Produzido em homenagem ao Dia do Saci, celebrado em 31 de outubro, o episódio 94 do Poranduba reúne causos enviados por leitores e ouvintes do Colecionador de Sacis. Publicado no site em 1º de novembro de 2020, o programa traz histórias de sacis que roubam batatas, bagunçam salas de aula, trançam crinas de cavalos e perseguem quem assovia fora de hora. Entre os relatos, comento os elementos que se repetem nas narrativas e as diferentes tradições que participam da construção desse personagem.
A transcrição a seguir acompanha essa conversa, feita de memórias de infância, histórias de família e encontros com o encantamento no cotidiano. Gravado durante a pandemia de Covid-19, o episódio também fala da saudade de ouvir os mais velhos de perto e de como as mensagens de voz ajudaram a manter essas histórias em circulação.

Uma chamada para contar histórias
[Vinheta do Poranduba.]
Andriolli Costa: Bem-vindos à nossa Poranduba, o podcast sobre as histórias fantásticas do folclore brasileiro. Eu sou Andriolli Costa, o Colecionador de Sacis, e serei seu guia.
E no programa de hoje nós vamos ter um episódio mais do que especial, dedicado ao 31 de outubro, o Dia do Saci. E, pra celebrar essa data, desde setembro eu fiz uma chamada nas redes sociais pedindo pras pessoas enviarem pra mim histórias que elas ouviram ou vivenciaram envolvendo o nosso querido duende brasileiro.
Teve gente falando que era a versão em áudio do inquérito sobre o saci feito pelo Lobato. Eu não tenho essa pretensão toda, mas com certeza nós vamos ter aqui um maravilhoso repositório de histórias enviadas do Brasil inteiro, pra gente saber o que o saci anda aprontando por aí.
Então, nesse episódio, eu vou alternar entre áudios que me mandaram pelo WhatsApp, né, e eu dei aquela editada pra ficar um pouco mais dinâmico, e histórias que eu recebi por e-mail ou pelo Facebook. Beleza?
De início, eu já agradeço todo mundo que participou, todo mundo que mandou suas histórias, inclusive sobre outros mitos que não saci. Vocês podem ter certeza que vão haver outros programas com esse formato por aqui.
Já deixa anotado aí na agenda: no ano que vem vamos ter um episódio só sobre histórias de lobisomem. Recebi um monte, tenho certeza que vou receber ainda mais, então já deixa aí na agenda. Os outros, logo, logo a gente vê circulando também. Então vamos pro programa, que começa agora.
[Inserção musical de “10 Sacizinhos”, na voz de Fortuna, a partir do livro de Tatiana Belinky.]
As histórias dos meus avós
Andriolli Costa: Bom, quem me acompanha aqui faz tempo sabe que as primeiras histórias de saci que eu escutei foram lá na chácara dos meus avós, em Terenos, no Mato Grosso do Sul. Chácara do vô Oliveira e da vó Marlene.
Com o vô Oliveira eu já tive o prazer de gravar um episódio de Poranduba, o Poranduba número 15, se eu não me engano. Dá uma conferida lá. Foi muito especial, muito emocionante pra mim. E foi um ano antes de o vô falecer, né? Então foi o momento certo mesmo de ter essa conversa e ouvir as histórias dele, especialmente as histórias dele sobre saci.
Com a vó Marlene eu queria muito ter feito esse ano. Não consegui por conta da pandemia, distanciamento social, né? Estou há alguns meses sem ver a minha avó, com muita saudade, mas falando com ela pelo WhatsApp.
Então é interessante como pelo menos essas tecnologias conseguiram nos aproximar de alguma maneira. Mas, claro, nunca é a mesma coisa que tá ali sentado na frente dela, escutando as histórias e podendo abraçar, podendo curtir esse momento.
Mas foi graças à tecnologia que a gente conseguiu também recolher muitas dessas histórias que recebeu, que de outra maneira não teria sido possível, né? E uma dessas histórias que eu fiquei extremamente feliz de receber no WhatsApp foi enviada por Miguel Soares de Faria [1], um senhorzinho de 70 anos de idade lá de São José dos Campos, interior de São Paulo.
O áudio do Miguel chega até nós por intermédio do nosso querido Maycon Torres, padrinho aqui do podcast, e conta essa história maravilhosa do saci comedor de batata. Vamos ver como é que é isso?
O saci comedor de batatas
Miguel Soares de Faria: Então, a minha avó ficava na roça, né? Era casa de chão, terra batida. E à noite, na época do frio, as pessoas não tinham agasalho suficiente, né? Então eles faziam uma fogueira no meio da cozinha, da casa, e aí ficavam contando história, e minha avó rezava o terço.
Aí pegava e colocava batata naquela brasa pra assar, pra tomar com o café de manhã cedo. E chegava de manhã e não tinha nenhuma batata assada lá. Aí um dia ela falou assim: “Não, hoje eu vou ficar. Eu quero ver o que tá acontecendo”.
Aí, quando foi meia-noite, mais ou menos, mais fora de hora da noite, diz que chegou e esparramou tudo e foi tentar pegar aquela batata assada ali. Ela pegou, aproveitou que ele tinha [trecho não recuperável], fez uma laçada e jogou. Laçou o bichinho: era o saci.
