[Podcast] Popularium – O Lobo do Homem

Está no ar mais um episódio do podcast que produzo para o Mundo Freak! Serão 10 episódios do Popularium publicados quinzenalmente, onde vamos abordar com profundidade mitos e lendas brasileiras. Neste programa, falamos sobre os lobisomens e outros mitos que correm o fado: tardos, corrilário e peeiras dos lobos, criaturas do folclore português e que pautam várias das aparições dos licantropos brasileiros.

Confira o Popularium! Folclore brasileiro como você nunca ouviu. Ouça aqui.

Vitrine-popularium-07-lobisomem

Roteiro:

Essa história não se passa em uma cidadezinha desconhecida, daquelas onde a luz elétrica ainda teima em não alcançar. Também não aconteceu em uma noite de lua cheia, não ocorreu com algum amigo de um amigo meu, e nem se deu em uma época muito, muito distante.

Não, esta historia aconteceu em Iguatemi, no Mato Grosso do Sul, uma cidade com 15 mil habitantes localizada a 450 km da capital, Campo Grande. No dia 20 de fevereiro de 2017, a professora Regina de Abreu, de 55 anos, relata que se dirigia até a casa da filha quando “um bicho horrível com cabeça grande e focinho muito comprido” investiu contra o carro. Alguns moradores da região disseram ter visto o ataque e a posterior fuga do monstro.

Assustada, a filha da motorista enviou um áudio para o grupo de whatsapp dos moradores da cidade. Pedia para todos tomarem cuidado e evitarem sair de casa devido a estranha criatura. “A gente não sabe se é um cachorro ou um lobo. É um troço muito feio e grande. Se ela não guarda rápido, ele tinha pego o braço da minha mãe”, dizia. Foi o suficiente para a história se alastrar. Havia um lobisomem na cidade.

Pelo próprio aplicativo, os moradores se organizaram. Com paus, foices e lanternas, começaram uma caçada pelo monstro. Mais tarde, a Polícia Militar foi chamada e acompanhou os moradores na busca. Nada foi encontrado.

O caso repercutiu durante toda a semana na mídia, gerando reações diversas. Houve vários comentários ressaltando a suposta ignorância dos moradores, apontando os paralelos entre a atitude dos moradores e vilões da idade média munidos ancinhos e tochas para queimar um monstro.

Se era realmente um lobisomem que atacou o carro? Isso não é importante. O que importa neste caso não é a existência, mas as ações que o mito mobiliza. Pessoas fizeram ou deixaram de tomar ações devido a ele, se organizaram em grupo, buscaram defender a comunidade, ficar alertas contra o Outro misterioso. São os mesmos medos que o mito do bicho-homem vem despertando no imaginário coletivo da humanidade desde os tempos antigos.

“Sob a jaqueta de lã do Bretão ou na gibona de couro do vaqueiro o pavor é idêntico”, escreve Câmara Cascudo, “vendo, debaixo das oiticicas imensas ou na penumbra (…) a figura ligeira e negra, impressionadora e terrível do loup-garou, do lobisomem, capelobo dos índios, erudito versipellio, herança atávica do medo na alma triste dos homens (2014, p. 5).

Neste programa, vamos dissecar o imaginário popular, refletindo sobre o que ele evoca no simbólico. Assim, veremos que estes mitos e lendas, em última instância, não dizem sobre monstros encantados, mas sobre nós mesmos. Eu sou Andriolli Costa e este é o Popularium.

Leia o resto do roteiro aqui

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