. Eu tomava e melhorava.”
Andriolli recordou a tradição do “ar na carne”, expressão utilizada para descrever uma fisgada ou uma dor localizada. Uma das maneiras de retirar esse ar é colocar uma folha sobre o ponto dolorido.
“A folha puxa o ar que entrou na carne. Pense na poética popular envolvida nisso: a planta possui uma potência capaz de retirar aquilo que está preso dentro do corpo.”
A prática pode ser entendida como uma forma de medicina popular, mas também se aproxima das simpatias. “É uma maneira de organizar a dor e o cuidado a partir dos conhecimentos disponíveis dentro da comunidade.”
O Brasil como guarda-chuva
A segunda dificuldade da pergunta estava na palavra “brasileiro”. Uma manifestação pode ocorrer em apenas uma cidade ou região e, ainda assim, ser apresentada como parte do folclore do país.
Quem vive em outro estado talvez nunca tenha ouvido falar daquela prática. Isso não a torna menos brasileira.
“Eu acho que podemos pensar o Brasil como um guarda-chuva, e não como um rolo compressor”, propôs Andriolli.
O rolo compressor produziria uma identidade nacional única, atropelando as diferenças locais. O guarda-chuva, por outro lado, permitiria reunir tradições distintas sem obrigá-las a abandonar suas características.
“Não é uma identidade que vai passar por cima de tudo e transformar o país em uma coisa só. É um guarda-chuva sob o qual conseguimos nos sentir parte de várias tradições regionais.”
Para o pesquisador, a identidade brasileira precisa ser conjugada no plural. “Brasil é sempre plural, nunca singular.”
Um Saci que acompanha a família há gerações
O interesse de Andriolli pelo folclore começou na infância, embora ele ainda não utilizasse essa palavra. Durante as férias escolares, passava longos períodos na chácara dos avós, na zona rural de Mato Grosso do Sul.
“Quem chama essas coisas de folclore é o estudioso. Eu só fui usar esse nome quando entrei na universidade e decidi pesquisar aquilo.”
Na casa dos avós, as histórias faziam parte da rotina. Foi ali que aprendeu sobre o ar na carne, as aventuras de Pedro Malasartes e os encontros de sua família com o Saci.
“O Saci acompanha minha família há gerações. Consegui chegar a histórias contadas desde a minha tataravó.”
Durante as viagens, o pai apontava lugares nos quais dizia ter sido perseguido pelo personagem. Em um deles, teria largado a bicicleta e corrido para escapar.
“Meu pai nunca contou aquilo para entreter uma criança. Ele falava porque havia vivenciado aquela experiência e tinha muito respeito por ela.”
A diferença tornou-se mais clara conforme Andriolli crescia. Não se tratava de um adulto fingindo acreditar para divertir o filho.
“Até hoje, quando alguém diz que é mentira, ele responde: ‘Que mentira? Eu ouvi o assobio’. Isso continua muito vivo e muito forte.”
O que é uma ficção folclórica?
Como a live abria uma mostra de cinema, Gabriel perguntou como as manifestações populares podem ser transformadas em obras audiovisuais. Andriolli propôs uma distinção entre folclore e ficção folclórica.
“O folclore é uma grande árvore. Suas raízes são nossas identidades, sempre no plural. Existem o galho dos mitos, o dos pratos típicos, o das simpatias e o dos benzimentos.”
As obras de arte seriam frutos colhidos nessa árvore. Elas se alimentam das tradições, mas não se confundem com elas.
“Quando fazemos um filme, um livro ou uma ilustração, não estamos fazendo folclore. Estamos fazendo arte inspirada no folclore.”
A distinção impede que uma interpretação artística seja tratada como representação definitiva de uma narrativa popular. Um desenho de Saci mostra apenas a visão de determinado artista.
“Às vezes, apresento uma ilustração e alguém pergunta: ‘Então o Saci é assim?’. Não. Aquilo é uma interpretação. Existem inúmeros Sacis. Para cada história de Saci, existe um Saci diferente.”
A ficção folclórica cria novos sentidos narrativos a partir dessas experiências. Ela pode combinar, deslocar e reinventar elementos, desde que reconheça a tradição com a qual está dialogando.
Quando as câmeras chegaram às mãos das comunidades
O crescimento da ficção folclórica também está relacionado ao barateamento das tecnologias de produção. Fazer um curta-metragem já exigiu equipamentos inacessíveis para grande parte da população.