Laçou ele. Aí ele não queria colocar a mão no terço, né? Então ele falava pra ela: “Tira isso de mim, tira isso de mim, tira isso de mim”. Aí ela pegou e tirou. Nunca mais o sacizinho voltou pra mexer nas batatas assadas lá.
Andriolli Costa: Essa história é muito bacana, e eu quis começar com ela porque já tem esse elemento muito especial, que é o da captura, do objeto usado pra prender o saci e controlar a bagunça que ele causa.
Normalmente a gente fala de uma peneira, né? Peneira de cruzeta, especialmente pelo uso literário, lá no Sítio do Picapau Amarelo. Mas, antes mesmo de o Sítio ser publicado, o Lobato já tinha um livro, que é O Saci-Pererê: resultado de um inquérito, de 1918, que sai três anos antes de O Saci, o segundo livro da série do Picapau.
E no inquérito a maioria das histórias que falam sobre prender um saci usam um rosário, e não a peneira. O que o seu Miguel explica pra gente, né? Que o rosário, diferente do terço, é um objeto muito maior. Incorpora vários terços ali, por assim dizer. Então ele é comprido, pode ser usado pra laçar o saci. Ou tem gente que joga o rosário assim, como se fosse a peneira mesmo.
Tem gente, inclusive, nessas narrativas clássicas de saci, que, quando não tem o rosário em mãos, faz um usando folhas, usando capim, especialmente. Arranca aquele capim, sabe aquele capim que você coloca assim pra morder, mascar a pontinha? Arranca vários e trança aquilo na forma de um rosário, que seja grande o suficiente pra você lançar sobre o redemoinho ou sobre aquele saci que tá se manifestando, e assim consegue prendê-lo.
Isso é muito legal, especialmente porque o saci não fica preso nessas histórias. Ele é preso e solto. Você não quer torturar o saci, fazer o saci ser seu escravo, castigar ele. Você quer falar: “Olha, saci, tá bom, né? Já deu. Já aprontou bastante aqui. Agora chega”. E isso é muito desse respeito que a gente tem para com o mito.
[Vinheta do Poranduba.]
Seu João Donato e o pedido de fumo
Andriolli Costa: Agora eu vou ler uma história pra vocês. Essa aqui foi enviada pela Iara, lá de Minas Gerais.
Andriolli Costa, lendo o relato de Iara Xavier: Esse causo se passou na Zona da Mata mineira, lá pelos anos 50 ou 60, quando o rádio, o terço e o carteado eram as grandes diversões do interior. Eu nem era nascida. Ouvi de uma vizinha, filha de um senhor que o saci perseguiu.
Bom, isso aconteceu na zona rural de um vilarejo, com o senhor João Donato. João tinha ido jogar carteado na casa de algum amigo, em um sítio ou fazenda das redondezas. Como era noite de lua cheia, não tinha problema voltar pra casa tarde. E, quando eu digo tarde, é tarde mesmo: depois das 22 horas, horas mortas, como diziam os antigos.
A mulher dele lhe avisou pra não ir, mas, se fosse, voltasse cedo, que ela ia dormir e ia deixar a comida no fogão pra quando ele chegasse. Não ia ficar esperando, não. E ainda avisou: “Olha, tem assombração nas estradas de dia, que dirá de noite”.
Pois bem, truco pra lá, truco pra cá, as horas se passaram. Deu um horário em que o sono chegou ou o dinheiro acabou. E cada um foi pro seu canto. Seu João Donato pegou a bicicletinha e foi-se pedalando pra casa.
Numa curva apareceu um menino preto, fumando e rindo, assobiando e gritando: “Me dá fumo! Me dá fumo!”.
“Cara, não tenho fumo, não. Vade-retro!”
Seu João aumentou as pedaladas, mas foi pior. O menino desandou a correr atrás dele, gritando: “Me dá fumo! Saci sapereira! Me dá fumo!”. Seu João olhava pra trás, pedalava, suava, mas não vencia o diacho do menino.
Numa hora o guri pulou na garupa e começou a gritar no ouvido dele, e arranhava-lhe a cara e os braços. Seu João caiu da bicicleta e a deixou na estrada. Foi correndo pra casa, dizendo que não tinha fumo, não tinha fumo, não tinha fumo.
O homem corria, se benzia e rezava o Credo e a Salve-Rainha, e nem assim vencia o saci. Não tinha nem um corgo pra ele pular e cortar os poderes do danado.
Corre que corre, chegou em casa, conseguiu entrar e trancar a porta. Como era de costume em Minas Gerais, as casas tinham uma cruz de madeira enfeitada com papel de seda colorido na parede perto da porta, à direita de quem entra.
A cruz livra dos males, mas não tem cruz no telhado e nem na porta da cozinha. Cansado e com fome, ele foi comer o chouriço que a mulher tinha deixado pra ele no fogão de lenha. Nessa hora a porta da cozinha começou a tremer, mas o saci não conseguiu entrar. Depois de uns assovios e de uns “Saci sapereira!”, fez-se o silêncio.
