“Não conheci o Saci com o Sítio. Conheci com meus avós”, diz Andriolli Costa em conversa com Cléo Monteiro Lobato

Antes de encontrar o Saci nas páginas de Monteiro Lobato, Andriolli Costa já conhecia seus assobios, perseguições e artimanhas pelas histórias da família. “Não conheci o Saci com o Sítio. Conheci com meus avós e com meus pais”, contou o jornalista e pesquisador durante uma live com Cléo Monteiro Lobato.

Realizada no Dia do Folclore, em 22 de agosto de 2023, a conversa aproximou duas experiências familiares. De um lado, Andriolli recordou as férias na zona rural de Mato Grosso do Sul. Do outro, Cléo, bisneta de Monteiro Lobato, compartilhou histórias preservadas pelos descendentes do escritor.

O encontro também percorreu a presença do Saci na obra lobatiana. Passou pelo conto “Pedro Pichorra”, pelo inquérito promovido em 1917 e pelo livro infantil lançado em 1921. “O Saci parece ter sido o personagem-chave a partir do qual Lobato foi explorar todo o folclore brasileiro”, observou Cléo.

A live foi transmitida pelo Instagram de Cléo Monteiro Lobato no Dia do Folclore de 2023. Nesta matéria, O Colecionador de Sacis recupera os principais momentos da conversa, com edição para proporcionar maior clareza e concisão.

Um chá de revelação folclórico

Ao se apresentar, Andriolli definiu sua atuação como um trabalho de divulgação folclórica realizado em diferentes frentes. Ao longo de 15 anos, ele produziu pesquisas acadêmicas, reportagens, mostras de curtas-metragens, contações de histórias e atividades de formação para professores e mediadores de leitura.

Para explicar quando o folclore entrou em sua vida, entretanto, precisou voltar ao período anterior ao próprio nascimento. Quando sua mãe estava grávida, a avó realizou uma simpatia para tentar descobrir o sexo do bebê.

“Ela escondeu um garfo embaixo de uma almofada e uma colher embaixo de outra. Se a grávida sentasse onde estava o garfo, nasceria um menino. Se sentasse na colher, seria uma menina.”

A mãe escolheu o lugar do garfo. Como Andriolli seria o primeiro filho homem da família, todos comemoraram o resultado. “Era o chá de revelação folclórico de antigamente”, brincou.

A lembrança permitiu apresentar uma definição de folclore que não se limita aos mitos e às lendas. O conceito também compreende cantigas, simpatias, brincadeiras, festas, conhecimentos culinários e práticas transmitidas entre gerações.

“Folclore é o conhecimento do povo. É a cultura popular que atravessa tudo. O Saci está ali, mas também estão todos os conhecimentos identitários, ligados à tradição e passados de geração em geração.”

O Saci contado pelos avós

A relação mais próxima com o Saci foi construída durante as visitas à chácara dos avós, na zona rural de Terenos, em Mato Grosso do Sul. A propriedade ficava na Curva da Serra, a cerca de 120 quilômetros de Campo Grande.

“Meu pai sempre dizia que o Saci o havia perseguido em determinado lugar, corrido atrás dele em outro ou que ele tinha escutado o assobio. Depois fui retrocedendo e descobri que minha avó ouvia histórias de Saci da minha bisavó, que também havia escutado essas histórias da mãe dela.”

Na chácara havia energia elétrica e televisão, mas os adultos incentivavam as crianças a aproveitar o espaço de outra maneira. “Eles diziam: ‘Não assiste televisão. Você pode fazer isso em casa. Aqui vamos aproveitar outras coisas’.”

Andriolli recordou o lugar como uma paisagem formada pelas histórias familiares. “Quando retorno à casa dos meus avós, é um ambiente de conforto e familiaridade muito grande. Aquela é uma casa sonhada. É onde consigo ver as histórias que me formaram.”

Entre os conhecimentos transmitidos pela família estava a ideia de que o Saci vive durante 77 anos. Depois da morte, ele não desaparece, mas se transforma em uma orelha-de-pau, fungo que cresce nos troncos das árvores.

