Produções do Colecionador de Sacis integram formação de professores do MEC

Revistas, curta-metragem e reportagens do Colecionador de Sacis são utilizados em atividades que aproximam cultura popular, criação artística e educação

O trabalho de divulgação do folclore brasileiro desenvolvido por Andriolli Costa está presente na formação de professores oferecida pelo Ministério da Educação. Revistas, um curta-metragem e textos publicados no projeto Colecionador de Sacis integram propostas pedagógicas do curso Formação em Artes nos Anos Finais, disponível no Ambiente Virtual de Aprendizagem do MEC, o AVAMEC.

Oferecida pela Secretaria de Educação Básica, a formação tem 180 horas e é destinada a professores de Arte dos anos finais do Ensino Fundamental. No módulo dedicado às culturas populares, os materiais do Colecionador são indicados para pesquisas em grupo, leitura de imagens, exibição audiovisual e criação artística. O curso também utiliza a experiência de financiamento do projeto para discutir as condições de trabalho dos produtores culturais.

Da pesquisa à divulgação do folclore

Criado em 2015 pelo jornalista, pesquisador e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), o Colecionador de Sacis reúne pesquisa, produção cultural e comunicação sobre o folclore brasileiro. Sua trajetória articula o interesse pelas narrativas tradicionais à observação de como elas continuam circulando e sendo recriadas.

O projeto começou a ganhar forma quando Andriolli compartilhou uma fotografia de um tronco coberto por orelhas-de-pau, relacionando a imagem à narrativa de que os sacis se transformam nesses fungos ao morrer. A repercussão estimulou a criação de um espaço para compartilhar outros conhecimentos sobre o tema.

Duas revistas, diferentes retratos do Saci

Uma das produções utilizadas no AVAMEC é a revista digital Saci Pererê — 100 anos do Inquérito, lançada em janeiro de 2017. A publicação celebrou o centenário da pesquisa promovida por Monteiro Lobato, que convidou leitores a enviar relatos sobre o personagem. Sob produção e edição de Andriolli, a revista reuniu contribuições voluntárias de escritores, ilustradores e fotógrafos, com arte de William Chamorro na capa.

A proposta foi investigar a presença do Saci em diferentes linguagens e situações do cotidiano, incluindo literatura, quadrinhos, música, grafite e videogames. “O Saci não ficou na roça. Passeia entre nós”, escreveu Andriolli no editorial. O texto também discute os limites do registro de Lobato e a diversidade de versões do personagem, ressaltando que os mitos se transformam conforme as comunidades que os narram.

Esse diálogo entre documentação e criação ganhou outra forma em O Sacy Pererê — Resultado de uma collab, publicada em 2018. A iniciativa reuniu ilustradores profissionais e amadores para interpretar visualmente depoimentos do livro de Lobato. Cada imagem acompanha um trecho do testemunho que a inspirou.

No AVAMEC, as duas revistas são propostas como objetos de leitura e análise, permitindo discutir as relações entre narrativa oral, texto escrito e representação visual.

O imaginário popular no cinema

O audiovisual também participa desse percurso. Disponibilizado no site em setembro de 2016, o curta O Colecionador de Sacis tem história original de Andriolli Costa e foi produzido na oficina de criação cinematográfica de Magnum Borini, com Cesar Coffin Sousa e Rosi Moreira.

A trama acompanha Mário Sbardelotto, um homem que afirma guardar diferentes sacis em garrafas. Quando uma delas se quebra, a tentativa de recuperar o ser supostamente libertado o conduz a descobertas que ele talvez preferisse evitar. O filme é indicado para exibição e pesquisa no curso.

Folclore e cultura pop

Outra atividade parte da reportagem Versão brasileira — Conheça os Pokémons inspirados no folclore nacional, publicada em maio de 2018. O texto apresenta trabalhos de artistas que criaram criaturas e regiões brasileiras inspiradas na franquia japonesa.

Entre as referências estão seres míticos, capoeira, comidas, festas e artesanato. Ao documentar essas criações, a matéria oferece exemplos concretos de como repertórios culturais brasileiros são reinterpretados por artistas e comunidades de fãs.

Como sustentar a produção cultural

A dimensão econômica do trabalho cultural aparece na atividade dedicada à loja virtual do projeto. Anunciada em 2018, a iniciativa estabeleceu parcerias com ilustradores para comercializar camisetas com referências folclóricas.

Na formação, essa experiência serve de ponto de partida para discutir como sustentar a produção e a circulação gratuita de conteúdos, aproximando o estudo da arte de questões sobre remuneração e possibilidades profissionais.

Depois das pesquisas, os professores são orientados a organizar rodas de conversa ou seminários com os estudantes e desenvolver novas etapas do projeto a partir das descobertas dos grupos. As produções do Colecionador de Sacis passam, assim, a compor um percurso de aprendizagem que envolve conhecer referências culturais, interpretar obras e experimentar outras maneiras de contar histórias.

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