Achando que estava em paz, o homem foi terminar o prato e pitar um cigarro de palha. Pra quê? De repente um braço passa pela chaminé e uma mão se estica lá de dentro. Ele só ouve: “Me dá fumo!”.
Foi chouriço pra um lado, feijão pro outro. Cadê cigarro? Cadê fumo? Cadê seu João? Seu João, homem calado e valente, caboclo das matas mineiras, dormiu no canto da esposa, de cabeça coberta e rezando o terço. Ele, que nem ia muito à missa.
No outro dia ele acordou com a cara arranhada, as mãos machucadas e sem bicicleta. Contou pra esposa o que sucedera. Ela só disse: “Bem feito. Ainda bem que não é Quaresma. Podia ser pior”.
Seu João mandou um dos meninos buscar a bicicleta na estrada e nunca mais voltou tarde do carteado. Carta, só sábado de tardezinha.
Houve quem dissesse que era tudo mentira, que ele havia brigado com alguma mulher, por isso os arranhões. Outros diziam que era efeito da pinga. Mas seu João jurava que viu um saci na estrada, numa curva depois de uma moita de bambu amarelo, em Jurumin, Minas Gerais [2].
A cruz e a água corrente
Andriolli Costa: Que história maravilhosa, Iara. Muito obrigado. Essa história nos dá muito pano pra manga, vocês viram, né? Dar um fumo pro saci é um elemento clássico dessas histórias, que vai fazer a diferença entre o duende ser o seu aliado ou ser o seu algoz.
Então não tem quem ande nas matas e não carregue ali um punhadinho de fumo de rolo pra ofertar pro saci, pro caipora e pra tantos outros que assim o peçam. É questão de gentileza. Você está passando ali na terra dele, é de bom tom fazer esse agrado.
Tem outros dois elementos superlegais aí, que são aquilo que impede a passagem do saci. Um é a cruz. É por isso que você risca uma cruz na rolha da garrafa, por isso que o rosário pode prendê-lo, por isso que porteiras que têm ali as madeiras atravessadas formando uma cruz também impedem que o saci cruze a porteira de um lado pro outro. E, no caso, a cruzinha que fica atrás da porta. Gostei muito desse elemento.
E o último é o da água corrente. Água corrente é um clássico, né? Tem muita narrativa sobre a assombração que monta ali na garupa do cavaleiro e vai acompanhando, assustando, no caso aí do saci, arranhando, inclusive, até que ele cruze um corguinho, cruze um riachinho, e com isso a assombração fique pra trás. Água corrente é esse elemento de proteção muito famoso.
Um saci na escola de Giulia Drummond
Andriolli Costa: Essa mensagem que eu recebi foi muito especial pra mim. Foi enviada pela queridíssima Giulia Drummond. Giulia Drummond é artista, compositora da música “Tapera naevia (O canto do saci)”, que eu usei na trilha do meu documentário Raízes: um filme sobre colecionar sacis.
A Giulia foi muito, muito gentil em negociar comigo o uso da trilha e passou a acompanhar as coisas que eu falo, as coisas que eu faço. Foi uma relação muito gostosa, que começou com algo tão especial pra mim quanto o documentário. E a Giulia escreveu o seguinte.
Andriolli Costa, lendo o relato de Giulia Drummond: Querido Andriolli, quero te mandar a minha história de saci. Talvez pareça boba, mas nunca esqueci.
Aconteceu na escola, quando eu tinha cinco ou seis anos de idade. Estávamos justamente aprendendo sobre o saci. Daí já poderemos desconfiar que as professoras tenham manipulado as coisas pra criar essa história, mas algumas partes pra mim não se explicam assim.
Então, aprendendo sobre o saci, saímos pro recreio. No intervalo, eu lembro de sentir cheiro de cachimbo e vimos o que parecia um gorro vermelho no alto da mangueira mais alta do pátio. Ela era muito, muito alta. Não teria como alguém ter subido lá em cima pra deixar o gorro.
Quando voltamos pra sala, ela estava toda vandalizada. Passos de um pé descalço enlameado pela sala toda. Os trabalhos que estavam no mural, todos arrancados, rasgados, jogados pelo chão. Enfim, é isso. Senti de contar, pois é uma lembrança especial pra mim. Forte abraço.
Andriolli Costa: Giulia, eu não imagino professor nenhum fazendo isso, né? Que coisa maravilhosa. Se você, professor da Giulia Drummond, já foi tão longe assim pra trabalhar o encantamento com os seus alunos, meus parabéns. Vandalizar uma sala de aula, isso aí só saci mesmo pra explicar.
Um redemoinho na obra de Eduardo Lourenço
Andriolli Costa: Eduardo Lourenço, contador de histórias, nos envia essa narrativa. Ele mandou duas: uma é de um livro que ele está escrevendo, ele falou que em breve deve estar saindo por aí, então anote o nome dele; e outra se passou com ele. E, claro, eu preferi trazer aqui pra vocês essa narrativa que aconteceu com o nosso querido Eduardo. Olha só.