“Eu achava que isso era um conhecimento básico, que todo mundo sabia. Só posteriormente percebi que nem todas as pessoas tiveram a alegria de ter um avô como o vô Oliveira e uma avó como a vó Marlene.”

A descoberta ajudou a mostrar a necessidade de levar aquelas narrativas para fora do círculo familiar. “Eu me encanto graças aos meus avós. Queria que outras pessoas também tivessem a oportunidade de se encantar.”

Quando o Saci entrou na universidade

O encontro de Andriolli com a obra de Monteiro Lobato aconteceu aos 18 anos, quando cursava o segundo ano de Jornalismo na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Até então, seu conhecimento sobre o personagem vinha principalmente da oralidade.

A mudança começou com um exemplar de Geografia dos mitos brasileiros, de Câmara Cascudo, encontrado no departamento do curso. A edição trazia um Saci na capa.

“Eu folheei o livro até encontrar o capítulo dedicado ao Saci. Ali havia referências bibliográficas e indicações de autores. Foi quando percebi que era possível estudar academicamente aquilo, coisa que eu não sabia que era plausível.”

Com o livro em mãos, Andriolli procurou uma professora com quem tinha afinidade. “Eu disse: ‘Professora, quero estudar isso, mas não sei como’. É para isso que temos orientadores. Eles percebem a potência do desejo e ajudam a direcioná-lo.”

A professora coordenava um projeto sobre a adaptação televisiva do Sítio do Picapau Amarelo exibida pela TV Globo entre 2001 e 2007. Havia ainda a possibilidade de uma bolsa de iniciação científica.

“Quando ela falou em bolsa, eu disse: ‘Está ótimo’. Primeiro precisei escrever o projeto e ser aprovado. Mas só de existir aquela possibilidade eu já achei muito interessante.”

A pesquisa levou Andriolli a analisar Monteiro Lobato como um agente folkcomunicacional. O escritor recolheu narrativas que circulavam oralmente ou permaneciam escondidas em obras pouco acessíveis e as apresentou a um público mais amplo.

“Lobato se tornou um grande divulgador do folclore. Aquilo que antes era inacessível passou a circular graças ao Saci e ao livro infantil.”

Antes do inquérito, havia Pedro Pichorra

Quando se fala na presença do Saci na obra de Monteiro Lobato, é comum começar pelo inquérito publicado em 1918. Quatro anos antes do livro infantil, o volume reuniu os relatos enviados por leitores ao jornal O Estado de S. Paulo.

Andriolli chamou atenção para uma aparição anterior. Em 1910, Lobato escreveu o conto “Pedro Pichorra”, publicado posteriormente na coletânea Cidades mortas.

A narrativa acompanha um menino que recebe do pai um canivete, sinal de que começava a ser tratado como homem. Durante uma viagem solitária a cavalo, ele acredita ter encontrado um Saci junto a uma pichorra de água.

“O menino volta para casa dizendo: ‘Pai, eu vi um Saci. Os olhos dele queimavam como fogo, pareciam duas tochas’”, contou Andriolli.

O pai vai até o local e conclui que o filho havia visto apenas dois vaga-lumes. Depois, repreende o menino e lhe dá o apelido que carregaria por toda a vida.

“Ele diz: ‘Saia daqui, seu covarde. Para mim, agora você é Pedro Pichorra para sempre’. É muito cruel”, observou o pesquisador.

Cléo contou que ficou abalada ao ler o conto. “Aquele pai acaba com o filho. É um menino de 11 anos. Lobato é muito contundente no jeito como escreve.”

Em 1910, o escritor vivia em Areias, no interior de São Paulo. Cléo lembrou que ele já havia passado parte da infância em fazendas onde poderia ter ouvido histórias sobre o Saci, a Mula sem Cabeça, o Boitatá e outras assombrações.

“Ele cresceu cercado por tias e por figuras como a Tia Nastácia e o Tio Barnabé, contando histórias desde a infância. É bem possível que já tivesse algum conhecimento do Saci”, comentou.

