[Clipping] Matinta Perera: Amazonenses fazem relatos de ‘causos’ que ouviram ou vivenciaram

A lenda é comum entre as pessoas mais tradicionais e moradores dos interiores amazônicos

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Por Ayane Souza, do Em Tempo
Publicado em 15/12/2017

“Voltavam de uma festa tarde da noite, quando ouviram um forte assobio, daqueles que fazem qualquer um tremer de medo, e sem hesitar gritaram:: – Matinta Perera, vem buscar teu tabaco! E mais que depressa correram fugindo mata afora”. Entre risos, contou a jornalista amazonense Adália Marques. “Essa é a parte de uma das estórias que meu pai contava quando eu era criança”.

O imaginário caboclo é repleto de lendas e causos encantadores, que muitas das vezes chegam a assustar os mais jovens. Muitas dessas lendas são passadas de geração em geração e fazem parte do senso comum da população. Conforme explica o historiador João Pinheiro, “as lendas não possuem um contexto histórico que a tornem real, apenas os relatos daqueles que dizem ter vivido ou que ouviram alguém contar”.

Matinta Perera, como conta o historiador, é uma das lendas que seguem não só no interior do Amazonas, mas também entre os moradores mais tradicionais da capital. Ele diz que, em alguns lugares, acredita-se que existem velhas com o poder misterioso de se transformar na ave “Rasga Mortalha” e que a noite saem assobiando, anunciando mal presságio. Para não acontecer nada de ruim, o caboclo corajoso oferece tabaco. No dia seguinte, uma senhora vestida em trapos, bate na porta em busca do fumo prometido.

Lenda
terror-2_00089439_0.jpgJoão Pinheiro relata que a lenda da Matinta Perera possui várias versões: Uma trata da estória de uma ave branca conhecida popularmente como “Rasga Mortalha”, que voa por diversos lugares e, segundo a crendice popular, quando ela pousa em uma casa e assobia fortemente é um aviso de que alguém daquela residência irá morrer.

Outra versão quem nos conta é o Nemésio Damasceno, de 75 anos, morador da Comunidade Aninga, em Parintins. “Na mata, durante a noite, é possível ouvir alguns barulhos impossíveis de identificar de onde surgem. Um assobio forte e estremecedor é sinal de que a Matinta Pereira está na região. Os mais antigos contam que devemos oferecer tabaco, pois o assobio é sinal de que algo muito ruim irá acontecer. Ao oferecer o fumo, na manhã seguinte é dito e certo, que alguém irá buscar. Por isso se você prometer, terá que cumprir”.

Damasceno conta que já esteve bem próximo da criatura. “Há muito tempo, quando não tinha energia elétrica na comunidade, eu e meu primo estávamos em uma casa. Era noite, não me recordo bem a hora. Apagamos a lamparina e ouvimos um barulho estranho, sentimos a presença de um vulto. Acendemos a lamparina olhamos tudo e nada, apagamos novamente e só senti aquela ‘lambada’ no couro. ‘Pá’! Com certeza era a bendita da Matinta!”, contou.

Já imaginou se acontecesse com você?

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