Eduardo Lourenço: A minha história é a seguinte: eu, durante muito tempo, até o início dos anos 2000, trabalhei em obras, né? Trabalhei com construção. Tenho formação de engenheiro.
E um dia eu tava numa chácara na cidade de Taubaté. Tinha um lajão que foi feito assim no chão, tinha um concreto fresquinho, parecendo uma quadra, mas onde iam se erguer uns pilares pro sobrado da casa. Esse lugar ia ser garagem.
Então estavam se fazendo as formas pra concretagem, as formas de madeira. A ferragem já tava no lugar, e a gente tava trabalhando com serra. Cortando os madeirites, fez aquela muita serragem pelo chão, porque eram muitas formas, muita serragem.
E eu conversando com o Jaburu, que era o encarregado da obrinha. Tinha ele, mais dois pedreiros e dois filhos que ajudavam como ajudantes gerais lá da obra. Eu conversando com o Jaburu, de repente deu aquele rodopio, viu? E eu vi que as folhas de goiabeira e de amora que tinham perto fizeram aquele rodopio. Vieram, e aí eu percebi o tubo.
Quando aquele tubo de redemoinho passou pela serragem, subiu toda aquela serragem e desenhou. O tubo ficou desenhado, o formato dele. E ele veio, passou no meio. Quando ele passou por lá, eu falei: “Gente, olha o saci!”.
E ele passou no meio, foi andando pelo gramado, e a gente vendo o desenho por conta das folhas e por conta da serragem que subiu até uma altura de mais ou menos uns quatro, cinco metros. Subiu aquele tubo de redemoinho e ele foi. Passou na beirada do lago e, quando chegou no muro de divisa, que ia pra um riacho que passava do outro lado, puf! Caiu aquela serragem, aquelas folhas.
Ficou todo mundo assustado, com o olho arregalado. E eu comentei com o Jaburu: “Um saci, meu! A gente teve oportunidade de ver o saci passar aqui no nosso meio”.
Aí o filho dele, que era mais novo, falou assim pra mim: “Ah, Edu, mas saci? Vocês acreditam nisso? Que história é essa?”.
Falei: “É lógico! Você nunca ouviu falar que é assim que funciona?”.
Aí eu olhei pro alto, aquele azul, sol forte, aquele azul do céu. Eu olhei uma coisa branca lá em cima. E aí eu percebi que aquilo era uma sacolinha de plástico voando, mas muito do alto. Olhei pra ele: “O que é aquilo lá no alto?”.
O menino falou: “Ah, acho que é uma sacolinha de plástico”.
Eu falei: “Lá é lugar de sacolinha de plástico?”. Ele falou: “Não”.
“Então é saci, bicho! Foi o saci que passou por aqui.”
Andriolli Costa: Muito bem, Eduardo. Você sabe o que é isso? Eu costumo dizer que isso são os olhos treinados, né? Olhos treinados pra ver o encantamento. Porque quem não tem o olhar preparado vai ver só uma sacola de mercado. Mas quem sabe enxergar tem a certeza absoluta de que ali era só um rastro do saci que passou.
Quer ter o olho treinado também, pronto pra enxergar a magia do cotidiano? Continua ouvindo nosso programa. Esse é um ótimo jeito de te introduzir ao encanto do folclore brasileiro.
A luz na mata: o relato de Leo Lanna
Andriolli Costa: Quero deixar aqui também um abraço pro Leo Lanna. O Leo é biólogo, trabalha na Mata Atlântica e na Amazônia, e à noite sai em busca de louva-a-deus, o animal que ele pesquisa.
Ele manda uma história que, resumindo pra vocês, diz sobre uma experiência que ele teve vendo uma chama que se acendia e apagava no meio da noite, como se fosse alguém fumando. Aí ele se aproximou vagarosamente e viu que era um vagalume.
Ele nunca tinha visto um vagalume com um brilho tão laranja assim, né? E ficou encucadíssimo com aquilo, imaginando se não tinha a ver.
Eu respondi pra ele agradecendo a história e contando que nos primeiros relatos de saci se falava muito que ele tinha os olhos vermelhos. E às vezes os olhos vermelhos eram descritos como olhos de fogo. Então essas luzes aí com certeza inspiraram muita coisa.
Não duvido que isso tenha acontecido. Mas é aquele negócio: se você tem olhos preparados, vai saber o que é saci, o que é vagalume e o que é outra coisa.
Quem trança a crina dos cavalos?
Luciana do Roccio Mallon: A minha avó Lena morava no sítio e, de repente, os cavalos começaram a aparecer com trança. Ela dizia: “Ah, é saci”. Uma outra tia minha dizia: “É morcego, que o morcego gosta de fazer trança no cavalo de noite”.
E daí elas fizeram uma festa que foi até a madrugada. Quando deu meia-noite, resolveram ir pros estábulos. E as duas viram um saci e um morcego fazendo tranças nos cavalos. Quando os dois as viram, saíram correndo: o saci pulando e o morcego voando. Essa é a minha história.
Andriolli Costa: Essa história que nós ouvimos agora foi da Luciana do Roccio Mallon, lá de Curitiba, no Paraná. A Luciana é escritora, tem um trabalho também recolhendo lendas da cidade, então recomendo que vocês deem uma olhada no que ela faz.
