[Podcast] Papo na Encruza – Deuses Brasileiros

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Em janeiro o canal do Youtube da página Fatos Desconhecidos lançou um vídeo para explicar ao público quem eram os deuses brasileiros. Prontamente escrevi sobre isso, rebatendo alguns pontos do vídeo, sendo o maior problema justamente o fato de colocar a fantástica popular sobre dois guarda-chuvas que pouco conversam: chamam de deuses os mitos que nunca receberam qualquer culto; chamam de brasileiras as divindades do Sul da América que em nada se repetem no norte do país.

Foi o gancho ideal para pautar o convite para participar do podcast Papo na Encruza, que integra o portal Perdido em Pensamentos. Apresentado por Roe Mesquita, com participação de Lucy Fidelis, Luiz Guenca e Douglas Rainho – parceiro que já colaborou com texto para o Colecionador, o programa tem como foco espiritualidade e religiosidade popular, especialmente a Umbanda. Como convidado, tive a oportunidade de guiar a conversa e apresentar um pouco da riqueza da cultura e religião de nossos povos indígenas.

Após uma conversa introdutória. apresentamos as bases que vão guiar o programa: é impossível falar em deuses brasileiros uma vez que no Brasil existem mais de 300 povos indígenas, cada um com cosmogonias singulares – e por vezes completamente distintas. Mais do que isso, é preciso duvidar das fontes: textos dos primeiros cronistas tendem a simplificar, demonizar ou mesmo adaptar a crença dos povos indígenas de acordo com suas próprias referências cristãs. Por isso é importante compreender quais fontes se usa, sua origem e se há correspondência contemporânea hoje, quando os indígenas tem sua própria voz.

No programa, nos concentramos então nos mitos de origem Guarani, explorando a criação do mundo, dos humanos e os modos como os deuses participaram disso. Relato duas versões: uma etnográfica, centrada no Ciclo dos Gêmeos (que viriam a se tornar os irmãos Jaci e Guaraci) e outra poética, voltada para a narrativa dos 7 filhos de Tau e Kerana. Traço o texto fonte para esse mito de origem até o poema épico Nãnde Ypycuera, de Rosicran (1937) e alerto para inconsistências no campo do imaginário que levantam dúvidas sobre a validade folclórica desses mitos; descubra no programa.

Falamos ainda sobre Curt Nimuendaju, etnógrafo alemão que viveu durante anos entre indígenas brasileiros – especialmente os Guarani. Seus relatos, sua vivência e o respeito que sempre demonstrou por esses povos permitiram jogar uma nova luz sobre tão rica cultura.

Clique aqui para acessar o podcast e baixá-lo. Ou escute abaixo na live do Youtube.

 

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