Um personagem com olhos de fogo

A referência aos olhos do Saci em “Pedro Pichorra” revela uma característica hoje menos lembrada. Antes de a perna única e a carapuça vermelha dominarem sua representação, diferentes narrativas destacavam o fogo que saía de seus olhos.

Andriolli relacionou a descrição a um registro ainda mais antigo. Segundo ele, a primeira menção escrita ao Saci conhecida até o momento foi publicada em 1856 pelo jornal Correio Paulistano.

“O texto já dizia que aquela era uma tradição do tempo das avós. Se voltarmos duas gerações a partir de 1856, percebemos que o mito provavelmente circulava desde o final do século XVIII ou o começo do XIX.”

O registro foi assinado apenas com a inicial “C.”. Para Andriolli, o anonimato pode ser explicado tanto pelas práticas jornalísticas do período quanto pelo pouco prestígio atribuído ao tema.

“O folclore era tratado como um saber inferior. Muitas pessoas não queriam se vincular àquilo. Não era considerado um assunto que merecesse espaço acadêmico.”

Nesse primeiro registro, o Saci podia assumir diferentes aparências. “Ele aparecia como pássaro, menino, adulto e até como fogo. Podia virar um lume brilhando durante a noite e andando de um lado para o outro.”

A descrição aproxima o personagem de fenômenos luminosos e de outras entidades do imaginário, como o fogo-fátuo e o Boitatá. Também mostra que não havia uma única forma reconhecida como verdadeira.

Setenta depoimentos e muitos Sacis

O inquérito promovido por Monteiro Lobato em 1917 ampliou essa variedade. O escritor pediu aos leitores que enviassem aquilo que sabiam sobre o personagem e reuniu cerca de 70 depoimentos.

“Ali, o Saci faz muitas coisas. Ele ajuda pessoas, provoca perseguições, bate, assusta animais e até colabora com pedidos de casamento”, contou Andriolli.

Um dos depoentes dizia preferir pedir ajuda ao Saci em vez de recorrer a Santo Antônio. “Santo Antônio era muito ocupado e talvez não escutasse. O Saci estava mais próximo.”

A própria maneira de escrever o nome do personagem mudava de um relato para outro. Em sua pesquisa, Andriolli encontrou 14 denominações diferentes, entre elas Saci-Pererê, Saci-Taterê e Saci-Teresa.

“São variações muito sonoras. Como estamos falando de oralidade, cada pessoa escutava o nome e escrevia da forma como lembrava.”

Também havia diferenças físicas. “Tem Saci com pé de corvo, Saci com pata de caranguejeira e até um com os braços cobertos de fubá. Encontramos inúmeras versões.”

Ao escrever o livro infantil, Lobato precisou selecionar características. “No inquérito, ele está no registro da pesquisa. Quando passa para a criação ficcional, precisa escolher quais elementos formarão aquele personagem.”

Por isso, Andriolli contesta a ideia de que Lobato teria simplesmente domesticado o Saci. Mesmo na narrativa infantil, permaneceram características sombrias que desapareceriam das adaptações televisivas.

“O Saci do livro é quase um vampirinho. Ele suga o sangue dos cavalos, tem medo de alho e de cruz e não gosta de oração. Tudo isso está no texto, mas não vai para a televisão.”

De onde veio o Saci?

Ao perguntar pela origem do personagem, Cléo mencionou o medo da escuridão e a necessidade humana de explicar aquilo que não compreendemos. Andriolli ressaltou que não existe uma origem única.

“Os mitos têm uma origem partilhada. São várias coisas que se encontram e ajudam a formar o personagem.”

Entre os povos guarani, uma das referências é o Jasy Jatere, encantado conhecido também no Paraguai e na Argentina. Nessas tradições, ele pode ser descrito como um filho da Lua, com cabelos dourados e um bastão mágico como objeto de poder.

“É um personagem bastante diferente do nosso Saci. O objeto de poder não é a carapuça, mas um cajado dourado com o qual pode dominar ou enlouquecer as pessoas.”