E eu selecionei essa história porque gostei demais dessa dualidade, né? O morcego, o saci: quem é que dá nó, afinal, na crina dos cavalos? Quem é que atazana os animais? Dependendo da região, nós vamos encontrar um culpado diferente.
Em Santa Catarina, por exemplo, eu já ouvi muitas histórias dizendo que são as bruxas. Se você encontra ali o nozinho na crina do cavalo, pode ter certeza que em Santa Catarina quem fez foi uma bruxa.
Aqui no interior do Rio Grande do Sul, especialmente nas regiões de colonização italiana, quem dá nó é o sanguanel. O sanguanel é um duende muito parecido com o saci também, com um gorro vermelho. Às vezes dizem que ele é todo vermelho, inclusive. Dá nó na crina dos cavalos e toma o seu sangue.
E no Nordeste, lá em Pernambuco, já me falaram que quem dá os nós é a comadre Fulozinha. E na sua região, quem é o responsável pelo nó nas crinas do cavalo? Comenta aqui embaixo pra gente, me manda a sua história também. Às vezes pode ser um morcego com a ajuda de um encantado, né? Nunca se sabe.
A menina que desapareceu debaixo da cama
Andriolli Costa: Essa história aqui quem contou foi o Bruno Borges Vieira, de São Paulo, lá pelo Facebook. Ele disse o seguinte.
Andriolli Costa, lendo o relato de Bruno Borges Vieira: Minha avó conta que, quando era criança, um dia o saci pegou ela pra assustar a mãe dela, minha bisa. Uma vez, ela brincando de esconde-esconde, se escondeu debaixo da cama e acabou dormindo.
Ela falou que acordou do nada debaixo da cama, saiu e viu que estava todo mundo na sala chorando. Ela perguntou o que estava acontecendo, e todo mundo ficou preocupado e começou a brigar com ela.
No fim, ela descobriu que dormiu por um dia e meio. E todo mundo achou que ela tinha fugido e tava pregando uma peça. Hoje ela fala que a minha bisa disse que foi o saci que pegou ela pra pregar uma peça em todo mundo.
Andriolli Costa: Muito legal, Bruno. Isso não é tão raro, viu? Histórias de saci sequestrando crianças. É mais comum histórias do Jaci Jaterê, que eu já mencionei aqui, levando crianças pra mata.
Tanto que dizem que o Jaci age especialmente durante a sesta, lá no Paraguai, que é esse período pós-almoço, onde os pais vão dormir. Então: “Criança, não se afaste enquanto eu tô dormindo, porque senão o Jaci te leva”.
Mas temos algumas histórias também do nosso saci fazendo isso. E é muito legal ver a recorrência. O saci sequestra as crianças, elas são encontradas às vezes na mata, às vezes no meio de um espinheiro do qual elas não conseguem sair, às vezes dentro de um buraco.
Aí pensa assim: “Pô, mas a criança tá intacta, ela não se machucou. Como é que ela chegou ali?”. Foi o saci aprontando, o saci assustando. E como é que essa criança tá alimentada? Como é que ela ainda consegue estar nutrida, estando sumida tanto tempo?
Aí sempre dizem que o saci dava alimento pra elas. Trazia mel, trazia frutas. Isso é bem frequente. Se você já ouviu, manda aí pra gente. Eu quero saber qual é a recorrência dessa história aí pra vocês.
[Vinheta do Poranduba.]
O gorrinho que começou a girar
Guilherme: Eu não sei exatamente onde foi, porque eu era muito pequeno e era no sítio de um amigo meu, no interior de São Paulo. E lá foi a primeira vez que começaram a contar história de saci. A gente brincava com isso, assobiava pra assustar a molecada e etc.
Aí o que aconteceu? Teve um dia que deu uma puta de uma tempestade absurda e acabou a luz da casa. A gente tava lá num sítio, né? Acabou a luz da casa e saímos correndo pra fugir da chuva.
Quando eu cheguei lá em cima, o Duda, que era o meu amigo, que era dono da casa, falou: “Cara, você ouviu também?”. Eu falei: “Eu ouvi”.
E o que a gente tinha ouvido? Uns assobios vindos lá da direção da porteira.
Bom, passou. Essa noite foi assustadora: caiu a luz, aranha na banheira, um monte de coisa sinistra. No dia seguinte, o que rolou? A gente foi dar uma andada pra ver os estragos na região, o que tinha caído de árvore e coisa assim.
E de repente, já tava um dia bonito e tal, no meio da estrada tinha tipo um algodãozinho. Aí, esse algodãozinho, eu falei: “Olha lá, o gorrinho do saci”.
Na hora que eu falei, na hora que eu falei, sem brincadeira, o algodãozinho começou a girar, girar, girar, girar. Fez tipo um tufãozinho assim e depois caiu no chão.
Mas foi exatamente na hora que eu falei. E no dia anterior a gente tinha ouvido os assobios lá em cima. Então essa é a minha história. Um grande abraço pra vocês e muito obrigado aí.
