Mostra Curta Saci #Saci100

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Foto: Leonil Junior

Texto da Revista Saci Pererê – 100 anos do Inquérito. Clique aqui para ler e baixar

Era dezembro de 2015 e eu havia acabado de finalizar meu curta-metragem, O Colecionador de Sacis. Com alguns anos de pesquisa nas costas, um curta nas mãos e vontade de criar, entrei em contato com vários diretores que também produziram inspirado no duende brasileiro. Mais do que uma sessão de cinema, queria uma experiência saci.

Assim surgiu a Mostra Curta Saci, evento que une cinema, folclore e contação de histórias. O sucesso foi construído aos poucos, dependendo dos parceiros que acreditavam no projeto: o MIS/MS, o Cineclube Bocacine, o SESC/MS, a secretaria de cultura de Mococa/SP e o Cine Caramelo. Foram 10 sessões ao longo do ano, em que plantamos a semente do encantamento para mais de 1700 pessoas.

As próprias palestras viram histórias. Em Corumbá, um menino contou que seu pai matou um saci. Abriu a barriga do pobre perneta e ele estava recheado de carvão! Já em São Leopoldo, um garoto ficou decepcionado por eu não ensinar técnicas para o assassínio de sacisi. “Achei que você ia mostrar a cabeça arrancada dele!”. Talvez eu devesse apresentá-lo ao pai do menino corumbaense. Eles se entenderiam bem!

Não, não ensino a matar sacis. Nem mesmo a capturar. Afinal saci é folclore, não pokémon. Para ter o saci por perto é preciso ficar amigo dele. Ele tem que querer estar ao seu lado. Fiquei muito feliz, inclusive, quando uma professora contou que, depois da Mostra, os alunos vieram pedir a soltura dos sacis, que haviam colocado em garrafas naquele mesmo mês. A mensagem encontra seu eco.

Muitas pessoas costumam dizer que criança de hoje não quer saber mais de folclore, só de computador. Meu eu estava lá e vi 800 crianças de 10 anos de idade pedindo mitos na Mostra como torcida de futebol: “Boto, boto!” – pediam em coro. “Boitatá! Boitatá”, e batiam os pés no chão.

Encerro a apresentação ensinando um “feitiço de encantar os olhos”, para a criançada poder ver saci a hora que for. De olhinhos fechados, elas assoviam chamando o saci. “A hora que o saci responder, você vai sentir que deu certo”.

Pois em Porto Alegre, na última apresentação do ano, quando desci do palco, um menino me chama de lado, com os olhinhos brilhando. “Moço, eu senti! Eu senti!”. E tudo valeu a pena.

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