As matrizes africanas aparecem nas aproximações com Exu, Ossaim e Aroni. “Exu está ligado à astúcia. Ossaim e Aroni dominam os segredos das folhas e das matas. Aroni aparece em muitas versões com uma perna só.”

Aos elementos indígenas e africanos juntaram-se características dos seres encantados europeus. “Os duendes portugueses agem dentro das casas. Escondem objetos, mexem na comida e entram pelo buraco da fechadura. São coisas que o Saci também faz.”

A combinação não produz um personagem uniforme. Dependendo da região ou da narrativa, alguns Sacis se aproximam mais de uma dessas matrizes.

“Há Sacis mais parecidos com o Jasy Jatere, outros mais próximos dos orixás e outros com características de duendes. Tudo isso forma o Saci que conhecemos.”

A carapuça não deve ser retirada

A carapuça vermelha foi um dos pontos que mais despertaram o interesse de Cléo. Andriolli explicou que o objeto remete ao píleo romano, associado à liberdade de pessoas que deixavam a escravidão.

“Os seres encantados usam a carapuça porque são irrepreensíveis. Eles representam a liberdade encarnada, a possibilidade de fazer aquilo que desejam.”

Ao retirar a carapuça do Saci, portanto, o capturador não toma apenas um objeto mágico. Ele priva o personagem de seu maior poder.

“Qual é o grande poder mágico do Saci? É a liberdade. É poder fazer o que bem entende e transitar livremente. Quando você tira a carapuça, está despindo o Saci desse poder.”

Por isso, Andriolli procura alterar a maneira como a captura é apresentada às crianças. Em vez de ensinar a obrigar o Saci a obedecer, propõe a construção de uma amizade.

“Não tire a carapuça do Saci. Se ele quiser ficar ao seu lado, ficará porque é seu amigo, porque você o cativou e construiu uma relação de afeto e cumplicidade.”

A mensagem não precisa ser explicada diretamente durante as atividades. Ela permanece no subtexto da narrativa.

“Estamos ensinando que as pessoas devem ficar ao nosso lado porque gostam de nós, e não porque foram privadas da possibilidade de ir embora.”

Cléo relacionou a interpretação ao desfecho de O Saci, quando o personagem ajuda Pedrinho a desencantar Narizinho. “Lobato escreve que a liberdade é o bem maior. É uma frase muito bonita.”

O Saci escondido no escritório de Lobato

As histórias familiares também atravessaram a relação de Monteiro Lobato com o personagem. Cléo recordou um episódio vivido por sua mãe durante a infância, quando o escritor trabalhava em uma casa de Campos do Jordão.

O escritório ficava no sótão e era acessado por uma pequena escada. Para impedir que a menina interrompesse o trabalho, Lobato dizia que havia um Saci guardando o lugar.

“Ele falava: ‘Não suba porque aquele é o meu escritório. O Saci está lá tomando conta’”, contou Cléo.

Certo dia, a escada ficou aberta. A menina subiu e começou a procurar o encantado. Como sabia que um Saci capturado deveria ser guardado em uma garrafa, examinou o ambiente até encontrar o recipiente.

“Ela achou a garrafa, abriu e não saiu Saci nenhum. Dentro havia pinga. Ficou muito chateada, colocou a garrafa de volta e a história acabou por aí.”

O relato provocou risos durante a transmissão. Também mostrou como Lobato empregava o personagem não apenas na literatura, mas nas brincadeiras e artimanhas do cotidiano familiar.

O guardião da flor da samambaia

Entre os documentos reunidos no inquérito, Andriolli destacou um poema no qual o Saci aparece em uma declaração amorosa. O autor compara os olhos da mulher amada a “doces Sacis de alegria”.

Em outro verso, o eu lírico diz que sua alma procurava a flor da boca da mulher. A imagem remete a uma atribuição do Saci pouco conhecida atualmente: a função de guardião da flor da samambaia.

“Botanicamente, a samambaia não produz flor. Mas a narrativa diz que, quando ela floresce, adquire poderes mágicos e pode realizar um desejo.”