Andriolli Costa: É, o Guilherme, de São Paulo, nos mandou essa história pra alertar: não pode duvidar do saci. Duvida do saci, provoca o saci, que o bicho pega. Ele teve sorte de só tomar um sustinho ali.
Mas quem já ouviu esse tipo de história de duvidar de saci sabe que às vezes ele pode exagerar na brincadeira e acabar te botando pra correr. Então não brinca com ele. Ou, se for pra brincar, brinca junto.
O assovio que perseguiu tio Antônio
Andriolli Costa: Essa história aqui chegou enviada pela Judit [3]. Ela conta que nasceu no interior de Minas e cresceu numa fazenda na cidade de Rio Preto.
Andriolli Costa, lendo o relato de Judit: Meu velho pai adorava contar histórias de assombração. E a que eu narrarei se trata de sacis. Meu pai fala que o irmão dele era uma pessoa irreverente e muitas vezes incauta.
Me contou então que, certa vez, o tio Antônio subiu o morro pra buscar umas vacas leiteiras pra ordenha e começou a ouvir um assovio. Meu tio, despercebido e zombador, começou a imitar esse assovio.
Imediatamente o assovio se intensificou e veio acompanhado de uma grande ventania. Uma ventania que o cercava e um assovio que tomava a sua cabeça de forma incontrolável.
Conta meu pai que ele chegou no curral pálido feito cera, desnorteado, gritando: “Saci me pegou! Saci me pegou!”.
Andriolli Costa: Olha, eu avisei, né? Acabei de falar pra não ficar provocando saci. E se você quer saber o que acontece quando provoca o saci e assovia fora de hora, ouça o Quem quer ser um folclorista com a HET e com o Freddie, do Yokai Watch BR.
Eu conto uma história lá sobre uma menina perseguida pelo assovio de saci que, olha, se eu fosse vocês, não assoviava mais de noite.
[Vinheta do Poranduba.]
Severino resolve tirar a história a limpo
Andriolli Costa: Essa história aqui foi enviada por e-mail pela minha querida Margareth Assis Marinho. A Margareth é escritora também, tem um trabalho maravilhoso que é o Dossiê Saci, e mais outros tantos livros de saciologia. Eu recomendo muito que você conheça.
E ela conta essa história que aconteceu com o amigo dela, que é o Severino, que se achava entendido de tudo. Vamos ver como é que é.
Andriolli Costa, lendo o relato de Margareth Assis Marinho: Severino trabalhava de sol a sol e pouco tinha que o aporrinhasse, a não ser uma coisica ou outra, como o que acontecia com o seu cavalo. Quase todo dia de manhã, quando ia pegar o bicho pra ir pro pasto trabalhar, encontrava o cavalo assustado, com a crina toda emaranhada, enozada mesmo.
Seu pai dizia que isso era coisa de saci. Mas, como Severino não acreditava em saci, nem mula sem cabeça, caipora, nem uma aparentada deles, ficava ensimesmado.
Certo dia resolveu tirar isso a limpo. Ia descobrir de qualquer jeito que coisa era aquela. Se saci existia, ele ia pegar um pra comprovar.
Foi perguntando pra quem podia e ficou informado que o saci também era muito esperto. Era fácil pegar um, não. Ensinaram ele a preparar o material pra atrair o saci: uma peneira de bambu com cruzeta, uma garrafa escura e uma rolha de cortiça.
Com esse material todo arranjado, ele tinha duas chances de prender o saci. Ou esperava um dia que tivesse redemoinho, ou preparava uma armadilha no capoeirão da mata, com iscas pra atrair o danado.
Severino foi pela estrada de terra sem vivalma. Pegou bastante fumo de rolo, picou e soltou os pedaços pelo caminho até a plantação de taquaruçu, que serve de viveiro dos sacis. Os danadinhos ficam nos gomos de bambu em gestação durante sete anos.
Severino ouvia essas histórias, mas não conseguia acreditar. Ele era tinhoso. Histórias de impressionar qualquer caboclo não cismavam ele, não.
Severino então chegou até a boca da floresta, espiou bem e nada de redemoinho. Resolveu armar uma arapuca com pedaços do fumo de rolo bem no meio dos taquaruçus. Era a esperança dele pra atrair o danado do saci.
Ele se afastou alguns metros, se escondeu no meio da mata pra ficar na espreita. Isso já era lá pelas oito horas da noite. Tudo silêncio. A única claridade era da lua. O barulho do silêncio era aterrador.
Do seu esconderijo, Severino ainda apostava que era tudo mentira. Chegou a tirar umas pestanas quando, de repente, ouviu um estalo seco vindo na direção da armadilha. Outro estalo, e mais outro. Não conseguia ver nada.
Foi aí que percebeu uma movimentação estranha. Folhas secas subiam em espiral rapidamente, num farfalhar estridente. Era um pé de vento.
Severino quase escorregou de onde estava, mas conseguiu estreitar os olhos pra ver o que estava no redemoinho. E não é que apareceu um menino pequeno, de uma perna só, agachado perto da armadilha?