Com celulares capazes de gravar imagens de boa qualidade, mais pessoas passaram a registrar histórias próximas de suas próprias experiências.
“Você olha para uma câmera que ficou mais barata e pensa: ‘Posso contar uma história que ainda não foi contada. Qual delas mexe comigo e com a minha comunidade?’”
Muitas vezes, a resposta está nas narrativas populares. Elas permanecem próximas, mas se tornam invisíveis por não receberem espaço nos grandes meios de comunicação.
“A tradição está tão perto da gente e, ao mesmo tempo, aparece tão pouco nas grandes produções.”
A proposta da Mostra Audiovisual de Folclore Brasileiro dialogava diretamente com esse cenário. O evento reuniu gratuitamente seis curtas, com filmes legendados e debate acompanhado por intérpretes de Libras.
Entre os selecionados estavam Como Levar Meu Avô para o Céu, Beto, Assombramentos, Nossa Terra, Labaredas sem Rédeas e Rádio Mortalha. O primeiro acompanha uma menina cujo avô pede que ela encontre um Saci capaz de transformá-lo em estrela ou passarinho. O filme foi dirigido por Thairo Meneghetti e Wanderson Lana. Festival de Inverno de Chapada dos Guimarães
O público ainda confunde ficção e registro
Ao comparar o audiovisual brasileiro com produções estrangeiras, Andriolli citou os animes japoneses. Nessas narrativas, referências ao imaginário tradicional aparecem com tanta frequência que os autores podem transformá-las livremente.
“Eles se dão ao luxo de usar apenas um nome ou uma referência e fazer uma reconstrução completa. O público sabe que aquilo é uma criação artística, e não o mito propriamente dito.”
No Brasil, a menor familiaridade com as próprias narrativas produz outro tipo de cobrança. Parte do público espera que filmes e séries sejam fiéis a um suposto original.
“A gente ainda está tateando. Como desconhecemos muito essas histórias, confundimos ficção com registro folclórico.”
A solução não é limitar a liberdade dos artistas, mas ampliar a quantidade de obras. Quanto mais versões circularem, mais fácil será compreender que nenhuma delas esgota o mito.
“Esse problema só é resolvido com mais produção. Quanto mais fizermos, mais as pessoas entenderão que não existe ‘o folclore’ como uma versão única. Existem criações inspiradas nele, que podem distorcer, recriar e repensar as histórias.”
Enquanto esse repertório não se amplia, Andriolli recomenda preservar alguns elementos reconhecíveis. “Ainda precisamos apresentar o bê-á-bá para que o público consiga identificar aquilo que está vendo.”
Não existe um Saci original
Uma comparação feita durante a live ajudou a explicar o problema. Ninguém costuma perguntar se determinado dragão é fiel ao “dragão original”, porque o público reconhece que há muitas representações possíveis.
Com o Saci, entretanto, a busca por uma versão definitiva continua frequente.
“O que seria um Saci original? Não existe. Talvez possamos falar em Sacis legítimos.”
A legitimidade não depende de uma obra considerada oficial, mas da relação entre a narrativa e a comunidade que a mantém.
“Se uma comunidade acredita naquele Saci, conta suas histórias e vivencia o mito com força, ele é legítimo. É verdadeiro dentro daquela experiência.”
Isso não significa que qualquer representação seja automaticamente respeitosa. O artista precisa compreender que está dialogando com um conjunto de memórias compartilhadas.
“As palavras-chave são respeito e afeto”
Ao ser questionado sobre o que uma pessoa precisa considerar antes de escrever uma ficção folclórica, Andriolli respondeu com duas palavras: respeito e afeto.
“Se alguém quer fazer isso apenas porque está na moda ou porque acha que uma plataforma vai comprar sua ideia, provavelmente produzirá algo desrespeitoso.”
Um dos riscos é partir do pressuposto de que o folclore precisa ser melhorado. Essa postura trata as narrativas populares como materiais incompletos que aguardam a chegada de um criador capaz de lhes dar valor.
“Já vi muita gente dizer: ‘Vou melhorar o folclore’. Se você entra com esse pensamento, fica fechado para entender a riqueza da tradição oral.”
Aquilo que parece simples pode guardar relações complexas com o território, a ancestralidade e a vida coletiva. “Existem mensagens muito potentes que só aparecem para quem está disposto a ouvir.”
