[#Saci100] Ana Paula Aparecida Oliveira – Abraço do Saci

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Texto da Revista Saci Pererê – 100 anos do Inquérito. Clique aqui para ler e baixar.

Por Ana Paula Aparecida Oliveira

Vou contar procêis uma história que aconteceu comigo. O Vô, quando era mais novo, gostava muito de andar de cavalo, lá pras banda de Cunha, morro do Pinha, mais nem sempre meu pai deixava. E ocêis sabe, né? Fazê coisa errada o bicho feio gosta…

Então foi num dia que meu pai ia posar na casa do cumpadi dele para capa um porco. Eu não ia porque o pai dizia: — Vilino, cê não vai não, viu? Porque eu sei que ocê chora de dó e isso atrapaia o serviço!

Então eu fiquei em casa cá mãe. Dormi, acordei e fiz o serviço: tratei dos bicho, limpei o chiqueiro, mais tava doido pra montar no cavalo. Só uma vortinha no pasto… Mais tinha de ser num horário que minha mãe tumém não visse.

Quando aponto a premera estrela no céu eu sabia que ela ia pra dentro de casa rezá. Então fui até a cocheira, arriei o cavalo e montei. Eita coisa boa, andando de mansinho pra hora de chega no meio do pasto eu sentar a espora no bicho e ele corrê.

Foi aí que, chegando no meio do pasto, eu já pronto pra senta a espora, o cavalo deu um pulo! Ficou fungano, relinchano, sapateano o casco no chão. — Eia! Eia!

Segurei firme na rédea e o bicho fico parado. Nessa hora, pela Virgê de Nazarém tive um arrupio e senti uma mão segurá na minha cintura. Na hora pensei: – É assombração! Vô ispia rápido pra vê. Quando oiei de rabo de oio só vi uma perninha bem pretinha. Virei do outro lado e não tinha a perna. Eita, era o Saci!

Como eu não tinha fumô e tava sem coragem, comecei a rezar o responsório de Santo Antônio e o Crendiospai. Rapaiz, deu que quando eu fiz o sinar da cruz para acaba a reza, subiu um bruta dum rodamoinho.

O cavalo disparo, mais eu não cai. Gritei: — Valei-me, Nossa Senhora Aparecida! Aí que o cavalo se acalmo e vortei pras cocheira. Quando cheguei em casa contei pra mãe que de me deu um xingo, e disse que quando nóis faiz coisa errada o Saci gosta. Por que ele é marfeito. E marfeito gosta do marfeito.

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