Severino não podia acreditar naquilo. Não era possível. Fez o pelo-sinal várias vezes e ficou quieto novamente, esperando a armadilha prender o moleque.
Silêncio total. Ele só ouvia a sua respiração. Parecia que o coração ia sair pela boca. E por pouco não saiu quando as gargalhadas ecoaram pelo silêncio.
Severino escorregou, levantou, arranhou-se no mato a ponto de não parar de pé. Olhou de novo e só via fumaça nos taquaruçus. E foi um tal de assobio e risada sem dar pra saber de onde vinham. A ventania passou por ele, provocando arrepios. Tropicando, Severino saiu de lá a correr.
Chegou em casa ofegante e assustado. Naquela noite, ele não pregou os olhos. Pois dizem que o saci escolhe a quem perseguir, e Severino desconfiava que tinha sido escolhido.
Por diversas vezes ele sentiu uma cafungada perto da cama. Já quase amanhecendo, ouviu por sete vezes seguidas o saci puxando o fumo do seu cachimbo.
Ah, ou será que era uma galinha no quintal, ciscando perto da janela do quarto?
“Ah, acho que eu tô ficando doido mesmo. É só esse pessoal falar coisa que eu fico cismado. Será que eu sonhei com isso tudo, gente? Danada de palavra que tem poder. Faz até a gente ver coisas.”
Andriolli Costa: Essa história da Margareth é bem mais literária do que as outras que mandaram, né? Mas é o estilo dela, não tinha como ser diferente.
E aqui tem um elemento bacana. A gente já falou sobre os nós na crina do cavalo, sobre o jeito de prender o saci, e aqui a grande questão é o taquaruçu.
Essa narrativa de que o saci demora sete anos pra se gestar no bambuzal, pra daí sim nascer, ver o mundo e aprontar por mais 77 anos é muito conhecida. É conhecida também pelo nosso outro ouvinte, que é o Caio Gregory.
Caio Gregory e o saci de Lumiar
Andriolli Costa: O Caio manda essa história que aconteceu quando ele foi fazer um acampamento no interior do Rio de Janeiro. Ele fala que sempre ouviu essas histórias de que o saci nasce em noite de tempestade, quando o gomo do taquaruçu estala, mas nunca botou muita fé. Até que aconteceu essa história que ele vem contar pra gente.
Caio Gregory: Então, a história do saci começa lá em Lumiar, né? Lumiar é um distrito da cidade de Nova Friburgo, na Serra Fluminense, nas montanhas do Rio de Janeiro.
Essa história começa quando eu fui fazer um acampamento lá. E lá a gente conheceu uma moça que vendia comida vegana numa feira. Ela convidou a gente pra conhecer a casa dela, uma casa de bioconstrução, lá perto da Pedra de Benfica.
A gente ficou na casa dela, acabou que pegou amizade com essa moça e ficou na casa dela quase duas semanas. E teve um dia que eu tava sozinho. O pessoal tinha saído pra ir na cidade, eu tinha ficado na minha barraca, no quintal dela, e senti uma presença. Uma coisa que me deu um pouco de medo no começo, não sabia muito bem explicar o que era.
Tava tudo muito escuro lá no quintal. E, detalhe, a casa dela ficava na beira de um rio com muitos bambuzais.
Dentro da religiosidade dos orixás, a religiosidade afro-brasileira, os bambuzais são um assentamento da orixá Iansã, são centros de poder da orixá Iansã, que é a senhora dos ventos e das tempestades.
Então, nesse dia, no bambuzal, eu senti uma presença. Quando eu olhei bem, fiquei tentando olhar no escuro pra ver se eu via alguma coisa, e eu realmente vi. Não consegui ver claramente, porque tava muito escuro e o saci é bem pretinho mesmo, mas eu vi um serzinho pequenininho, do tamanho de uma criança de um ano, mais ou menos. Uma coisa bem minúscula, pulando de um lado pro outro: toim, toim, toim, toim. Pulando, pulando.
Beleza, isso aconteceu, eu tava sozinho, ninguém mais viu, tranquilo. O pessoal chegou, a gente acendeu uma fogueira e começamos a tocar violão, conversar. Nisso essa moça, a dona da casa, a bruxa, começou a cantar uma canção e eu fiquei todo arrepiado.
Eu falei pra ela: “Cara, eu acho que eu vi um saci hoje”. Aí ela olhou pra mim, sorriu e falou: “Bom, você não é o único, né? Eu moro aqui, que é a casa dos sacis, e aqui moram vários sacis”.
Então eu não senti medo do saci, porque estava numa conexão muito tranquila com a dona da casa, com a natureza. E o saci me trouxe um presente, porque naquele momento, naquele dia, eu fiz as minhas orações e comecei a cantar uma música.
Hoje eu sou… Quer dizer, eu já era músico antes, sou músico desde os 15 anos. Mas naquele dia que eu encontrei o saci eu me tornei compositor.
Um personagem de muitas influências
Andriolli Costa: Que coisa maravilhosa, Caio. Achei muito linda essa introdução à sua arte. Isso nos mostra o quanto o saci e o folclore, de maneira geral, são inspiradores. Eles podem nos gerar impulsos pra criar e fazer essas histórias permanecerem vivas.