Andriolli também definiu a criação como um trabalho feito em coautoria. O escritor ou cineasta não inventa sozinho os elementos que utiliza.
“A gente sempre escreve em coautoria. O outro autor é o povo com quem ouvimos essas histórias.”
O afeto surge do reconhecimento. Uma simpatia, uma cantiga ou uma frase esquecida pode reaparecer em uma obra e despertar no público uma memória da infância.
“Essas narrativas calam tão forte no nosso coração porque não pertencem apenas ao artista. Elas já passaram por nossas famílias e comunidades.”
Uma verruga criada pela saudade
Para mostrar como uma tradição conhecida pode ganhar novo sentido, Andriolli contou uma experiência de leitura de Macunaíma, de Mário de Andrade.
Muitas crianças ouvem que apontar para uma estrela faz nascer uma verruga no dedo. O pesquisador conhecia a história desde a infância, mas havia se esquecido dela.
Em Macunaíma, a mulher amada pelo protagonista morre e se transforma em estrela. Tomado pela saudade, ele passa vários dias apontando para o lugar onde acredita estar a alma dela.
“Depois de uma semana, o dedo está cheio de verrugas. Achei aquilo muito bonito. É um uso que eu nunca havia visto para uma coisa que minha mãe e minha avó contavam.”
A passagem preserva a tradição, mas transforma seu significado. A verruga deixa de ser apenas uma punição para quem aponta estrelas e se torna uma marca física do luto.
“É muito interessante quando pegamos uma tradição de surpresa e a colocamos na literatura de um jeito capaz de também surpreender o leitor.”
Como filmar uma assombração sem dinheiro?
Uma das perguntas enviadas pelo público tratou das produções que não possuem os recursos de séries como Cidade Invisível. Como representar criaturas e encantados sem orçamento para efeitos visuais?
Andriolli sugeriu aquilo que chamou de “jeito Spielberg”, em referência ao filme Tubarão.
“Quando não temos dinheiro, podemos mostrar muito pouco. O que fica subentendido pode funcionar melhor do que colocar o monstro em cena o tempo inteiro.”
Em vez de exibir uma criatura precária, o realizador pode trabalhar com sons, sombras, rastros e reações dos personagens. A limitação financeira passa a orientar uma escolha estética.
Outro caminho é abandonar as mesmas figuras sempre repetidas. “Parece que as pessoas conhecem os cinco Power Rangers do folclore: Saci, Mula sem Cabeça, Curupira, Lobisomem e Iara.”
Ao pesquisar narrativas locais, o cineasta pode encontrar personagens ainda pouco explorados. Além de ampliar o repertório, isso aproxima o filme de experiências que o próprio realizador conhece.
“Procure histórias que só você pode contar porque circula naquele espaço e conhece aquelas narrativas como ninguém.”
O assobio que não era do pai
Questionado sobre experiências sobrenaturais, Andriolli recordou uma história ouvida depois de uma contação em Mato Grosso do Sul.
Durante a atividade, ele reproduziu o assobio atribuído ao Saci. Uma mulher deixou imediatamente o espaço e retornou no final para explicar sua reação.
Quando era criança, o pai trabalhava até tarde. Ao chegar em casa, assobiava para avisar que havia voltado. Se a filha ainda estivesse acordada, respondia e recebia um beijo de boa-noite.
“Certa madrugada, ela ouviu o assobio e respondeu. Só que não era o pai.”
Depois disso, a menina começou a ouvir um som fino e contínuo dentro do ouvido. O zumbido permaneceu durante vários dias e impedia que ela dormisse.
“Ela foi ao médico, mas ninguém encontrou nada. Ficou uma semana ouvindo aquele assobio.”
A família procurou então um benzedor. Segundo ele, a menina havia respondido ao Saci, que interpretou o gesto como uma provocação.
“Foi preciso realizar um trabalho de benzimento para que ele a libertasse. Ela saiu da sala porque o assobio que fiz trouxe toda aquela experiência de volta.”
O folclore é para todos
Ao perguntar para quem é o folclore brasileiro, Gabriel recebeu uma resposta direta: “Para todo mundo”.
Andriolli contestou a ideia de que “povo” representa apenas os pobres, os moradores do interior ou algum grupo distante das grandes cidades.