O Saci protege a planta e impede que pessoas mal-intencionadas se aproximem. “Se você não tiver boas intenções, ele não permitirá que chegue perto da samambaia em flor.”

Cléo se encantou com a imagem. “A flor da samambaia é uma coisa impossível. E o Saci é seu guardião. Eu não conhecia essa história.”

Uma cidade transformada em cemitério de Sacis

A transformação do Saci em orelha-de-pau também está na origem da página O Colecionador de Sacis. Andriolli contou que a ideia surgiu depois de encontrar um tronco tomado pelos fungos.

“Eu vi um toco de árvore cheio de orelhas-de-pau, tirei uma foto e escrevi no Facebook: ‘Esta cidade é um cemitério de Sacis’.”

A publicação não teve a resposta esperada porque poucas pessoas compreenderam a referência. “Eu pensei: ‘Como assim ninguém entendeu?’. Para mim, era um conhecimento óbvio.”

A reação mostrou que as histórias recebidas dos avós não eram conhecidas por todos. O Colecionador de Sacis nasceu da vontade de partilhar esse repertório fora dos espaços acadêmicos.

“Eu senti a necessidade de falar sobre isso para o público geral. Queria que mais gente pudesse se encantar como eu me encantei.”

Um jogo para transformar cultura em estratégia

Na parte final da live, Andriolli apresentou o Poranduba — Cartas de Cultura, jogo desenvolvido durante dois anos com a participação de 27 ilustradores. À época, o projeto estava em campanha de financiamento coletivo.

O baralho reunia três tipos de cartas. As “visagens” apresentavam mitos, lendas e personagens de contos populares. As cartas “gente” destacavam brincantes, festeiros e mestres de ofícios. Já as cartas “saberes” traziam pratos, superstições, simpatias e objetos do cotidiano.

“Temos Saci, Mula sem Cabeça e Boi da Cara Preta, mas também benzedeira, rendeira, capoeirista e gaiteira. Há ainda a vassoura atrás da porta, a Espada de São Jorge, o santo de ponta-cabeça e a feijoada.”

O jogo apresentava dois Sacis. Um deles foi criado por Hugo Canuto a partir da aproximação com Ossaim. O outro era o Saci Urbano, personagem espalhado pelos muros de São Paulo pelo artista Thiago Vaz.

Cada carta possuía um efeito relacionado às características do personagem. “Quando o Saci-Pererê entra em campo, o redemoinho faz uma carta voltar para a mão do oponente. Já o Saci Urbano convence uma carta adversária a passar para o seu lado.”

Além das regras, todas as cartas traziam um código QR. Ao acessá-lo pelo celular, o jogador encontrava um texto sobre a manifestação cultural representada.

“O jogo não serve apenas para apresentar a imagem. Quem quiser saber o que é uma benzedeira, por exemplo, pode acessar uma página sobre a tradição e conhecer alguns dos benzimentos mais recorrentes.”

“Como isso viraria uma carta?”

No encerramento, Andriolli sugeriu que o jogo poderia inspirar atividades em escolas. Os estudantes seriam convidados a investigar as práticas culturais de suas famílias, ruas, bairros e cidades.

“Você conhece coisas que fazem parte da cultura do seu bairro e da vida da sua família. Pense: como eu transformaria isso em uma carta? Como essa história apareceria dentro de um jogo?”

A proposta levaria os alunos a conversar com parentes e vizinhos, registrar narrativas e reconhecer saberes que muitas vezes permanecem invisíveis nos materiais escolares.

“Já pensou se a tarefa fosse voltar para casa e pensar nas próprias raízes? Pensar naquilo que formou essas pessoas, suas famílias e suas comunidades?”

Para Andriolli, o folclore não deve ser apresentado como uma coleção distante de personagens. Ele começa justamente naquilo que atravessa a vida cotidiana, mesmo antes de percebermos que existe um nome para isso.

“Meu sonho é que as pessoas olhem para aquilo que conhecem e contem para a gente: ‘Há esta lenda no meu bairro, existe esta comida na minha cidade, minha família mantém esta tradição’. É aí que o folclore continua vivo.”

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