Achei muito legal essa história que você compartilha e também esse elemento que introduz, que é o da cultura afro-brasileira. Há muitas influências culturais que fazem o saci ser esse mito que nós conhecemos hoje.
Sim, temos a influência direta dos povos Guarani, que têm o seu encantado, que se chama Jaci Jaterê. Somando-se a essa influência indígena, nós temos, claro, a influência do português, onde vão ser introduzidos elementos como a carapuça e o fato de ele aprontar dentro de casa, especialmente sumindo com coisas, bagunçando. Isso aí é uma tradição que a gente pega dos europeus.
E, obviamente, temos também muita influência africana. Dos africanos, o saci incorpora vários elementos de orixás. Por exemplo, Exu é o dono do assovio, e o saci tem essa relação muito forte com o assovio também. O saci tem essa relação com as matas, a perna única, e isso vem muito dos orixás Ossaim e Aroni.
Essa relação com Iansã, eu te digo, Caio, que eu nunca tinha ouvido antes. Acho que o saci pode não ter uma relação direta com Iansã, mas com certeza ele é um grande aliado.
[Vinheta do Poranduba.]
O convite continua
Andriolli Costa: E é isso, pessoal. Esse episódio ficou gigante e muito especial. Agradeço novamente pra todo mundo que mandou, mesmo os que não entraram nesse episódio.
Se você tem alguma história com seres mágicos, seres do nosso folclore, seja com saci, seja com lobisomem, que já tem essa data aí pro próximo programa, seja com outros tantos, pode escrever pra mim em colecionadordesacis@gmail.com.
Mas, se você preferir mandar em áudio, eu tenho aqui uma pastinha onde vou salvando tudo o que me mandam lá. Manda sua mensagem de voz pra (51) 98107-8785. Lembra sempre de se identificar, é muito importante pra eu saber de onde vocês são, quem tá mandando.
E não se preocupe em ser muito conciso, porque eu sei que isso aí inibe muita gente. Então conta a história do seu jeito. Qualquer coisa eu faço como fiz aqui nesse programa: dou uma resumida, mostro um trechinho. O importante é ter você aqui com a gente.
Quero deixar um último recado. Se você ainda não conhece, eu tenho um livro de contos que é O Colecionador de Sacis e outros contos folclóricos. Ele tá num precinho muito especial, tá baratinho, menos de seis reais, ou gratuito se você tem o Kindle Unlimited. No momento, só em e-book, mas quem tá lendo tá gostando demais.
Então vai lá dar essa força e se divirta com as histórias de folclore, especialmente de saci, de um jeito que você nunca viu. Muito obrigado a todos. Feliz Dia do Saci e vamos celebrar o folclore e o nosso querido duende o ano inteiro.
Agradecimentos e créditos
Andriolli Costa: Gostou do programa? Eu espero que sim. Se você gostou mesmo, faça como os nossos queridos apoiadores, que assinam mensalmente os planos do Colecionador de Sacis no Padrim, no PicPay e na nossa nova campanha no Catarse.
É pelo Catarse que estamos dando força pro nosso projeto de audiovisual. Então, pra garantir vídeos no YouTube todo mês, pra garantir as nossas lives do Quem quer ser um folclorista, que vira depois um podcast aqui, apoia no Catarse. Dá essa força pra gente. Vai ser um prazer ter você aqui conosco.
É por isso que eu quero mandar um grande abraço pro nosso mais novo apoiador lá do Catarse, que é o Marcos Nogas.
Marcos se junta a esse grupo maravilhoso formado por Ágatha Urzedo, Alex Mir, Ana Lúcia Merege, Anderson Arndt, Bruno Janoski, Bruno Moraes, Caio Geraldini, César Silva, Daniel Burle, Daniel Medina, Demian Walendorff, Douglas Rainho, Euclides Vega, Erick Silva, Fernando Jackson, Fernando Sussmann, Gabriel Quartin, Geoci Silva, Guilherme Kruger, Guilherme Passos, Gustavo Wendorf, Hosaná Dantas, Ian Fraser, Júlio Vieira, Karla Godoy, Klelson Kosta, Leandro Araújo, Lentes Cor de Rosa, Luiz Telles, Maico Wolfart, Mayara Lista, Maurício Filho, Maurício Xavier, Matheus Abreu, Maycon Torres, Mickael Menegheti, Nilda Alcarinque, Pablo Melo, Pedro Scheffer, Rafael Glória, Rafael Joca Cardoso, Ricardo Santos, Rodrigo Cunha, Thomas Missfeldt, Tiago Chiavegatti, Vinicius Milhomem, Victor Nogueira, Vitorya Silveira, Waldeir Brito e Zé Wellington.
Muito obrigado, pessoal. Vocês ajudam a tirar o folclore da garrafa.
Esse podcast foi produzido e editado por mim, Andriolli Costa, o Colecionador de Sacis. Acesse o site Colecionador de Sacis. Confira a nossa produção em vídeo no YouTube e siga nossas redes sociais. Estão os links todos aqui no post. Um abraço e até a próxima.y.]