“Povo é sempre o outro. É quem está na fazenda, no interior ou longe de nós. Mas o folclore está lá e está aqui também.”
Sempre que uma família transmite um conhecimento sem depender de livros, universidades ou instituições formais, existe uma tradição em circulação.
“Todos vivemos o folclore. Todos temos algum tipo de experiência folclórica.”
O desafio é ultrapassar a representação escolar limitada à pintura de personagens em agosto. A criança pode ser convidada a observar a própria casa.
“Qual é a planta utilizada para proteger sua família? Que cantiga alguém cantava para você dormir? Qual parlenda aparece quando se pula corda?”
Há também práticas que atravessam grupos urbanos e diferentes classes sociais. Jogar o buquê em um casamento, por exemplo, não possui fundamento científico, mas permanece significativo dentro da tradição.
“Quando viramos essa chave, percebemos o quanto o folclore faz parte da nossa vida.”
Quando o Boitatá provoca uma crise de pânico
A presença do folclore nas escolas também levou a conversa a um episódio doloroso. Antes de uma contação de histórias, uma professora pediu que Andriolli evitasse referências ao diabo porque havia um aluno de uma família muito religiosa.
O pedido foi respeitado. Durante grande parte da atividade, o menino caminhou pela sala, participou e demonstrou entusiasmo.
“Ele era muito agitado, quase um Saci. Estava se divertindo com as histórias.”
O comportamento mudou quando Andriolli apresentou o Boitatá como uma serpente de fogo. O menino levantou, levou as mãos ao pescoço e começou a hiperventilar.
“Acredito que a associação entre serpente, fogo e demônio tenha funcionado como gatilho. A professora o levou para beber água, e ele não voltou.”
Para o pesquisador, o sofrimento não veio da história em si. A criança havia demonstrado interesse até aquele momento, mas carregava uma pressão religiosa construída pelos adultos.
“Ele sofreu fisicamente por causa de uma coisa colocada em sua cabeça. A intolerância religiosa também se transforma em intolerância cultural.”
Em outra cidade, uma secretária de Cultura relatou que escolas confessionais arrancavam de livros didáticos as páginas dedicadas ao folclore antes de entregá-los aos estudantes.
“Não era apenas uma história sobre uma serpente de fogo. Arrancavam até páginas sobre o Boi-Bumbá. Tudo aquilo que vinha do povo e escapava àquela lógica precisava desaparecer.”
Andriolli ressaltou que religião e folclore não são campos opostos. As tradições populares também contam histórias sobre Deus, Jesus, santos e personagens bíblicos.
“Quando aquilo que a igreja ensina encontra aquilo que sua família conta, temos o folclore religioso. A linha é muito tênue porque uma coisa está atravessada pela outra.”
Cidade Invisível abriu portas, mas não inaugurou o caminho
No fim da conversa, um participante perguntou se o sucesso de Cidade Invisível, da Netflix, poderia ampliar a presença do folclore no audiovisual brasileiro.
Andriolli avaliou que a série ajudou a mostrar ao mercado que existia público para essas histórias. A existência de diferentes plataformas também permitiria que o interesse se espalhasse.
“Se houvesse apenas uma empresa, ela poderia dizer: ‘Já temos nossa série sobre folclore e não precisamos de outra’. Com a concorrência, GloboPlay, Amazon e outras plataformas começam a procurar suas próprias produções.”
Ele fez, porém, uma ressalva. Cidade Invisível não foi pioneira na ficção audiovisual inspirada no folclore.
“Já existiam realizadores independentes e livros trabalhando com essas ideias. O mérito da série foi estar dentro de uma grande empresa e puxar esse carro para o mercado.”
A maior visibilidade poderia levar outros projetos a reboque. Para isso, seria necessário reconhecer o trabalho de quem já produzia fora das grandes plataformas.
Seguindo o assobio
No encerramento, Gabriel perguntou qual era o personagem preferido de Andriolli. A resposta não poderia ser outra.
“É o Saci. Foi o Saci contado pelo meu pai e pela minha avó que me chamou para esse mundo.”
A imagem escolhida para explicar essa trajetória também veio do personagem. Se Alice seguiu o Coelho Branco, Andriolli seguiu um assobio.
“Eu fui seguindo o assobio do Saci. Ainda não cheguei onde ele está, mas estou chegando cada vez mais perto de onde quer me levar.”