Conheça o Tchá co’bolo na Dona Eulália, o mais famoso de Cuiabá/MT

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Por Andriolli Costa

A receita foi criada de olho. Na década de 50, Eulália da Silva Soares tinha uma vaga lembrança de ver a tia cozinhando o bolo de arroz em Aricazinho, e precisou recriar muita coisa de cabeça. O marido, Eurico Avelino Soares, trabalhava de pedreiro. Para ajudar em casa, a mulher pediu que ele construísse o primeiro forno a lenha onde o doce ganharia forma, fama e história. Foi o início da trajetória de Dona Eulália, a quituteira mais famosa de Cuiabá, a capital do Mato Grosso.

Quando começou, em 1958, Dona Eulália espalhava a filharada de bicicleta para vender o bolinho pelas casas e escolas. Hoje ela abre os fundos de casa, dia sim, dia não, e é o público que a procura. Por dia chega a vender mais de 2 mil bolinhos de arroz, sem falar na chipa e no bolinho de queijo que também oferece no local ao valor de R$ 3 a unidade. E, sim, é bolinho e não pão de queijo. A textura é única, e foi o meu favorito da casa.

Tudo é acompanhado de muito leite achocolatado, café e principalmente chá mate – liberados a vontade para o cliente ao custo de R$ 3 por cabeça. Daí o nome do famoso tchá co’bolo, pronunciado no legítimo sotaque do cuiabano tchapa e cruz.

Dona Eulália já apareceu no Fantástico, na Ana Maria Braga e está em todas as celebrações de aniversário da cidade na mídia local. “Tem lugares mais chiques hoje que fazem o bolinho, mas o povo ainda prefere vir aqui”, sorri ela, orgulhosa. O lugar já passou por boas reformas e tem a louça e televisores com logo da Citroen, indicando apoio cultural.

Durante 13 anos, era ela também quem atendia as celebrações da Festa de São Benedito – um festejo tão tradicional que já beira quase três séculos de existência na cidade. Durante a primeira semana de julho, a missa da terça-feira era encerrada com chá com bolo para os fiéis. Dona Eulália conta que muitos jovens nem iam para a celebração religiosa, saiam das festas direto para o tchá. “Dava muito trabalho, tive que parar”, resume.

O trabalho nunca foi pouco. Para abrir as portas as 5h30 da manhã, os bolos precisavam começar a serem preparados no dia anterior – com muita ralação de mandioca. Às 3h da madrugada se começa a preparar a massa. As próteses nos dois joelhos não permitem mais que Dona Eulália trabalhe como antes, mas é sua família quem agora  alimenta os quatro fornos a lenha que despejam a todo instante bolos quentinhos na mesa de quem frequenta.

 

Bolo de arroz da dona Eulália

Rendimento: 40 bolinhos

Ingredientes
1 kg de arroz agulhinha
600g de mandioca
550g de açúcar
1 xícara (chá) de manteiga derretida
1 pacote de coco seco ralado (100g)
1 colher de fermento
1 pitada de sal
Canela e erva-doce a gosto
1 litro de leite (ou água, se preferir)
Manteiga ou óleo para untar

Preparo
Deixe o arroz de molho de um dia para o outro. Lave bem, escorra e soque no pilão. Peneire até virar uma farinha e reserve. Rale a mandioca e faça um mingau com o leite já quente em fogo médio. Mexa bem, sem parar. Acrescente o açúcar, misture e desligue o fogo. Coloque a farinha de arroz, mexa e deixe a massa descansar de um dia para o outro para fermentar. Adicione os demais ingredientes, misture tudo e asse em fôrma de bolo ou forminhas de empada untadas com manteiga ou óleo.

Serviço
Endereço: R. Prof. João Félix, 470
Informações: (65) 3624-5653
Funcionamento: Terças e quintas das 5h30 às 10h
Sábados e Domingos das 5h30 às 11h

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